O fim do streaming? A nova geração impulsiona a venda dos CD’s

segunda-feira, 31 de agosto de 2026
por Naara Cristina

Segundo relatório publicado pela site da Luminate em julho de 2026, os CDs voltaram a ganhar destaque e conquistam uma nova geração. As vendas de CDs pop nos Estados Unidos cresceram 16% no primeiro semestre de 2026, alcançando 16,3 milhões de unidades.

 

Sabrina Carpenter em imagem divulgada nas redes sociais. Foto: Divulgação.

Mesmo excluindo as vendas de K-pop, o formato ainda registraria crescimento de 6,7%. Os números ajudam a revelar um fenômeno que vai além das vendas: O retorno da música física também está transformando a maneira como uma nova geração se relaciona com os álbuns, para além do Spotify, Deezer, YouTube Music e outras plataformas de streaming.

Mas se ouvir música nunca foi tão fácil, por que, justamente agora, os CDs voltaram a ganhar força?

A geração que cresceu com o streaming não abandonou o digital, os dados não apontam para isso. Pelo contrário, o consumo de música por streaming continua crescendo.

No primeiro semestre de 2026, o streaming global aumentou 9,8%, segundo a Luminate. Ao mesmo tempo, uma nova geração está redescobrindo o valor de possuir música em mãos.

Entretanto, para muitos a volta dos CDs representa mais do que o retorno de um formato. É a redescoberta do prazer de colecionar, guardar, trocar CDs com amigos e folhear encartes, parte da relação entre fãs e artistas.

Dessa forma, cria uma conexão com uma época que muitos não viveram, mas que, de alguma forma, aprenderam a reconhecer através da cultura pop.

O movimento também passa pelo desejo de ter o álbum favorito de um artista guardado para sempre. Afinal, é possível ouvi-lo a qualquer momento, sem depender de uma assinatura ou de anúncios, basta colocar o CD para tocar e dar play.

É justamente nesse contraste entre a praticidade do digital e o desejo de possuir o físico que surge uma nova relação com a música

A Cultura POP ajudou a impulsionar as vendas fora do digital

Como parte da experiência entre fã e artista, o álbum físico também passou a ocupar um espaço importante na cultura pop.

Artistas como Taylor Swift, BTS, Sabrina Carpenter e Lady Gaga, são os mais citados nas pesquisas. Taylor Swift é um dos exemplos mais evidentes desse movimento.

Em 2024, dois de seus álbuns apareceram entre os dez CDs mais vendidos nos Estados Unidos: “The Tortured Poets Department” ficou em primeiro lugar, enquanto “1989 (Taylor’s Version)” ocupou a sétima posição.

Já em 2025, “The Life of a Showgirl” reforçou o poder de Taylor Swift no mercado físico. O álbum de vinil mais vendido do Reino Unido naquele ano, com 147 mil cópias, e terminou como o álbum mais vendido do país considerando CDs  e streaming com 642 mil unidades.

O mercado Brasileiro também teve seu destaque

No Brasil, o CD’s também aparece nos números, embora a movimentação mais forte tenha acontecido por meio das vendas de Vinil.

O relatório “Mercado Brasileiro de Música 2024”, publicado pela Pro-Música Brasil, mostra que o mercado físico brasileiro chegou a R$ 21 milhões em 2024. O valor representa um crescimento de 31,5% desde 2017.

Atualmente, o mercado brasileiro de música física não apresenta o mesmo crescimento observado nos Estados Unidos. Ainda assim, artistas internacionais seguem encontrando espaço entre o público brasileiro.

Um levantamento da Pro-Música, realizado no primeiro semestre de 2026, mostrou que Taylor Swift marca também presença forte nas vendas de CDs no Brasil. Os dados mostram que a relação com a mídia física não desapareceu com a chegada do streaming.

Pelo contrário, ela ganhou novos significados entre os jovens. Em uma era em que tudo está a um clique de distância, talvez possuir a música seja justamente uma maneira de fazê-la permanecer.

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