Crítica: “She’s The Best” é o álbum mais único de Troye
Troye Sivan encontra um refúgio no alternativo dos anos 90, e utiliza disso para fazer seu álbum mais único em “She’s The Best”.

Capa do álbum “She’s The Best”, de Troye Sivan. Imagem: Reprodução
O artista explora a mistura do psicodélico com a música dance presente no indie noventista, marcado especialmente pelo gênero baggy, incorporando junto baterias que quase todo o tempo tem a inspiração no groove arrastado do trip-hop. As texturas encontram um meio termo entre o áspero e o nebuloso que realiza um som sonhador enquanto a bateria com o ritmo dançante lento vai acompanhando o ouvinte durante quase todo o tempo dessa viagem hipnotizante.
A base do álbum é representada pelo baggy e trip-hop, que são especialmente representadas em “I Do This For You”, uma das faixas mais surpreendentes da carreira de Troye. Nela, temos além das baterias com um groove lento e hipnotizante inspirado no hip-hop do trip-hop, os pianos que misturam sensibilidades jazz com dance, a mistura executada tem um resultado psicodélico. “Lost Time” é também um excelente exemplo da abordagem do trip hop, executando o groove desacelerado do ritmo junto à sensibilidades melódicas do R&B. Ao longo do disco, essas referências são trabalhadas com outros sons retirados do ambiente noventista, criando um disco que passeia com uma fluidez natural entre diferentes gêneros.
As aventuras nostálgicas se encontram com o dream pop em “FF”, onde fica evidente as texturas que misturam o áspero e o nebuloso do shoegaze e o ambiente onírico do dream pop. “Le Boy” trabalha também com a sujeira do shoegaze, em uma instrumentação rica que, em uma mistura ruidosa, une guitarras com metais e sintetizadores.
Ele esbarra também no house dos anos 90, especificamente em “Canada Dry” e “Party”. Ambas utilizam como um elemento bem marcante o sintetizador característico do acid house, mas a primeira incorpora uma atmosfera nebulosa em que o timbre inspirado no Roland TB-303 constrói um aspecto psicodélico hipnotizante, enquanto “Party” é mais centrada na acidez agressiva das texturas desta vertente, e é muito legal a modulação do sample de “Music” nessa produção distorcida. Outro encontro com a música dance é “Troye Meets World”, em que as batidas rápidas do drum n bass dialogam com elementos jazzísticos, é como se fosse uma faixa jazz com um ritmo e padrão de bateria extremamente frenético.
É de longe o disco mais único sonoramente do catálogo de Troye. Ele até parece um disco de Troye, na forma em que ele traz as nuances profundas da relação inter e intrapessoal do cantor como uma pessoa gay. No entanto, é um álbum de Troye em um ambiente alternativo, um em que as produções direcionadas ao estilo de alt-pop, que representou a raíz de sua obra desde da era “Blue Neighbourhood”, em que o sul-africano representava um dos principais nomes do pop alternativo tumblr do período, são dispensadas por um ambiente indie retrô, referenciando o trip-hop, o baggy e o dream pop dos anos 90. Essa direção resulta em seu melhor disco, com um repertório musical mais profundo e que demonstra uma grande inovação para Troye Sivan.

Gênero: Bedroom Pop / Neo-Psicodélico
Gravadora: LLC
Data de Lançamento: 09/10/2026
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