Crítica: Em “Estrus”, Tove Lo soa mais cansada do que nunca

terça-feira, 22 de setembro de 2026
por Davi Bittencourt

Tove Lo buscou nesse álbum seguir uma linha temática bastante explorada em sua obra artística e que por muito tempo deu excelentes frutos: a sexualidade. Nesse caso, o registro incorpora, como uma metáfora trabalhada durante a obra, o conceito em relação ao comportamento instintivo dos animais referente ao cio, que marca o período fértil dos animais, de onde vem a palavra em inglês que dá nome ao álbum, Estrus.

Capa oficial do álbum "Estrus". Imagem: Divulgação.

Capa oficial do álbum “Estrus”. Imagem: Divulgação.

Para um álbum que põe o tema do instinto sexual como central, musicalmente o disco parece o contrário: tão sem intensidade que parece o mais proximo que Tove Lo já esteve em sua música de representar um período infértil. A primeira metade é composta de músicas tão cansadas que parecem avessas a qualquer tensão sexual, somente na segunda metade que de fato Tove se encontra em um som que demonstra maior intensidade e o mínimo de criatividade.

Tirando “I’m Your Girl Right” e “DNH”, as músicas nesse momento carecem de visões artísticas interessantes. “A Lot Of Feelings, No Solutions” é uma intro de menos de um minuto que não funciona apenas como uma intro, pois soa como uma música pop de duração comum incompleta e, por isso, frustrante. “If I Could I Would” se torna pedante pelo uso do vocal em um tom mais próximo ao falado que, junto a uma instrumentação mínima mas com potencial, acaba fazendo-a soar demasiadamente monótona. “Des Fleurs” só não é completamente mediana por uma textura curiosa no refrão, caracterizada pelo glitch.

A pior música é “I’m The Cake”. Aqui ela tenta demais soar vulgar com letras que buscam o hedonismo, criando um momento que pretende ser fortemente sexual. O erro de Tove Lo, entretanto, é realizar a sexualidade por meio de uma sonoridade e composição boba. É muito difícil conseguir fazer uma música sobre sexo que soe sensual e não vergonhosa com comparações tão ridículas, ainda mais quando a artista repete-a pela música inteira. O tom bobo na voz, as melodias repetitivas e a produção datada que relembra o pior das tendências pop da década de 2010 é um combo que resulta na pior música da carreira de Tove Lo.

Apesar disso, o que não começa bem nesse caso, felizmente consegue melhorar. A segunda parte de Estrus ainda está longe de ser a melhor execução artística da cantora, mas encontra algum vislumbre de perspectiva musical. A ênfase no trabalho com sintetizadores a partir daqui se mostra um ponto forte. “Die for my art with a lonely heart” é um synthpop energético com sintetizadores pulsantes e uma atmosfera fria. “are we on a break” tem uma melodia cativante dos synths que vai se repetindo ao longo de toda a música, mas com texturas que se transformam ao longo dela, alternando entre momentos com maior força nos graves e outros suaves e etéreos.

Acredito que esse álbum é de longe o menos imaginativo de Tove. Por mais que venha com um conceito que proponha uma personalidade cheia de ousadia, na verdade é o disco que mais parece sem ânimo e força da artista. “Estrus”, mesmo trazendo algumas faixas muito legais na segunda metade, não se sustenta ao colocar na balança toda a fadiga que marca grande parte da obra.

 

Gênero: Alt-Pop, Electropop

Gravadora: Pretty Swede Records

Data de lançamento: 18/09/2026

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