Karol G brilha na capa da Vogue México e fala sobre propósito e evolução artística

segunda-feira, 20 de outubro de 2025
por Alice Arruda

A Vogue México revelou nesta segunda-feira (20) a capa de sua edição de novembro, estrelada por Karol G. Fotografada por Norman Jean Roy, a cantora concedeu uma entrevista em que falou sobre seu aclamado álbum “Tropicoqueta” e sobre sua busca por ser uma artista verdadeiramente transcendente.

Karol G é capa da edição de novembro da Vogue México. Imagem: Divulgação.

Karol G é capa da edição de novembro da Vogue México. Imagem: Divulgação.

Lançado em junho, “Tropicoqueta”, quinto álbum de estúdio da colombiana, recebeu ampla aclamação da crítica especializada por se apresentar como uma carta de amor aos gêneros musicais da América Latina. A própria Vogue México destacou o disco logo no início da entrevista: “Tropicoqueta foi um risco reconhecido, mas também uma transição. Tornou-se sua obra — musicalmente falando — mais profunda até hoje.

Após o estrondoso sucesso de “Mañana Será Bonito”, Karol G buscou criar o melhor trabalho de sua carreira. Ela contou como enxerga o novo projeto e qual era sua principal meta:

Na verdade, um dos meus maiores desafios foi conectar gerações. Eu queria que uma mãe, uma avó e uma filha pudessem cantar algo que representasse todas as três. Eu queria que as pessoas sentissem como se estivessem ouvindo algo que já tinham ouvido em algum momento de suas vidas ao ouvir o álbum. Acho que, na minha visão e percepção, o objetivo foi alcançado. Esse sonho se tornou realidade.

A artista reforçou que seu propósito vai além de ditar tendências na indústria musical:

Esta carreira é uma maratona para encontrar seu propósito todos os dias. Estou constantemente tentando entender o porquê e para quê. Mais do que ser uma artista que dita tendências, tenho muito claro que quero ser uma artista transcendente.

Para Karol, mais importante que um sucesso passageiro é o legado que permanecerá:

Tendências criam um impacto momentâneo e viral, mas como você será lembrado amanhã me preocupa mais. E essa foi uma grande motivação para fazer o álbum que fiz. Eu queria fazer música que soasse atemporal e que, quando as pessoas a ouvissem — seja hoje ou daqui a 20 anos — soasse atual.

Sobre seu compromisso artístico, ela acrescentou:

No geral, o que continuo buscando é ser uma artista honesta e autêntica com a minha arte. Não quero fazer isso para impressionar, mas para conectar.

Apesar da projeção global, Karol G revelou que não sente necessidade de lançar um álbum totalmente em inglês:

Não sinto que seja algo que eu precise fazer para alcançar o sucesso que desejo na minha carreira. Recebi muitas propostas de projetos em inglês com as quais não me identifiquei muito.

O disco traz a faixa “Papasito”, uma lambada parcialmente em inglês, e a cantora explicou como surgiu a canção:

A primeira versão de ‘Papasito’, ou seja, a primeira música gravada e escrita, foi em espanhol. Eu pensei que, se eu fosse lançar uma música em inglês, ela teria que soar como Karol G. A música era esta. Uma música em inglês com sotaque. Nós a escrevemos em espanhol, mas eu a traduzi completamente para o inglês, do meu jeito, do jeito que eu falaria em inglês.

Mesmo assim, ela não descarta novas experimentações:

Não estou fechada para possibilidades, mas o que me deixa feliz é que o mundo está me conhecendo através da minha língua nativa, através da música que me representa.

Karol também compartilhou detalhes sobre o processo criativo do álbum:

Fazer este álbum foi uma experiência que eu nunca tinha tido antes. Estou com meu produtor interno (Ovy On The Drums) há mais de 10 anos, mas neste álbum eu o fiz com instrumentos ao vivo; a maioria das músicas foi criada do zero, e estar no estúdio de gravação com tantas mentes brilhantes, tantas pessoas tão sensíveis à música, compartilhando percepções das emoções tocadas nas músicas, ouvindo 60 músicos tocarem… Acho que é por isso que tudo o que sair de mim daqui para frente será ainda mais profundo.

Minha inteligência emocional em relação à música cresceu tremendamente com este álbum depois que tive a oportunidade de compartilhá-lo com tantas pessoas que me ensinaram muito durante o processo.

Após o sucesso de “Mañana Será Bonito”, Karol revelou como lidou com a pressão para superar a própria marca:

Depois de ‘Mañana Será Bonito’, fiquei sob muita pressão sobre como superar um álbum tão pessoal, um disco sobre minha vida e minha carreira, um álbum com tanta magia, que conectou tantas pessoas e que curou tantas. Então, foi aí que eu disse: ‘Preciso fazer o que nasci para fazer’. Se vou começar um projeto baseado no que vou fazer para superar o anterior e como ele deve soar, não sinto que ele vai me representar porque não tem minha alma, meu coração.

Por fim, Karol G refletiu sobre sua experiência como mulher em um ambiente ainda dominado por homens:

Ao longo dos anos, aprendi que as mulheres têm uma energia superpoderosa que foi, de certa forma, reprimida e diminuída. Tive que me desafiar a parar de pensar que eu era uma mulher em um setor masculino. Tive que deixar isso de lado e dar um basta no que as pessoas pensavam e acreditavam em detrimento do que eu achava que conseguiria. Não há nada mais poderoso do que acreditar em algo em si mesma. Minha mensagem para as mulheres é: ‘Faça o que seu coração manda. Trabalhe por isso. Sinta-se a melhor. Levante-se todos os dias e diga: Eu sou a melhor, eu sou a mais forte, eu vou conseguir, eu vou conseguir.‘”

Com “Tropicoqueta”, Karol G reafirma seu papel como uma das vozes mais autênticas e poderosas da música latina contemporânea — uma artista que transcende fronteiras, tendências e idiomas, guiada por propósito, emoção e alma.

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