Crítica: “A*POP” confirma o talento de Tyla, mas fica aquém do seu potencial

sexta-feira, 24 de julho de 2026
por Alice Arruda

Tyla lançou nesta sexta-feira (24) seu segundo álbum de estúdio, “A*POP”. Ao longo de 14 faixas e 43 minutos de duração, a estrela sul-africana amplia a fusão de amapiano, R&B e pop que se tornou sua marca registrada. O disco reúne algumas faixas que figuram entre as melhores de sua carreira, mas também outras que carecem do mesmo impacto, comprometendo a consistência do projeto.

Tyla em registro compartilhado nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram.

Tyla em registro compartilhado nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram.

A ascensão meteórica de Tyla começou com o lançamento de “Water”, em 2023. O single transformou-se em um fenômeno global ao levar o amapiano para novos públicos, incorporando sua sonoridade característica a influências de R&B. No ano seguinte, seu álbum de estreia, “TYLA”, comprovou que o sucesso não era passageiro e consolidou a artista como um dos nomes mais promissores da música pop em escala internacional.

A expectativa em torno do novo projeto da cantora era alta, e corresponder a esse nível nunca seria uma tarefa simples. Embora a campanha de divulgação de “A*POP” apontasse para uma obra vibrante e ousada, o álbum entrega menos do que prometia.

A abertura do álbum, no entanto, faz jus à expectativa. “Is It Love” surge imediatamente como um dos grandes destaques do projeto ao combinar batidas envolventes de amapiano com melodias expressivas de guitarra, além de trazer uma das interpretações vocais mais maduras de Tyla até hoje. Sua performance soa natural e emocionalmente convincente, traduzindo com sensibilidade a incerteza e a vulnerabilidade que conduzem a narrativa da canção

Na sequência, “That Girl”, escolhida como quarto single de “A*POP”, mantém o alto nível. A canção traduz com precisão a proposta da cantora de aproximar a música africana do pop global, combinando ritmos inspirados no amapiano com uma produção refinada e melodias extremamente cativantes. O equilíbrio entre confiança e vulnerabilidade faz da canção um dos momentos mais fortes do disco.

Outro grande destaque é “Is It”, lançada originalmente no EP “We Wanna Party“, de 2025, e há muito tempo apontada pelos fãs como uma das joias escondidas da discografia de Tyla. Ao integrar “A*POP”, a faixa finalmente ganha a visibilidade que sempre mereceu. Com ritmo envolvente, refrão marcante e uma interpretação segura de Tyla, a música se consolida como um dos grandes acertos do álbum.

Depois de uma abertura consistente, “A*POP” parece ter encontrado sua direção criativa. É justamente nesse momento que “Fairytales”, parceria com Liquideep, interrompe a coesão construída até então. A faixa destoa da proposta sonora do álbum e acaba se tornando seu momento mais frágil.

Se a primeira metade de “A*POP” evidencia com clareza o potencial de Tyla, a segunda perde fôlego. “Double Blind”, “Feel Something” e “Right Now” carecem da criatividade presente nos melhores momentos do disco. Marcadas por produções pouco inspiradas e melodias que raramente se destacam, as três faixas acabam comprometendo a consistência do álbum.

Entre os outros pontos altos do disco estão os singles “Chanel” e “She Did It Again”, parceria com Zara Larsson. Ambas combinam batidas hipnóticas e refrões marcantes, reafirmando sua habilidade para construir singles irresistíveis.

Já “Mr. Nonchalant”, as colaborações com MaWhoo e Babalwa M em “Crazy Of Me” e “I Don’t Care” e a faixa de encerramento “Hot Tubs” ampliam a paleta sonora de “A*POP”. Ainda assim, nenhuma dessas músicas se destaca a ponto de figurar entre os momentos mais memoráveis do disco.

Embora reúna algumas das melhores faixas da carreira de Tyla, “A*POP” não sustenta a mesma consistência do início ao fim. O talento da cantora permanece inquestionável, mas seu segundo álbum demonstra que repetir uma fórmula de sucesso nem sempre é suficiente para alcançar o mesmo impacto.

Nota: 7.5/10

 

 

Você também vai querer ver
voltar