Antônio Fagundes enfrenta ação trabalhista e oferece acordo de R$ 500

sexta-feira, 30 de outubro de 2026
por Alice Arruda

O ator Antônio Fagundes enfrenta uma ação trabalhista movida por uma ex-funcionária da Fazenda Fama, propriedade localizada em Ourinhos, no interior de São Paulo. A trabalhadora cobra R$ 62.781,22 e relata supostas situações de assédio moral, sobrecarga de tarefas e exposição a produtos químicos durante o período em que esteve empregada no local. As informações são da coluna de Daniel Nascimento, do jornal O Dia.

Antônio Fagundes em imagem compartilhada nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram

Antônio Fagundes em imagem compartilhada nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram

De acordo com a petição inicial, Adriana foi contratada em julho de 2020 para exercer a função de auxiliar de limpeza e permaneceu no emprego até janeiro de 2026, quando foi dispensada sem justa causa. Seu último salário contratual era de R$ 2.850.

A ex-funcionária afirma que praticamente sozinha cuidava da higienização de todas as dependências da fazenda, incluindo banheiros utilizados por caminhoneiros, sanitários do escritório, refeitório e áreas externas. Segundo sua versão, a quantidade de tarefas exigia esforço físico constante e tornava a rotina de trabalho desgastante.

Outro ponto da reclamação envolve a exposição a agentes potencialmente nocivos à saúde. Adriana alega que lavava roupas utilizadas por operadores de máquinas agrícolas, que estariam contaminadas por venenos e outros produtos químicos empregados nas atividades rurais. Ela sustenta que mantinha contato habitual com essas substâncias sem receber o adicional de insalubridade.

Por esse motivo, pede o pagamento da parcela em grau máximo, correspondente a 40%, com reflexos nas demais verbas trabalhistas. A trabalhadora também afirma que assinou documentos relacionados ao manuseio de produtos tóxicos, mas não recebeu o adicional. Ainda segundo a petição, após questionar o direito ao benefício, obteve um reajuste salarial de 12%, sem que a situação fosse regularizada.

A ação também apresenta relatos de constrangimentos no ambiente profissional. Entre os episódios descritos, Adriana afirma que foi pressionada a esfregar um banheiro com as próprias mãos, utilizando um produto químico forte que, segundo ela, continha amoníaco. A situação teria ocorrido diante de outras funcionárias e provocado constrangimento quando se recusou a executar a tarefa naquelas condições.

Segundo o relato da trabalhadora, a gerente da propriedade apresentava comportamentos como gritos, repreensões agressivas e intimidações. Para ela, as situações ultrapassavam as cobranças profissionais e teriam contribuído para a formação de um ambiente de trabalho hostil. A ex-funcionária pede o reconhecimento de assédio moral e indenização por danos morais.

Outro aspecto apresentado à Justiça diz respeito à saúde de Adriana. Ela relata ter desenvolvido hérnia de disco, comprometimento da coluna, derrame no joelho e abalo psicológico durante o período em que trabalhou na fazenda. Na ação, relaciona os problemas ao esforço físico exigido pelas atividades e à pressão emocional que afirma ter enfrentado.

Segundo a petição, a profissional precisou de acompanhamento médico, fisioterapia e atendimento psiquiátrico. Ela sustenta que ainda estava em tratamento quando foi dispensada e que cumpriu o aviso prévio apesar das dores e limitações físicas.

A trabalhadora afirma também que realizou exame médico periódico pouco antes do desligamento, mas não passou por exame demissional. Diante disso, pede o reconhecimento de doença ocupacional ou, alternativamente, de uma relação de contribuição das atividades profissionais para o agravamento de seus problemas de saúde.

Defesa de Antônio Fagundes contesta acusações

Na contestação apresentada à Justiça, Antônio Fagundes nega as irregularidades relatadas pela ex-funcionária e pede que a ação seja julgada improcedente. A defesa sustenta que as atividades eram realizadas dentro dos parâmetros legais, com fornecimento e fiscalização do uso de equipamentos de proteção.

Em relação ao pedido de adicional de insalubridade, argumenta que os banheiros tinham acesso restrito e que não havia grande circulação de pessoas na propriedade rural. A defesa também nega que Adriana tenha sido pressionada a esfregar um banheiro com as próprias mãos ou que sua dispensa tenha ocorrido como forma de retaliação.

Sobre os problemas de saúde mencionados no processo, alega que não há comprovação de que as enfermidades tenham sido provocadas pelas atividades profissionais e afirma que a trabalhadora recebeu acompanhamento médico ocupacional.

Audiência termina sem acordo

Na audiência realizada em 24 de agosto de 2026, as partes não chegaram a um entendimento. Conforme registrado em ata, a defesa propôs o pagamento de R$ 500, enquanto a ex-funcionária apresentou uma contraproposta de R$ 50 mil. A tentativa de conciliação terminou sem acordo.

O processo segue em andamento, e a Justiça determinou a realização de perícia técnica para avaliar as condições de trabalho e a possível exposição a agentes insalubres. Também foi determinada uma perícia médica para examinar as alegações relacionadas à saúde da trabalhadora.

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