Crítica: KATSEYE perdeu o rumo e “WILD” não sabe encontrá-lo.
O novo EP de KATSEYE, WILD, chega como o retrato de um grupo que parece ter perdido completamente a noção de quem quer ser. O girl group global atravessa uma evidente crise estética, sonora e, principalmente, identitária onde tudo parece desconectado, improvisado e estranhamente desprovido da personalidade que fez o grupo chamar atenção em primeiro lugar. Com Manon de fora e Sophia afastada, a sensação de instabilidade deixa de ser apenas uma impressão externa e passa a contaminar o próprio projeto.

Capa do EP “WILD”, novo lançamento de KATSEYE. Imagem: Divulgação
Até o rollout parece ter entrado nessa crise. Anunciado há quatro meses, WILD demorou uma eternidade para finalmente chegar e depois de tanta espera, entrega um EP que parece uma coleção de sobras da geladeira da HYBE. É difícil entender qual é a visão por trás disso tudo.
“Pinky Up”, o primeiro single, já estabelece o problema. A faixa é péssima, uma tentativa de techno tão infantilizada que parece ter sido produzida para uma aula de dança de crianças. Sua salvação acabou sendo justamente a coreografia viral, que transformou uma música esquecível em trend. Quando o momento mais interessante de uma faixa está fora dela, temos um problema.
“Animal” consegue ser ainda mais frustrante. A música, que foi escrita por Ed Sheeran, traz um questionamento inevitável: quem exatamente achou que colocar o KATSEYE para cantar uma música do Ed Sheeran seria uma boa ideia? O resultado é genérico, previsível e completamente sem personalidade. Não existe nada aqui que pareça especificamente feito para o grupo, poderia ser entregue a qualquer ato pop do mercado e produzir exatamente o mesmo efeito.
Mas é “Hootie Frutti” que leva WILD ao fundo do poço. Facilmente a pior música da carreira do KATSEYE, a faixa soa como um sorteio aleatório de palavras jogadas sobre um beat com influência de funk, acompanhado por uma tentativa particularmente frustrante de cantar em português. E não, isso não é camp nem cunt. Camp pressupõe algum grau de consciência, exagero ou charme; Cunt pressupõe uma personalidade única e marcante o suficiente para não parecer uma réplica; “Hootie Frutti” simplesmente parece defeituosa.
As duas inéditas restantes não ajudam muito. “Bel Air”, um descarte genérico de alguma sessão da Charli XCX de 2013 e “That Way” é o tipo de música que você sente que já ouviu umas cinquenta vezes antes mesmo de chegar ao segundo refrão. Não é necessariamente ofensiva; é simplesmente esquecível.
O problema de WILD, portanto, não é apenas ter músicas ruins. É a ausência de uma identidade que conecte tudo. O KATSEYE parece estar tentando ocupar simultaneamente vários espaços do pop sem conseguir reivindicar nenhum deles como seu. O EP não soa ousado, não soa divertido e tampouco soa coeso. Depois de um projeto que tinha potencial para consolidar a identidade do grupo, WILD acaba fazendo o oposto: transforma a crise de identidade do KATSEYE em produto. No fim, um EP tão desorientado que, ironicamente, seu próprio título acaba sendo a coisa mais coerente nele.

GÊNERO: Dance pop, Electropop
GRAVADORA: HYBE / Geffen
DATA DO LANÇAMENTO: 14/08/2026
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