PinkPantheress prova que não combinar é o novo combinar: conheça o estilo Y2K da cantora

quinta-feira, 3 de setembro de 2026
por Bianca Damasceno

Entre tartan, cintos Y2K, bolsas inusitadas e peças vintage, PinkPantheress transforma o caos em uma das estéticas mais interessantes da música pop atual. Após o lançamento de Fancy that, seu segundo álbum, PinkPantheress está vivendo uma fase em que música e moda parecem seguir exatamente a mesma regra: não seguir regra nenhuma.

PinkPantherss em foto promocional para seu segundo álbum. Foto: Reprodução/Instagram.

PinkPantheress em foto promocional para seu segundo álbum. Foto: Reprodução/Instagram.

A cantora e compositora britânica vem chamando atenção não apenas pelo som que mistura alt-pop, drum & bass, garage, rock alternativo e hip-hop, mas também por um estilo que parece ter saído diretamente de um moodboard dos anos 2000, só que depois de passar por um filtro completamente caótico e muito britânico.

E é justamente aí que está o charme.

Afinal, como definir o estilo da PinkPantheress?

Se fosse necessário colocar o guarda-roupa da cantora em uma única caixinha, provavelmente ela mesma já teria jogado a caixa fora.

PinkPantheress mistura estampas que, teoricamente, não deveriam funcionar juntas, acessórios felpudos, saias e calças de cintura baixa, botas de denim, peças vintage e sobreposições inesperadas. Existe uma forte influência Y2K, mas ela aparece acompanhada por referências da moda britânica e por uma boa dose de excentricidade.

PinkPantherss em show. Foto: Reprodução/Instagram.

PinkPantheress em show. Foto: Reprodução/Instagram.

Entre os designers que fazem parte de seu universo estão nomes como Chopova Lowena, Burberry e Vivienne Westwood.

A própria cantora resume sua relação com a moda de uma maneira bastante simples. Em entrevista à W Magazine, PinkPantheress afirmou: “Eu sou obcecada por cores e formas e não me importo se as coisas entram em conflito, ou se são bastante estranhas, chocantes ou feias.”

O caos é proposital

Apesar de parecer que qualquer coisa pode entrar no guarda-roupa de PinkPantheress, existe uma lógica por trás do aparente caos.

Para a cantora, moda funciona como uma colagem. Ela gosta de recuperar referências com as quais cresceu e misturá-las com aquilo que encontra atualmente no Pinterest ou pelas ruas de Londres. O resultado não precisa combinar perfeitamente; na verdade, quanto mais estranho, melhor.

PinkPantherss em foto promocional para a marca UGG. Foto: Reprodução/Instagram.

PinkPantheress em foto promocional para a marca UGG. Foto: Reprodução/Instagram.

Essa filosofia também explica por que o tartan aparece com tanta frequência em seus looks. O tecido, associado tanto aos uniformes escolares quanto à estética punk britânica, permite que PinkPantheress brinque justamente com a mistura entre o arrumado e o rebelde.

“Ele é meio sofisticado, mas também carrega aquela energia punk”, explicou a cantora em entrevista à Zalando, ao falar sobre sua relação com o tartan.

Y2K, mas do jeitinho PinkPantheress

A nostalgia dos anos 2000 está por toda parte no estilo da cantora. Cintura baixa, cintos que parecem existir apenas para completar o look, peças vintage e referências ao pop daquela época aparecem constantemente em suas produções.

Mas PinkPantheress não parece interessada em simplesmente reproduzir o visual Y2K. Ela prefere remixá-lo.

PinkPantheress no desfile da coleção Outono/Inverno 2025 da Coperni. Foto: Reprodução/Instagram.

PinkPantheress no desfile da coleção Outono/Inverno 2025 da Coperni. Foto: Reprodução/Instagram.

Um dos exemplos mais recentes foi sua aparição no desfile da Coperni, durante a Semana de Moda de Paris, usando a tendência do cinto duplo, um daqueles acessórios que dividem opiniões e fazem você pensar: “isso é muito feio ou muito fashion?”.

