Olivia Dean estampa capa da Elle US e reflete sobre amor, propósito e identidade artística

sexta-feira, 3 de abril de 2026
por Alice Arruda

A ascensão de Olivia Dean ganha um novo capítulo de prestígio. Recém-consagrada como Artista Revelação no Grammy Awards 2026, a cantora britânica estampa a capa da edição de abril da Elle US e concede uma entrevista íntima, na qual discute amor, legado familiar e o propósito que orienta sua trajetória na música.

Olivia Dean na capa da Elle US. Foto: Felix Cooper/Reprodução.

Olivia Dean na capa da Elle US. Foto: Felix Cooper/Reprodução.

Impulsionada pelo sucesso de seu segundo álbum de estúdio, “The Art Of Loving“, lançado em setembro de 2025, Dean consolidou seu nome no cenário internacional. Durante seu discurso de agradecimento no Grammy, a artista prestou uma homenagem comovente à avó materna, imigrante que deixou a Guiana rumo ao Reino Unido em busca de melhores condições de vida. Para ela, o tributo surgiu de forma espontânea:

Conversei com minha mãe e minha tia em casa, e elas disseram: ‘Você é uma representante desta família e da coragem da sua avó’. Naquele momento, senti que era completamente sincero homenageá-la. Vivo a vida que vivo graças a ela.

A formação pessoal e artística de Dean está profundamente enraizada nas mulheres de sua família, a quem descreve como destemidas e diretas. Sua mãe, Christine, construiu carreira no direito da família e da criança antes de se tornar a primeira mulher negra a ocupar o cargo de vice-líder do Partido da Igualdade das Mulheres no Reino Unido, organização dedicada à promoção da equidade de gênero. Foi nesse ambiente que a cantora assimilou valores como disciplina, resiliência e a importância de fortalecer outras mulheres.

Minha mãe me dizia: ‘Você precisa ser cinco vezes melhor’. Isso sempre esteve em mim. Não sou preguiçosa quando se trata do que faço. Tudo é muito intencional. Eu trabalho duro. E sou feminista da cabeça aos pés.

Ao abordar o amor, tema central de sua obra, Dean revela que suas primeiras referências vieram de seus pais. “Eles me ensinaram que o amor é uma escolha e que exige esforço“, diz Dean. “Não é só borboletas no estômago e contos de fadas. É constância. É escolher amar essa pessoa todos os dias, em vez de escolher a frustração ou fugir. Eles me ensinaram a importância da união.

Mesmo diante da projeção global, a artista afirma manter os pés no chão graças às amizades construídas fora do universo da fama. “Minha vida pode parecer bastante extrema às vezes, porque vivo momentos de muito glamour e, ao mesmo tempo, de situações absurdas. Consigo entender como as pessoas podem se perder e ficar confusas nesse meio. É preciso ter muita força mental. Tenho muita sorte de ter espaços fora disso onde nada disso importa. Meus amigos se importam, mas não mais do que eu me importo com o que eles estão fazendo. Minha vida não é mais importante do que a de ninguém. É só minha.

Essa consciência também se reflete em sua identidade artística. Com clareza sobre seus objetivos, Dean afirma que seu trabalho vai além do entretenimento. “Meu propósito na música é ajudar as pessoas, inclusive eu mesma, a encontrar compaixão e uma conexão mais profunda umas com as outras. Acredito que as pessoas anseiam por algo mais honesto e significativo, algo que alimente a alma. Estou tentando proporcionar um espaço onde esse tipo de conexão, conversa e alegria possam acontecer.

Apesar do reconhecimento crescente, a cantora adota estratégias para preservar sua saúde mental. Após a repercussão do Grammy, decidiu se afastar das redes sociais. “Já vinha pensando em fazer isso há um tempo“, diz ela. “Mesmo que o carinho tenha sido avassalador, às vezes nem isso é saudável. Acho que não devemos saber a opinião de todos sobre nós. E decidi que quero viver na doce ignorância.

Em meio à consolidação de sua carreira, Olivia Dean ainda redefine o que considera sucesso. Distante de métricas convencionais, ela valoriza o impacto direto de sua arte no público. “Sucesso para mim é ter lugares para tocar e quantas pessoas você consegue reunir em um só lugar“, diz ela. “É quantas pessoas você consegue impactar.

Ao equilibrar sensibilidade, consciência e ambição, a artista constrói uma trajetória que transcende números e premiações, reafirmando seu compromisso com uma música mais humana, honesta e transformadora.

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