Show de Bad Bunny no Super Bowl pode ser alvo da agência de deportações
Bad Bunny foi confirmado como a atração principal do show de intervalo do Super Bowl, que acontece em 8 de fevereiro de 2026, no Levi’s Stadium, em Santa Clara, Califórnia. A escolha, amplamente celebrada por fãs em todo o mundo, ganhou rapidamente contornos políticos e acendeu polêmicas nos Estados Unidos.

Bad Bunny em foto promocional. Imagem: Divulgação.
Corey Lewandowski, assessor de Segurança Interna do governo Donald Trump, declarou que agentes de imigração estarão presentes no evento, insinuando a possibilidade de prisões em massa de imigrantes durante o espetáculo. A afirmação provocou forte reação e reforçou críticas de que a atual administração estaria transformando o maior evento esportivo do país em instrumento de intimidação.
Bad Bunny, nascido Benito Antonio Martínez Ocasio, em Porto Rico — território não incorporado dos EUA —, é hoje o maior nome da música latina global. Além de quebrar recordes de audiência no streaming, o artista se posiciona de forma contundente contra as políticas anti-imigração de Trump, classificadas por organizações internacionais como desumanas. Entre os pontos mais controversos estão a separação de famílias na fronteira, deportações em massa e detenções em condições precárias.
A escolha do porto-riquenho para o maior palco cultural dos Estados Unidos gerou indignação entre aliados de Trump. Em entrevista ao podcast The Benny Johnson Show, Lewandowski chamou a decisão de “vergonhosa”, enquanto o assessor republicano Sebastian Gorka atacou o cantor em uma publicação no X (antigo Twitter). Outro ponto levantado por críticos é o fato de Bad Bunny cantar exclusivamente em espanhol, o que, para setores mais conservadores, “não representa a cultura americana” em um evento de alcance global.
O impacto da decisão vai além da música. O artista já havia excluído os EUA de sua turnê mundial mais recente por temer que seus shows se transformassem em “armadilhas” contra imigrantes, diante da atuação do ICE, a agência responsável por deportações. Bad Bunny também é conhecido por defender abertamente os direitos da comunidade LGBTQIA+ e por ter apoiado a democrata Kamala Harris nas eleições de 2024.
Em seu álbum “Debí Tirar Más Fotos“, o cantor amplia essas posições ao denunciar o colonialismo e a perda da identidade cultural em Porto Rico, comparando a situação à anexação do Havaí pelos EUA. Critica ainda a precariedade da infraestrutura local, os apagões constantes, a negligência política e a gentrificação que desloca porto-riquenhos de seus bairros tradicionais. O disco também ecoa sua resistência às políticas de imigração norte-americanas, refletindo seu temor de que a cultura e a vida boricua sejam sufocadas por imposições externas.
Assim, o Super Bowl de 2026 deixa de ser apenas um espetáculo de entretenimento. Com Bad Bunny no centro do palco, torna-se um marco de resistência cultural e política, dando voz a milhões de latinos e imigrantes em um momento de crescente tensão nos Estados Unidos.
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