Lady Gaga detalha a criação de “Abracadabra” e o processo criativo de “Mayhem” no podcast Song Exploder
Nesta quarta-feira (01), Lady Gaga participou do podcast Song Exploder e compartilhou detalhes sobre a criação de “Abracadabra”, segundo single de seu sétimo álbum de estúdio, “Mayhem“, lançado em março deste ano. A artista descreveu o momento em que a faixa nasceu em estúdio ao lado de Andrew Watt e Cirkut, revelando como um simples acaso transformou uma sessão em uma das canções mais marcantes do projeto.

Capa do single “Abracadabra”. Imagem: Divulgação.
Segundo Gaga, a virada criativa aconteceu quando Cirkut apresentou uma batida que imediatamente capturou sua atenção: “Eu, Andrew Watt e Cirkut estávamos, na verdade, trabalhando em outra música que não entrou no álbum. Era algo mais mid-tempo. Mas então, Cirkut disse: ‘Eu tenho algo em que estou trabalhando, e quero mostrar para você’. E eu me levantei imediatamente e disse: ‘O que é isso? Isso é loucura’. E nós simplesmente paramos tudo o que estávamos fazendo. Andrew disse: ‘Essa pode ser uma batida difícil de escrever, porque é muito movimentada’.”
O impacto da primeira audição foi visceral: “Foi uma sensação de o coração disparar o mais rápido possível, uma mistura de adrenalina, empolgação, uma emoção profunda e liberdade. Quase me lembrou de como eu me sentia quando saía sozinha à noite, no começo dos meus 20 anos (…). Então, eu simplesmente comecei a escrever. Ligamos o som e eu fui direto para o microfone.”
A artista recordou o primeiro verso composto: “Like a poem said by a lady in red, you hear the last few words of your life.” Para Gaga, a faixa evoca uma energia de domínio e caos: “Lembro de pensar em estar numa festa e alguém meio que dominando a festa dizendo algo como: ‘Eu vou decidir como será a sua noite. Vou controlar tudo. Eu estarei no comando de se você vai se apaixonar ou se vai ficar tão perdido que nem conseguirá voltar para casa’.”
Entre as inspirações, Lady Gaga destacou o legado da cultura Ballroom e a força da comunidade LGBTQ+: “Em Nova York, o espírito da cultura Ballroom é algo que sempre admirei e foi profundamente significativo para mim durante toda a minha vida como artista. (…) Acho que tem algo nesse feitiço que também fala sobre ser uma pessoa resiliente e ser inspirado por pessoas resilientes (…). Então, quando finalmente chegamos nos versos, na verdade se tornou algo muito espiritual, e se tornou sobre resiliência.”
Gaga também revelou ter buscado referências inusitadas para a performance vocal: “Na verdade, acho que o que eu mais estava canalizando era uma espécie de gravidade do metal, mas de um jeito pop. Então eu estava meio que tentando unir como eu imaginaria que a música soaria se, você sabe, o Iron Maiden estivesse tocando a canção.”
Ao refletir sobre o processo criativo de “Mayhem“, a cantora admitiu ter revisitado as raízes sombrias de seus primeiros discos: “Eu diria que voltar ao meu som inicial (…) foi algo que me deixou animada. (…) Então, quando decidi fazer este álbum, acho que eu só queria retomar algo que me tornava eu mesma.”
Essa reconexão trouxe à tona sua própria dualidade artística: “Todos nós temos uma persona pública e, se você nunca a deixa de lado, ela tem um certo peso (…). Mas às vezes o nosso lado sombrio realmente nos desafia e nos torna grandiosos (…). Eu realmente acho que parte do que ‘Mayhem’ representa é a dualidade de eu ser essas duas pessoas ao mesmo tempo.”
Mesmo ciente dos riscos de lançar uma faixa tão ousada, Gaga afirma que esse é justamente o ponto: “Há tanto em ‘Abracadabra’ que simplesmente não é o que alguém pensaria que estaria no rádio ou em streaming. Quero dizer, não é fácil de ouvir. Tem todas essas referências de nicho, é tão maximalista e fora do comum.”
Para ela, “Abracadabra” não é apenas um single, mas um manifesto de autenticidade: “Eu criei a Lady Gaga, mas então as pessoas refletem de volta para você o que elas pensam. Elas talvez tenham uma fantasia sua, sonhos para você que não são seus. Mas eu recuperei os sonhos que eram meus. E o que percebi é que o maior sonho que eu tinha era ser eu mesma como artista.”
Com “Mayhem” e a intensidade de “Abracadabra”, Lady Gaga reafirma sua capacidade de transformar vulnerabilidade em arte, mostrando que ainda encontra novos caminhos para reinventar sua própria essência sem perder aquilo que a tornou única.
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