The Town: Lauryn Hill promove encontro geracional com filhos no palco “The One”

domingo, 7 de setembro de 2025
por Alice Arruda

No último sábado (06), Lauryn Hill foi a grande atração do palco “The One” no festival The Town, em São Paulo. Com 18 minutos de atraso, a artista surgiu em cena acompanhada de seus filhos, YG Marley e Zion Marley — netos de Bob Marley — e transformou sua apresentação em um encontro geracional que conectou três décadas de música negra revolucionária.

Lauryn Hill durante sua apresentação no palco "The One", no The Town. Imagem: Reprodução.

Lauryn Hill durante sua apresentação no palco “The One”, no The Town. Imagem:  Multishow / Reprodução.

Lauryn Hill é mais que uma artista: é um fenômeno cultural que redefiniu a forma de ouvir rap, R&B e soul. Seu único álbum solo, o aclamado “The Miseducation of Lauryn Hill” (1998), vencedor do Grammy de “Álbum do Ano”, completou 27 anos em 2025 e foi eleito pela Apple Music, em 2024, o melhor álbum de todos os tempos. Ainda hoje, sua obra reverbera como um marco atemporal e inspira novas gerações.

Vestida com um sobretudo dourado e terno animal print, Lauryn abriu o show com uma versão estendida de “Everything Is Everything”, prática comum em sua carreira, que renova e engrandece canções já consagradas. Na sequência, apresentou “When It Hurts So Bad” e “Final Hour”, nesta última exibindo o flow cortante que lhe rendeu aclamação mundial. O público vibrou intensamente em “Lost Ones”, momento em que a rapper entregou uma performance visceral e incendiária.

 

Em “Ex-Factor”, Lauryn exibiu sua potência vocal em uma interpretação arrebatadora, marcada por um encerramento memorável protagonizado pelo guitarrista da banda. O clima se tornou ainda mais íntimo e emocionante em “To Zion”, cantada ao lado de seu filho caçula, enquanto imagens de sua infância eram projetadas no telão — uma das passagens mais sensíveis da noite.

YG Marley e Zion Marley também tiveram seu espaço, mostrando que talento é herança de família. Além de músicas próprias, interpretaram clássicos que homenagearam o avô Bob Marley, como “Three Little Birds”, além de faixas como “Marching to Freedom” e “Praise Jah in the Moonlight”, celebrando a Jamaica e sua ancestralidade.

Outro ponto alto foi a reunião com Wyclef Jean, parceiro histórico dos Fugees. Juntos, cantaram “How Many Mics”, “Killing Me Softly With His Song” e “Fu-Gee-La”, com arranjos que receberam um toque de samba enquanto imagens de artistas e povos negros ao redor do mundo eram exibidas no telão.

Acompanhada de uma banda impecável, Lauryn entregou um espetáculo grandioso, costurando rap, soul, reggae, blues, funk e dancehall em um mosaico sonoro sofisticado.

Diante de uma plateia numerosa e entregue — marcada pela forte presença de um público adulto —, a única ausência sentida foi a de seu maior hit, “Doo Wop (That Thing)”. Ainda assim, Lauryn Hill provou mais uma vez que sua obra transcende números e que sua música, mesmo com apenas um álbum de estúdio, permanece atemporal, poderosa e inesquecível.

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