Crítica: Ravyn Lenae faz pop oitentista com sua própria essência em “Blue Island”

terça-feira, 11 de agosto de 2026
por Davi Bittencourt

Ravyn Lenae conquistou um sucesso surpreendente com a faixa “Love Me Not” do álbum “Bird’s Eye”, lançado em 2024. Tendo mais de um bilhão de streams no Spotify, ela alcançou um sucesso inesperado para sua carreira. Essa música se destacava dentro da lista de faixas por apresentar um estilo retrô inspirado no pop soul dos anos 60.

Capa de Blue Island de Ravyn Lenae

Capa de “Blue Island” de Ravyn Lenae. Imagem: Divulgação.

Acho curioso como sucedendo esse alcance do mainstream, a abordagem que Ravyn Lenae busca fazer se baseia em uma linguagem similar: a exploração de sonoridades retrô. “Blue Island” aborda a temática de resgatar memórias antigas relacionadas a um lugar: a cidade de Blue Island em Illinois. Sendo um álbum que trabalha muito com uma imagem que ela tem de vivências passadas, seu som, centrado intensamente no pop dos anos 80, parece dialogar com o discurso da cantora.

A sonoridade, especialmente nos primeiros momentos, mistura vocais melismáticos e grandiosos, com algumas harmonias inspiradas no gospel, característico do soul, com a produção pop rock oitentista, marcada por guitarras agitadas e grooves dançantes, elementos marcantes de um dos subgêneros do rock mais populares naquela época, o new wave. Isso é bastante presente em “Handle”, “Familiar Dreams” e “In & Out”.

Os momentos em que sua direção se volta para outros estilos dessa mesma década brilham nesse disco. A faixa “Saturday Night” é uma releitura excelente do ritmo freestyle que embalava as pistas de dança nos anos 80, principalmente com as melodias extremamente cativantes com uma energia sedutora pronta para as pistas de dança. “Find It One Day” traz sintetizadores brilhosos, batidas em que os reverbs intensos tornam o som das caixas estrondoso e melodias apaixonantes, em um estilo de produção sofisticada que caracterizou os anos 80.

“Blue Island” não é por completo um álbum retrospectivo oitentista, mas o disco faz uma excelente dosagem entre faixas fortemente vintage e músicas r&b que trabalham com referências diversas, indo de sons modernos a releituras de outras décadas. A faixa com Doechii, “Babygirl”, resgata o estilo de R&B marcado por grooves de hip hop inspirados no boom bap, típico dos anos 90. A última faixa, “Let Us In” é um R&B alternativo com ênfase em graves noturnos e um ritmo dançante que pega muita referência de estilos club surgidos na costa leste dos Estados Unidos. “Barriers” é um meio termo curioso entre produção moderna com fortes graves eletrônicos e aspectos melódicos nostálgicos, os quais lembram uma clássica balada sentimental r&b que seria lançada nos anos 80 ou 90.

A maior qualidade de “Blue Island” é como ele se distingue de abordagens com o mesmo objeto, a música pop dos anos 80, que tivemos contato recentemente. A mistura do new wave dançante com melodias do soul e do r&b traz um traço de personalidade próprio de Ravyn Lenae, como se a cantora estivesse carregando sua raíz musical no r&b contemporâneo em novos gêneros. Junto das abordagens pontuais com o r&b dos anos 80 e 90, e alguns momentos que se centram na modernidade, faz o ouvinte lembrar que estamos ouvindo uma obra fruto da bagagem musical da cantora em que ela traz sua própria essência a um período musical passado, e não simplesmente o replica.

GÊNERO: R&B CONTEMPORÂNEO / POP

GRAVADORA: Atlantic Records

DATA DO       LANÇAMENTO:   07/08/2026

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