Gabi Melim fala sobre seu álbum “Escapismo” em entrevista exclusiva
Gabi Melim lançou nessa sexta-feira (29), seu segundo álbum de estúdio “Escapismo”. O projeto audiovisual traz 13 faixas acompanhadas de um show ao vivo, onde a artista apresentou as músicas inéditas e também regravações. Em entrevista exclusiva com o Poptivo, Gabi contou um pouco do processo criativo do álbum, parcerias, vida pessoal e mais! Confira a entrevista completa:

Gabi Melim para a capa de “escapismo”. Imagem: Divulgação
Mateus Mélo:
Gabi, eu queria falar um pouco sobre seu novo álbum “escapismo” e saber qual a importância pra ti de realizar um projeto audiovisual em um momento onde as pessoas valorizam tanto o streaming e deixam de lado a parte visual, dos shows e deixam de ter a conexão entre o público e a arte
Gabi Melim:
Então eu sou uma artista que vim do palco, eu comecei a cantar profissionalmente e fazer show aos 15 anos e sempre tive contato com o público, inclusive acho que muito sucesso da Melim também veio por conta da gente fazer muito shows e dessa troca acontecer no ao vivo, então é muito importante. A gente trouxe alguns fãs que me acompanham há muito tempo e a gente queria dar esse carinho, é uma galera que realmente acompanha o som, então trazer escapismo num álbum audiovisual é fundamental essa conexão com a galera.
Mateus Mélo:
E como foi equilibrar a energia de um show ao vivo com a necessidade de criar um registro audiovisual, teve um momento que tu precisou escolher entre o que funcionava mais pro publico ao vivo e o que funcionava mais pra câmera?
Gabi Melim:
Eu acho que de maneira geral foi tudo muito natural, não foi uma coisa muito performática, como não era para um grande público eu conseguia ver o rosto das pessoas perto de mim então era mais sobre a troca do que sobre performar para a câmera. Apesar que teve uma canção ou outra que a gente fez mais de um take pra ter escolhas de câmera, mas quem produziu foi o Sérgio Lima que é um diretor incrível, foi uma honra trabalhar com ele e esse é o primeiro DVD Parallax feito no Brasil, que é essa estrutura desse LED ultramoderno trazendo imagens hiper-realistas, é uma tecnologia que a galera usa em filmes lá fora então visualmente a gente conseguiu trazer um pouco das cores e das sensações, então meio que conta uma trajetória.
Mateus Mélo:
Teve alguma música que se transformou quando saiu do estúdio e foi pro show e você sentiu que se completou depois que foi pro ao vivo?
Gabi Melim:
Acho que as canções do “Gabriela” que a gente trouxe releitura, as músicas não ficaram tão cheias quanto a versão do álbum. Nas vozes, eu acho que é um álbum mais fluido por ser audiovisual, do que um álbum de estúdio, que a gente trouxe muitos elementos, eu gravei muito coro, cada faixa tinha 14 ou 15 canais de voz e nesse eu também fiz, a gente colocou no VS, mas deixando muito mais espaço pras vozes tanto a minha quanto das participações.
Mateus Mélo:
Agora sobre a versão de estúdio do álbum, tem algum detalhe da produção que ninguém percebeu de primeira mas que é um dos seus favoritos e você gostaria que percebessem?
Gabi Melim:
Eu acho que na Roda-gigante que é a música que abre o disco, uma musica que eu escrevi depois dessa questão de saúde que eu tive da paralisia de Bell. Eu lancei o álbum Gabriela assim que a Melim encerrou a carreira como banda e eu trouxe esse resgate da minha carreira solo. E eu acho que como na Melim a gente trabalhava muito, era 25, 26 shows por mês, era muita estrada, eu acho que eu precisava ter feito uma pausa e não ouvi meu corpo, vim direto lançando um trabalho novo e a paralisia veio por conta desse estresse. Então eu trouxe a Roda-gigante que fala um pouco sobre isso e nessa canção tem algumas frases que eu gravei que a gente colocou um filtro que tá bem no fundinho, não sei se a galera vai perceber de cara porque tem algumas que ficaram bem baixinhas.
Mateus Mélo:
Agora um pouco da sua carreira, tu falou muito sobre ter se encontrado mais artisticamente, como você acha que foi a evolução da Gabi lá do Melim, pra que lançou o álbum Gabriela, para agora a Gabi do escapismo. Tanto na composição, quanto na produção ou gêneros, o que tu acha que mais mudou no seu trabalho?
Gabi Melim:
Como eu comecei muito nova, antes da Melim eu já tinha 9 anos de carreira, eu fui emancipada inclusive, fazia show com muita frequência cantando samba de raiz e música popular brasileira de forma geral. Daí 9 anos depois veio a Melim que foi esse sucesso todo – ainda é né, por mais que a banda não exista mais, carrega muitos fãs essa nostalgia. E eu sinto que na minha careira, tanto pré Melim, quanto Melim, quanto Gabriela e agora Escapismo, eu sinto que principalmente no Gabriela e, agora, mais do que nunca, eu tô ousando muito assim, tô brincando muito mais nesse lugar de trazer os ritmos brasileiros que me moldaram artisticamente. Eu trago ali “Habilidosamente”, que é um feat com o L7nnon que eu lancei antes do álbum visual que traz ali elementos do funk carioca, eu sempre curti e faz parte da minha construção a música periférica. Então eu acho que essa questão da ousadia e também de não ter medo de errar, esse desespero da busca da perfeição isso pra mim é difícil eu tenho um respeito pela música e quero fazer nascer minhas canções da melhor forma possível pro mundo, mas agora entendo que se não ficou tão legal tá tudo bem recalcular a rota. O sucesso é feito muito de erros e acertos, ninguém vive só de acertos, então eu tô tendo nesses dois últimos anos a liberdade de ousar muito mais.
Mateus Mélo:
E esses grandes artistas que você trouxe no álbum Duda Beat, Mestrinho, Maria Gadu, Luísa Sonza que vai vir, como que foi o processo de gravação com esses artistas? Conta um pouco disso pra gente
Gabi Melim:
Então, como a gente de fato se encontrou no álbum audiovisual a gente cantou ali naquela troca ao vivo, eu acho que tem uma sensação muito diferente, é uma conexão maior porque no estúdio ali a gente tá desmontado, tem mais possibilidades de refazer e no ao vivo não, tem essa energia que é a troca, que é olhar que eu acho muito importante. Essa troca ao vivo faz toda a diferença na hora de fazer um dueto, mas eu trouxe só pessoas que eu já tinha uma conexão, que eu já tinha carinho. Falando da Gadu e da Duda que moram no Rio, são pessoas que eu encontro com frequência, tive na casa da Gadu semana retrasada, tenho um carinho gigante pela família dela, pela filha dela, Alice. A Duda também é uma amiga que eu falo todos os dias a gente se liga de vídeo então a gente tava a vontade porque são amizades que a gente construiu mesmo, então trazer isso nas canções é muito especial porque são pessoas que eu admiro muito!
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