Bad Bunny autoriza uso da canção “Lo Que Le Pasó a Hawaii” em campanha de Lula
O presidente Lula (PT) lançou na última quarta-feira (23) uma propaganda eleitoral com uma versão adaptada de “LO QUE LE PASÓ A HAWAii”, de Bad Bunny, faixa do álbum “Debí TiRAR MáS FOToS”, vencedor do Grammy de Álbum do Ano em 2026. Segundo a campanha do petista, a equipe do artista porto-riquenho autorizou o uso da canção.

Bad Bunny e o presidente Lula em imagens publicadas nas redes sociais. Foto: Divulgação (Bad Bunny) e Ricardo Stuckert (Lula)
Na propaganda, apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), candidato da extrema-direita à Presidência da República, aparecem carregando bandeiras dos Estados Unidos. A imagem é usada pela campanha de Lula para associar o adversário à influência norte-americana e criticar uma postura de submissão aos interesses estrangeiros.
Durante uma visita à Casa Branca em maio, Flávio esteve com Donald Trump e afirmou que, em um eventual governo sob sua liderança, a partir de 2027, os Estados Unidos teriam “um presidente aliado” no Brasil. Em junho, o candidato recebeu uma carta do secretário de Estado Marco Rubio, que agradeceu a Flávio pela oferta de colocar uma equipe de transição à disposição do governo dos Estados Unidos caso fosse eleito.
Soberania nacional
A propaganda começa com a narração do ator Wagner Moura sobre a origem do sobrenome Silva:
“Quando os portugueses chegaram, em 1500, encontraram a selva. Selva em latim é Silva”.
Em seguida, o ator relaciona o sobrenome à formação da identidade nacional:
“Quem nascia aqui, para eles, era ‘da selva’. O povo brasileiro sempre foi ‘da Silva’”.
Na sequência, começa a versão adaptada de “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, com referências ao território e aos recursos naturais brasileiros:
“Querem tomar o rio, e também a praia, querem as terras raras, querem que a gente saia. Não largue a bandeira, não esqueça o que vivi, não quero que façam contigo, o que fazem por aí”.
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A mensagem se relaciona ao discurso de Lula sobre soberania nacional. Na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 22 de setembro, o presidente criticou possíveis interferências estrangeiras no processo eleitoral brasileiro. O tema também aparece na edição de 2026 do relatório “Desafios para a Inteligência”, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que inclui a interferência externa entre os desafios relacionados à segurança do processo eleitoral.
A escolha da música
A faixa escolhida pela campanha de Lula aborda questões relacionadas à identidade de Porto Rico, à influência dos Estados Unidos, às transformações no território e à gentrificação, tendo o Havaí como referência. A versão original da música também trata da preservação da identidade e dos efeitos da influência norte-americana.
Na campanha brasileira, a letra foi adaptada para incorporar elementos ligados ao território e aos recursos naturais do país. Dessa forma, a propaganda traz para o contexto eleitoral brasileiro temas presentes na composição original, como identidade, território e influência estrangeira.
A propaganda termina com a frase:
“O Brasil tem um único dono: o povo brasileiro.”
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