Calvin Harris empilha hits em sua estreia no Rock in Rio, mas entrega show morno

segunda-feira, 7 de setembro de 2026
por Alice Arruda

Calvin Harris subiu ao Palco Mundo na madrugada desta segunda-feira (7) para fazer sua estreia no Rock in Rio, sob uma chuva intensa e diante de um público que esperava uma grande celebração da música eletrônica. Com uma coleção invejável de sucessos, o DJ e produtor escocês tinha todos os ingredientes para transformar a Cidade do Rock em uma enorme pista de dança. Mas, por mais que reunisse faixas capazes de levantar uma multidão, o repertório não bastou para fazer da apresentação um grande espetáculo. Faltou criar uma conexão mais forte com a plateia e aproveitar melhor os recursos disponíveis no palco.

Calvin Harris durante sua apresentação no Palco Mundo do Rock in Rio. Foto: Reprodução/Rock in Rio

Calvin Harris durante sua apresentação no Palco Mundo do Rock in Rio. Foto: Reprodução/Rock in Rio

A abertura com “Sweet Nothing”, parceria com Florence Welch lançada em 2012, já anunciava uma noite repleta de grandes sucessos. Também estiveram no setlist “Blame”, “Summer”, “Outside”, “Desire” e “Under Control”. Na prática, Harris revisitou boa parte de sua discografia, mas a sequência não foi suficiente para empolgar a plateia.

Durante boa parte do set, a reação do público ficou aquém do que se esperava para uma apresentação no Palco Mundo. Houve aplausos e alguns momentos de euforia, mas foram manifestações pontuais. Mesmo para os padrões de um show de música eletrônica, a plateia se mostrou surpreendentemente contida. Conforme a apresentação avançava, parte dos espectadores chegou a deixar a Cidade do Rock antes da última música.

Foi justamente nos maiores clássicos da carreira de Calvin que a plateia respondeu com mais entusiasmo. Entre eles, estiveram “We Found Love” e “This Is What You Came For”, ambas colaborações com Rihanna, além de “Where Have You Been”, da qual Harris foi um dos compositores e produtores. A parceria com Dua Lipa em “One Kiss” também elevou a temperatura. Nesses momentos, o público enfim pareceu corresponder à dimensão dos sucessos que estava ouvindo.

Outro aspecto que prejudicou o espetáculo foi a forma como o enorme telão do Palco Mundo foi utilizado. Enquanto outros artistas encontraram maneiras criativas de explorar o recurso, Harris apostou principalmente em imagens suas e registros da plateia, com a inscrição “Rock in Rio” fixa na parte superior da tela durante toda a apresentação. A simplicidade poderia funcionar se viesse acompanhada de uma presença de palco mais marcante, mas, sem isso, o telão pouco acrescentou e deixou o show visualmente repetitivo.

A interação com a plateia foi mais um ponto negativo do show. Harris falou pouco e, quando tentou animar os presentes, recorreu a frases como “se vocês sabem a letra, me deixe ouvir” e a pedidos para que pulassem. As iniciativas, no entanto, tiveram pouco efeito.

No fim, a estreia de Calvin Harris no Rock in Rio evidenciou que uma coleção de hits não é garantia de um grande espetáculo. O DJ não entregou o show arrebatador que seu repertório parecia prometer e, ao deixar o palco após a última música, sequer se despediu do público. Apesar de reunir canções capazes de levantar uma multidão, a apresentação ficou muito aquém do que esse repertório poderia proporcionar.

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