Lorde retorna com “Virgin”, seu álbum mais cru e questionador
Nesta sexta-feira (27), a cantora e compositora neozelandesa Lorde lançou seu quarto álbum de estúdio, intitulado “Virgin“.

Capa do álbum “Virgin”. Imagem: Divulgação.
O novo trabalho chega quase quatro anos após o antecessor, “Solar Power”, lançado em agosto de 2021.
Com pouco mais de 34 minutos de duração, Virgin é um disco íntimo e provocador. Nele, Lorde explora temas como identidade de gênero, sexualidade, relacionamentos, autoestima, sua relação com a mãe, além de revelar que lida com distúrbios alimentares e dismorfia corporal. Em entrevista à repórter Gabriela Caputo, do Estadão, a cantora declarou: “É um álbum sonoramente forte, e eu não quis ser muito meticulosa. Quando sentia uma virtuosidade se infiltrando, tentava extraí-la, porque este álbum queria vir deste lugar simples, de puro instinto, não muito refinado. Os instrumentos são rudimentares.”
Na mesma entrevista, Lorde revelou que a leitura foi essencial no início do processo criativo, destacando a escritora Clarice Lispector como uma de suas inspirações: “Comecei esse álbum lendo muito. Quis ler autoras mulheres que tivessem aquele tipo de intensidade sem remorso, fisicalidade, estranheza.”
Famosa desde os 16 anos com o hit “Royals”, Lorde teve sua vida pessoal impactada pela fama. Em entrevista a Zane Lowe, ela explicou que o álbum “Solar Power” foi uma tentativa de escapar dos holofotes, mas reconheceu que a “Lorde famosa” agora faz parte de sua identidade, sendo impossível se desvincular dessa faceta.
Desde sua estreia, Lorde se destacou por letras carregadas de ironia, críticas à superficialidade do consumismo e ao capitalismo. Com o aclamado “Melodrama”, consolidou-se como uma das compositoras mais relevantes de sua geração.
No novo disco, a honestidade se impõe. No segundo single, “Man of the Year”, ela reflete sobre identidade de gênero e afirmou, em entrevista a Zane Lowe, que a faixa a ajudou a compreender sua feminilidade: “Principalmente a entender que sua feminilidade inclui a sua masculinidade também.”
“Broken Glass” foi a última faixa finalizada do álbum e, segundo Lorde, a mais desafiadora. A cantora contou que hesitou em expor de forma tão franca sua experiência com dismorfia corporal, transtorno que, segundo ela, se agravou durante a era “Solar Power”, também marcada por distúrbios alimentares.
“David” encerra o álbum. Na conversa com Lowe, ela explicou: “Há muita força nesse álbum, e eu sempre pensei que o final precisaria ser o colapso de tudo aquilo. Eu me sinto completamente vulnerável nessa faixa.”
Com a ascensão do TikTok, obras musicais mais curtas se tornaram tendência. “Virgin” explora temas profundos e contemporâneos com lirismo e sensibilidade, sem desperdiçar um minuto. “É um puta privilégio obter 35 minutos do tempo de alguém num único dia. Eu vou espremer esse limão ao limite. Não há tempo para perder.”, disse a artista.
Lorde está creditada em todas as composições do álbum e também participa da produção, ao lado de Jim-E Stack, Dan Nigro, Dev Hynes, Fabiana Palladino, Andrew Aged e Buddy Ross, uma mudança em relação à sua parceria anterior com Jack Antonoff.
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