Maria Becerra lança “Quimera”, um mergulho em identidades, rupturas e reinvenção
Entre alter egos e novas camadas criativas, Maria Becerra apresentou na última quinta-feira (20) seu terceiro álbum de estúdio, “Quimera“. O lançamento marca um ponto de virada na trajetória da cantora argentina, que chega três anos após “La Nena de Argentina” — e depois de tomar uma decisão rara na indústria: abandonar um disco inteiro já finalizado.

Maria Becerra em foto promocional para o álbum “Quimera”. Imagem: Divulgação.
Segundo María, a obra descartada possuía conceito, planejamento e direção definidos, mas já não refletia sua vida pessoal. A música, que sempre funcionara como amparo, começava a soar distante do que ela vivenciava. Foi dessa inquietação que surgiu a pergunta que guiou a nova fase: como criar sem partir exclusivamente da dor?
Essa reflexão se tornou o gatilho para o processo criativo de “Quimera“, um álbum que abraça o contraditório e o inatingível. Em espanhol, “quimera” pode significar tanto uma criatura mitológica impossível quanto um sonho que parece inalcançável. É nesse segundo sentido que a artista constrói seu universo: como uma metáfora de desejos que escapam pelas bordas, mas continuam impulsionando a jornada.
No disco, Becerra desdobra sua identidade em quatro alter egos — Shanina, Jojo, Maite e Gladys — cada um com estética e sonoridades próprias. A partir deles, a cantora explora diferentes nuances de si mesma. Maite representa a vulnerabilidade e as cicatrizes que moldam a experiência humana; Jojo encarna a liberdade absoluta, filtrada pela sensualidade; Shanina traduz paixão, ambiguidade e intensidade; enquanto Gladys se ancora nas raízes, no orgulho das origens e na vida cotidiana.
Esses personagens estruturam os quatro primeiros blocos do álbum, cada um composto por três faixas que atravessam pop, urbano, R&B, salsa, dembow e incursões experimentais. Já o quinto e último bloco é dedicado à María sem camadas, sem filtros e sem persona. Em quatro faixas liberadas — uma permanece bloqueada — ela canta sobre amor, queda, cura e aceitação, dando forma ao trecho mais íntimo e emocional do projeto.
“Quimera” também reúne colaborações de peso, incluindo XROSS, El Alfa, Paulo Londra, TINI, Karina La Princesita, TAICHU, Jay Wheeler e J Rei, reforçando a dimensão expansiva do álbum. Ao todo, são 17 músicas distribuídas em 44 minutos.
O impacto foi imediato: “Quimera” somou 3,4 milhões de streams em seu primeiro dia no Spotify, consolidando a maior estreia do ano para um álbum de uma artista argentina na plataforma.
Com coragem criativa e um olhar voltado para dentro, Maria Becerra transforma inquietações pessoais em uma obra que expande sua própria narrativa — e reafirma sua força como uma das vozes mais inventivas da música latina atual.
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