Crítica: Ellie Goulding expõe suas vulnerabilidades em “I Know Too Much”, mas entrega um álbum morno e cansativo

domingo, 6 de setembro de 2026
por Alice Arruda

Ellie Goulding lançou na última sexta-feira (4) seu sexto álbum de estúdio, “I Know Too Much”. Com 10 faixas e 34 minutos de duração, o projeto parte da reflexão sobre o autoconhecimento para explorar desilusões amorosas, vulnerabilidade e conflitos emocionais. A premissa é íntima e promissora, mas o resultado final raramente consegue canalizar a carga dramática dessas vivências em algo realmente memorável.

Capa oficial do álbum "I Know Too Much". Foto: Divulgação.

Capa oficial do álbum “I Know Too Much”. Foto: Divulgação.

O disco transita entre o pop, a música eletrônica e o folk, mas esbarra na falta de coesão. Embora algumas faixas apresentem ideias interessantes e uma boa produção, o conjunto pouco empolga e torna a escuta cansativa.

É ao abraçar o pop que Goulding brilha. Em “Black Prada Dress”, ela apresenta uma faixa intensa e elegante, enquanto “Jealousy” se sobressai pelo refrão marcante e mostra potencial para ser um dos singles do álbum. Em contrapartida, a radiofônica “Loser” soa mediana, sem o mesmo impacto. O grande ápice vem com “Nobody Dances”, que resgata a atmosfera eletrônica e eufórica de “Delirium” (2015), uma sonoridade que faz falta no restante do repertório.

Por outro lado, “4 Seasons” se destaca positivamente ao capturar a leveza de um romance sem amarras. Já a faixa-título parte de uma premissa sólida, a dificuldade de se entregar ao amor devido ao acúmulo de bagagem emocional, mas não consegue transmitir essa dor musicalmente, figurando entre os piores momentos do disco. Essa aproximação com o folk evidencia uma artista menos preocupada com o topo das paradas e mais disposta a expor suas vulnerabilidades. A virada de chave é válida, porém nem sempre se traduz em boas canções.

Destoando do restante do repertório, o single “Ravers” traz uma sonoridade eletrônica que parece pertencer a outro momento da carreira de Ellie. Mesmo deslocada no contexto geral, a faixa se destaca e fecha o álbum como um dos momentos mais interessantes do projeto.

No fim, “I Know Too Much” passa longe de ser um dos melhores trabalhos de Ellie Goulding. A tentativa de transitar por múltiplos gêneros e expor suas vulnerabilidades é legítima, mas o álbum não consegue transformar essas ideias em um conjunto coeso e impactante. Entre alguns bons momentos e faixas que pouco acrescentam ao repertório, o resultado é um disco morno, irregular e, acima de tudo, cansativo.

NOTA:

 

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