Lenny Tavárez é capa da Rolling Stone, reflete sobre carreira e revela detalhes de novo EP
O cantor porto-riquenho Lenny Tavárez é o destaque da nova edição da Rolling Stone em espanhol. Em entrevista à revista, o artista revisitou diferentes fases de sua trajetória, desde o início da carreira ao lado de Dyland até a consolidação como um dos nomes versáteis da música urbana latina. Ele também falou sobre o casamento com a dançarina Natasha Nazario, a parceria musical com Justin Quiles e os planos para “OCHO”, seu próximo EP.

Lenny Tavárez na capa da nova edição da Rolling Stone. Foto: Koury Angelo/Reprodução.
Em fevereiro deste ano, Lenny e Justin Quiles lançaram “Superarte”, álbum colaborativo que se tornou um dos destaques da música urbana em 2026. A amizade entre os dois começou em 2018, quando Lenny vivia em Medellín, na Colômbia. Naquele período, ambos pertenciam à mesma gravadora e trabalhavam como compositores para nomes como Karol G, Maluma e María Becerra.
A proximidade no estúdio logo se transformou em uma parceria criativa. Lenny destaca a sintonia que mantém com Justin durante o processo de composição. “Começamos a ter experiências diferentes e a passar mais tempo juntos no estúdio. Ele é definitivamente o artista com quem tenho a melhor química na hora de criar música. Somos bem rápidos, não temos egos, sabemos ouvir e confiamos no julgamento musical um do outro. Acho que existem muitas pequenas coisas que, quando nos juntamos, criam algo melhor”, diz ele.
Antes de imaginar uma carreira artística, Lenny já construía uma relação diversa com a música. Entre suas referências estavam o pop de Luis Fonsi, Sin Bandera, Camila e Reik, a salsa de El Gran Combo de Puerto Rico e Héctor Lavoe e o reggaeton de Don Omar e Héctor y Tito.
Essa mistura de influências ajudou a formar sua identidade musical. “Eu gostava muito de ouvir baladas pop de manhã e, à tarde e à noite, colocava reggaeton no volume máximo”, lembra. Na infância, costumava cantar na banheira, mas só perdeu o receio de cantar em público aos 15 anos, quando entrou para uma banda de pop-rock na escola.
Aos 19 anos, Lenny deu um passo mais concreto em direção à música ao integrar Ánima 5, grupo inspirado em formações como Boyz II Men e Barrio Boyzz. A experiência aprimorou sua técnica vocal e despertou o interesse por outros aspectos da criação musical. “Fiquei nesse grupo por um ano e realmente desenvolvi meu ouvido para harmonias. Me tornei um pouco mais musical e comecei a ter aulas de violão”, conta.
Depois de deixar o grupo, Lenny foi convidado pelo amigo de infância Carlos Castillo Cruz, com quem jogava basquete em Santurce, San Juan, para formar a dupla Dyland & Lenny. Com a produção de Luny Tunes desde o início, os artistas rapidamente ganharam projeção.
Em apenas dois anos, Dyland & Lenny lançaram dois álbuns, foram indicados aos principais prêmios da música latina, participaram de cerimônias de premiação e se apresentaram em diferentes países.
A dupla, porém, chegou ao fim quando Lenny percebeu que seguir com o projeto poderia colocar a amizade entre os dois em risco.
Antes de definir os rumos da carreira solo, o cantor passou cerca de um ano refletindo sobre como gostaria de se apresentar ao público. Assim, decidiu unir o apelido “Lenny” ao sobrenome e assumir uma identidade mais próxima de sua personalidade fora da antiga dupla.
“Acho que o Lenny do Dyland & Lenny era muito mais certinho do que eu realmente era. Era um produto feito mais para a indústria, para o que era necessário naquele momento, era mais uma coisa de gravadora”, reflete.
Em seguida, Lenny se mudou para a República Dominicana, onde iniciou uma fase de maior independência artística. Ingressou em uma gravadora pouco conhecida e tornou-se o primeiro artista contratado pela empresa.
Paralelamente, fortaleceu sua presença nas redes sociais, que já conquistavam um espaço cada vez maior na indústria musical.
Longe da antiga formação, ele também reformulou sua maneira de criar. Em vez de partir exclusivamente das tendências ou das expectativas do público, passou a investir no que define como “biografias musicais”, canções nascidas de experiências e reflexões pessoais.
A liberdade conquistada na carreira solo permitiu que Lenny explorasse o trap e contribuísse para a expansão do gênero na música latina. As colaborações também ganharam espaço em sua trajetória, apesar das divergências com a gravadora sobre os rumos que ele deveria seguir.
“Com muito respeito, pedi a eles que, se não estávamos na mesma página, pelo menos não atrapalhassem minhas decisões criativas, como participar de músicas de outros artistas que poderiam expandir meu alcance”, explica ele.
Em 2018, Lenny lançou seu primeiro EP, “Pop Porn”. Predominantemente voltado ao trap, o projeto inicialmente se chamaria “Ultimátum”, mas recebeu o título em referência à maneira como o próprio artista descrevia seu estilo de composição.
