SZA reflete sobre autenticidade e amadurecimento em nova entrevista à GQ
A revista GQ divulgou nesta quinta-feira (6) a capa de sua nova edição, estrelada por SZA. Fotografada por Tyrell Hampton, a cantora e compositora falou sobre o novo álbum, o fim da turnê “Grand National Tour” — realizada em parceria com Kendrick Lamar — e sobre manter-se à margem da recente rivalidade entre o rapper e Drake.

SZA é capa da GQ. Imagem: Divulgação.
Recentemente, SZA encerrou sua turnê de estádios, uma das maiores de sua carreira. A artista rejeita o rótulo de perfeccionista, mas admite ter expectativas elevadas: “O que eu tinha em mente para mim mesma versus o que realmente foi executado [na turnê] é uma distância enorme. Então, para mim, eu fico tipo… Uh.”
Em meio a uma indústria saturada e marcada por lançamentos efêmeros, SZA mantém um olhar crítico: “Eu só quero fazer coisas incríveis“, afirma. “E sinto que, se eu não fizer algo incrível, não posso mentir e fingir que foi. Mas acho que estamos vivendo uma avalanche de mediocridade que está no nível mais baixo possível.”
Para ela, o problema não está em seus padrões serem altos, mas sim na complacência que domina o cenário atual: “Talvez eu esteja simplesmente morrendo de tédio”, reflete. “Tudo parece banal.” Ainda assim, a artista destaca algumas exceções inspiradoras, como Doechii, Lola Young e Chappell Roan.
Apesar da desmotivação generalizada, SZA enxerga na falta de originalidade uma oportunidade de crescimento: “Isso me faz querer ser uma pessoa melhor em tudo“, diz. “Quero criar a versão mais autêntica de mim mesma que eu conseguir encontrar. Quero explorar tudo e ver que tipo de produto surge dessa exploração.”
A cantora revelou ter adotado um método inusitado em estúdio: ela convida seus colaboradores a escreverem palavras em pequenos papéis, mistura tudo em um chapéu e sorteia os termos que servirão como base para compor uma nova música.
Entre as faixas resultantes estão “Passenger Princess”, “Burgers” e “Yearner”. Segundo SZA, o processo é “Divertido pra caramba” e tem rendido resultados surpreendentes.
Essas canções devem ser lançadas em breve, mas representam apenas uma amostra do próximo álbum da artista, sucessor do aclamado “SOS”. SZA comenta sua evolução criativa: “Eu tinha muita mágoa por muito tempo… Mas agora eu realmente quero saber como é deixar meu ego de lado. Ainda não fiz isso fora do Steve, mas quero chamar uma equipe de compositores.”
Em busca de novas sonoridades, ela explica: “Quando você encontra um som, você se apega a ele por muito tempo… Mas quando você começa a tentar se afastar disso e abrir sua mente e seus ouvidos para outras formas de expressão melódica, você encontra muitos [outros sons].”
Amiga e parceira musical de Kendrick Lamar, SZA elogiou o rapper: “Ele é um profissional incrível… A maneira como ele aborda tudo é tão metódica, mas fluida. É lindo.”
A cantora também comentou a disputa entre Kendrick e Drake, que dominou o rap em 2024. Drake chegou a mencioná-la em uma de suas respostas, sugerindo que a carreira de Kendrick vivia à sua sombra. SZA, porém, preferiu manter-se neutra:
“Era algo entre dois homens adultos, então por que eu me intrometeria em algo entre dois homens adultos, sabe?”
Mesmo assim, ela manteve “Rich Baby Daddy” — parceria com Drake — no repertório de sua turnê ao lado de Kendrick: “Por que eu não faria isso?“, brinca. “‘Poetic Justice’ estava na setlist… então por que eu não manteria ‘Rich Baby Daddy’?”
SZA também comentou o breve desentendimento com Nicki Minaj no X (antigo Twitter): “Eu não a conheço… Não há história pregressa… Nem me cabe corrigir uma narrativa com a qual não tenho nada a ver. Foi um pouco estranho.”
Prestes a completar 36 anos, a artista reflete sobre o amadurecimento e as prioridades da vida adulta:
“Sou adulta de verdade, estou tentando otimizar minha saúde, controlar meus níveis de cortisol, fazer o melhor álbum da minha vida, ver minha avó antes que ela parta… Como podemos construir juntas como mulheres? Coisa de mulher de verdade.”
Ela admite que, no início da carreira, acreditava que o sucesso resolveria tudo: “Definitivamente pensei, quando ganhei um Grammy, ‘Acabou’, mas… não acabou.” Hoje, busca algo mais profundo: “Eu tinha objetivos de respeito próprio… E ultrapassei esses limites sem nem perceber.”
Entre a autocrítica e a introspecção, SZA reafirma seu compromisso com a autenticidade em meio a uma indústria marcada pela superficialidade. Enquanto o mundo tenta acompanhá-la, ela segue criando o seu próprio caminho — com vulnerabilidade, ousadia e propósito.
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