Kesha revisita o passado e traça novos rumos no podcast “Rolling Stone Music Now”
Kesha marcou a cultura pop no fim dos anos 2000 e início dos anos 2010 ao dominar paradas e festas com seu álbum de estreia “Animal” e o EP “Cannibal“. Quinze anos após lançá-los, a cantora prepara para esta sexta-feira (21) uma edição comemorativa que reúne ambos os projetos e inclui faixas inéditas. Ao podcast “Rolling Stone Music Now“, ela revisitou o início da trajetória, refletiu sobre sua própria evolução e antecipou os rumos de sua nova fase artística.

Kesha em foto publicada em sua conta oficial no Instagram. Imagem: Reprodução.
A artista, que viveu altos e baixos na indústria, admitiu que por muito tempo evitou revisitar seus primeiros trabalhos. Hoje, porém, enxerga esse período com afeto e reconhecimento: “Eu voltei e percebi que aquilo era simplesmente eu“, afirmou.
Kesha contou ainda que aprendeu a olhar para si com mais generosidade: “Eu amo o fato de eu ser tão brincalhona e de simplesmente não ligar para nada. E amo o fato de eu ser tão ingênua a ponto de me divertir na frente de todo mundo. Que mulher incrível e destemida! Eu a admiro muito. Ela não tinha ideia de como seria doloroso ser tão imperfeita na frente do mundo inteiro, mas que mulher foda“.
O fenômeno global “TiK ToK” segue sendo um marco. A faixa liderou a Billboard Hot 100 e chegou a impedir que a icônica “Bad Romance“, de Lady Gaga, alcançasse o topo. Hoje, Kesha vê a música com gratidão: “Eu ficava pensando: ‘É muito idiota’. Mas aí eu ouvia de novo e pensava: ‘Não, é muito divertido’… Sou muito grata por essa musiquinha boba, porque sou tipo a doula da dopamina para os bêbados na pista de dança.”
A canção cita o rapper e empresário Diddy, condenado a mais de quatro anos de prisão por transporte para tráfico sexual. O verso “Me sentindo como P. Diddy” passou a ser interpretado por Kesha como “Acordar de manhã tipo, foda-se o P. Diddy” durante a turnê “T!ts Out“, já que ela não tem permissão contratual para lançar uma nova versão: “Ainda não posso lançá-la“, explicou.
“Mas nos meus shows, só para que todos saibam, a letra foi oficialmente alterada para ‘acordar de manhã tipo, foda-se o P. Diddy‘. E isso representa tudo o que eu não posso dizer.”
Kesha também revelou que, no início da carreira, seu contrato com a antiga gravadora restringia totalmente sua autonomia: “Para ser honesta, eu não tinha nenhum controle sobre o que poderia ser lançado. Eu ia para o estúdio todo santo dia e compunha, tentando fazer a melhor música que alguém já tinha ouvido. E além disso, por causa de um contrato que assinei, eu não tinha nenhum direito sobre a minha voz gravada no universo. Para sempre. Então eu meio que estava fazendo a única coisa que eu podia controlar, que era tentar fazer as melhores músicas que eu conseguisse.”
As críticas às letras propositalmente bobas e ao uso acentuado de autotune também pesaram emocionalmente: “Eu me orgulho de ser inteligente e de saber cantar. E o mundo inteiro pensar que eu não sabia cantar e que era burra… Isso foi difícil para mim. Talvez eu não devesse ter me importado tanto, mas é o mundo inteiro… E é a minha vida inteira. Então, isso foi difícil para mim e eu só tive que deixar o tempo passar e deixar minha integridade, minhas escolhas e minha criatividade falarem por si mesmas. Mas levou um tempo para eu finalmente sentir que as pessoas estão começando a me enxergar por completo.”
Ao refletir sobre os próximos passos após lançar neste ano o álbum “.” (PERIOD), Kesha destacou que busca ampliar seus limites criativos e explorar novas possibilidades sonoras: “Eu realmente quero me libertar completamente em termos do que é possível sonoramente. Eu só quero ver o que é possível. Talvez eu continue fazendo músicas pop porque eu amo músicas pop, mas eu só quero me sentir muito livre.”
A nova fase de Kesha surge como uma reconciliação poderosa com sua história, marcada por resiliência, autoconsciência e reinvenção. Quinze anos após desafiar padrões e redefinir a estética pop de uma geração, ela retorna ao passado apenas para reafirmar o futuro: o de uma artista decidida a criar sem amarras e a ocupar o espaço que sempre foi seu por direito.
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Tá na boca do povo:



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