Dois anos depois, veio “KRACK”, seu álbum de estreia. O projeto foi apresentado em “temporadas”, uma estratégia pensada para manter a atenção do público em cada lançamento. O álbum consolidou sua disposição para experimentar diferentes sonoridades.
Em 2024, ele diversificou ainda mais sua sonoridade com “BRILLAR”, seu segundo álbum, no qual explorou bachata, pop, EDM e salsa.
“Foi um álbum feito com esse propósito, para que a música fosse ouvida”, afirma. “Eu queria que a música refletisse o fato de que Lenny Tavárez estava passando por um processo em que o amor finalmente havia entrado em sua vida.”
O projeto reuniu colaborações com artistas como Feid, Ryan Castro, Prince Royce, Wisin e Chencho Corleone, mas também reservou espaço para momentos solo. A faixa-título, interpretada pelo cantor, rendeu a ele sua primeira indicação como artista principal ao Grammy Latino de 2025, na categoria Melhor Performance de Reggaeton.
Agora, Lenny se prepara para uma nova fase. Quando concluir a divulgação de “Superarte”, o artista voltará suas atenções para “OCHO”, EP que terá exatamente oito faixas e aprofundará a diversidade sonora explorada em “KRACK” e “BRILLAR”.
Até o momento, dois singles foram lançados: “Juicy” e “Pa’ Lo Bonito”. Enquanto o segundo explora o lado romântico do cantor, “Juicy” aposta no trap sensual com influências de R&B. As duas faixas antecipam a narrativa amorosa que atravessará o projeto, inspirada na relação de Lenny com sua esposa, a dançarina Natasha Nazario.
“É como se fosse a história de amor que nunca contei no ano passado, incorporada ao lado artístico da minha carreira, aproximando um pouco mais a minha família. Sempre tomo muito cuidado para que, se eu a apresentar, seja algo mais artístico”, diz ele.
A presença de Natasha também se estende à parte visual e performática do projeto. Ela estrelou os videoclipes dos singles e se tornou a principal dançarina nos shows de Lenny.
Com a aproximação entre suas carreiras, a dinâmica do casal também mudou. Quando começaram a namorar, os dois decidiram não trabalhar juntos para separar a vida pessoal da profissional. Porém, com o tempo, a proximidade artística fez com que essa regra fosse deixada de lado.
“Além disso, eu também a vi com muita vontade e ansiosa para dançar. Eu sabia que ela também sentia falta disso… O palco vicia, não vou mentir. Sei que estar lá é importante para quem ama e para quem cria arte nele”, reflete ele.
Depois de algumas audições, os dois passaram a trabalhar juntos na coreografia de “JUICY” e levaram aos palcos a performance sensual do videoclipe. O número rapidamente se tornou um dos momentos mais aguardados dos shows de Lenny.
“Tem sido um sonho trabalhar com minha esposa. Tem sido maravilhoso poder apoiar seu crescimento”, enfatiza ele. “O que ela trouxe para o projeto é algo muito único e especial. Posso dizer que, no momento, temos um negócio familiar, mas o mais importante é que estou curtindo, e ela também.”
Manter-se versátil também é fundamental para sua longevidade artística. Dançarino, cantor e compositor, Lenny mantém uma rotina disciplinada e procura integrar os bailarinos às apresentações, em vez de tratá-los apenas como elementos de apoio.
“Acho que quanto mais versátil um artista for, mais oportunidades ele terá de alcançar públicos diferentes e evitar entediar seus próprios fãs. Chegamos a um ponto em que nossos fãs se cansam da mesma coisa muito rapidamente”, diz ele.
Segundo o cantor, “OCHO” levará sua versatilidade ainda mais longe. O EP também representa uma oportunidade de fortalecer sua identidade como artista porto-riquenho e ampliar sua contribuição para a música urbana de seu país.
Embora demonstre paixão pela música e pelo palco, Lenny não descarta a possibilidade de se aposentar daqui a uma década. A ideia pode parecer contraditória, mas o cantor enxerga o futuro por uma perspectiva prática.
“Por que não?”, responde ele, rindo. Ao explicar a possibilidade, apresenta uma conta simples: “Olha, eu presumo que, trabalhando do jeito que quero, em 10 anos devo ter entre 60 e 75 músicas. Isso deve dar pelo menos cinco álbuns.”
A decisão também está relacionada à família. Lenny deseja acompanhar o crescimento dos filhos. Além disso, considera a saúde física e mental e a necessidade de estabelecer novos objetivos ao longo do tempo.
“Em 10 anos, acho que terei conquistado tudo o que talvez eu tenha me proposto a fazer. Depois de 10 anos, estaria me repetindo”, afirma.
Por enquanto, o cantor prefere concentrar-se no presente. Família, amigos e equipe ocupam o centro de sua vida e, para ele, têm um valor que ultrapassa qualquer posição alcançada na indústria. Mais do que números ou prêmios, Lenny valoriza a possibilidade de fazer o que ama ao lado de quem ama e da maneira que deseja. Em meio a novos projetos, desafios e planos para o futuro, ele resume sua fase com uma palavra: harmonia. “Vivo numa harmonia que desejo a todos, e consigo alcançá-la tentando ser melhor a cada dia, pelo menos 1%”.
voltar
Tá na boca do povo:



Não fique por fora