Para a cantora, talvez ambas as coisas possam ser verdade ao mesmo tempo.

“Cintos são divertidos”, brincou ao falar sobre o look. E essa parece ser uma das melhores definições de sua relação com a moda: experimentar primeiro e decidir depois se fez sentido.

As bolsas também contam histórias

Se você já viu PinkPantheress no palco, provavelmente percebeu que existe uma coisa que quase sempre a acompanha: uma bolsa.

A cantora já explicou que carregar uma bolsa durante suas apresentações faz com que ela se sinta mais confortável, como se estivesse levando um pequeno pedaço de casa para o palco.

PinkPantherss em show. Foto: Reprodução/Instagram.

PinkPantheress em show. Foto: Reprodução/Instagram.

Entre as peças favoritas está um moletom antigo que ela roubou do irmão e continua usando até hoje. Para PinkPantheress, algumas roupas carregam algo que vai muito além da aparência: memória.

E essa relação afetiva também aparece em suas escolhas mais excêntricas. Em seus moodboards, a cantora diz que não poderiam faltar jeggings, saias de cintura baixa, cintos praticamente inúteis e bolsas vintage com formatos absurdos — como um telefone ou até mesmo um peixe.

Sim, um peixe.

De Lily Allen à própria mãe: quem inspira PinkPantheress?

Por trás de um estilo tão particular, existem referências bem específicas.

Entre suas inspirações está Lily Allen no início dos anos 2000, principalmente pela capacidade de misturar peças inesperadas. A cantora também cita a própria mãe, que costumava usar roupas estruturadas e atemporais sem se preocupar em acompanhar tendências.

E existe ainda uma terceira influência muito próxima: sua stylist, que, depois de trabalhar com PinkPantheress por anos, acabou se tornando uma espécie de guia para suas escolhas de moda.

A combinação dessas referências ajuda a explicar por que seu estilo parece tão pessoal. Não existe uma única estética sendo reproduzida, mas várias referências sendo reorganizadas até encontrar um novo significado.

“Não precisa ser perfeito”

Talvez o maior diferencial de PinkPantheress seja justamente a maneira como ela encara a moda.

Em uma indústria em que existe uma pressão constante para estar impecável, a cantora prefere deixar algumas coisas fora do lugar. Uma peça pode estar um pouco amassada, um acessório pode não combinar completamente com o restante do look e uma combinação pode parecer estranha à primeira vista.

E tudo bem.

“Não se trata de fazer tudo combinar perfeitamente”, explicou. Para ela, existe uma liberdade justamente em não tentar deixar tudo perfeito.

Essa ideia também aparece em sua relação com as tendências. PinkPantheress afirma que prefere usar aquilo de que realmente gosta, mesmo quando a peça está fora de moda. Afinal, sentir-se bem com uma roupa costuma funcionar melhor do que escolher alguma coisa apenas porque está em alta.

A moda como extensão da música

Não é coincidência que a estética de PinkPantheress seja tão experimental quanto sua música.

Assim como suas faixas misturam diferentes gêneros e referências — do drum & bass ao garage e ao alt-pop —, seus looks funcionam como uma espécie de colagem visual.

O resultado é uma artista que não precisa escolher entre ser nostálgica ou contemporânea, delicada ou excêntrica, arrumada ou caótica. Ela pode ser tudo ao mesmo tempo.

E talvez seja exatamente isso que faça PinkPantheress ser tão interessante para a moda atual: ela não tenta fazer o estranho parecer normal. Ela faz o estranho parecer cool.

Depois do lançamento de Fancy That, a cantora segue mostrando que sua identidade vai muito além da música. Entre referências Y2K, tartan, peças vintage, bolsas improváveis e combinações que desafiam qualquer manual de estilo, PinkPantheress encontrou uma estética que é só dela — e, aparentemente, quanto menos as coisas combinam, melhor elas funcionam.

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