5 anos de SOUR: Olivia Rodrigo transforma seu diário em um fenômeno musical

quinta-feira, 21 de maio de 2026
por Arthur Rodrigues

Hora de revisitar 2021! Vem a lembrança do cheiro do álcool em gel, de assistir os embates entre Karol Conká e Juliette, e também de acompanhar o nascimento de uma nova superstar: Olivia Rodrigo. Hoje, SOUR, primeiro álbum de estúdio de Olivia, completa 5 anos de lançamento e é interessante o conflito de pensamentos de que o tempo passou rápido e a sensação é de que o lançamento foi há mil anos. Iremos revisitar a história do álbum para entender o seu impacto na cultura pop recente.

Olivia Rodrigo em foto promocional para o álbum "SOUR". Imagem: Divulgação.

Olivia Rodrigo em foto promocional para o álbum “SOUR”. Imagem: Divulgação.

OLIVIA ANTES DE SOUR

A cantora nasceu em uma terra que outrora vivia em seus dias de glória e que se encaminhava para a decadência, ou seja, o Disney Channel. Em 2016, BIZAARDVARK estreou com Madison Hu e Rodrigo como protagonistas. A sitcom durou até 2019, quando Olivia embarcou em seu próximo projeto na emissora em HIGH SCHOOL MUSICAL: THE MUSICAL: THE SERIES, e é a partir daqui que o álbum começa a ganhar suas inspirações. Foi ali que seu talento como compositora floresceu de verdade. Para a trilha sonora, Olivia escreveu sozinha o hit “All I Want“. A música viralizou e provou que ela tinha uma caneta poderosa muito antes de pensar em um álbum completo.

Nini Salazar-Roberts, papel de Olivia, fazia um par romântico com Ricky Bowen, interpretado por Joshua Bassett. Apesar de ambos nunca confirmarem, fãs online especularam um possível romance entre os dois com base em: a química deles que saía das telas e era visível em entrevistas, interações online, filmagens amadoras dos atores na locação da série onde eles estavam muito próximos e em músicas de amor que Rodrigo e Bassett lançavam em suas redes sociais.

PRIMEIROS PASSOS DA CRIAÇÃO

Em 2020, Olivia Rodrigo já pensava nos próximos passos da carreira. Em entrevistas da época, a cantora contou que queria lançar um EP no ano seguinte. A ideia, no entanto, cresceu rápido demais para caber em poucas faixas. Enquanto escrevia músicas sobre términos, ciúmes e inseguranças, Rodrigo também começava a estruturar sua entrada oficial na indústria musical. Foi nesse período que Olivia assinou contrato com a Geffen Records, gravadora responsável por artistas como Lady Gaga e SZA. Rodrigo queria controle sobre a própria carreira. Durante as negociações, garantiu a posse dos masters de suas gravações, algo raro para artistas tão jovens e ainda mais incomum para alguém prestes a estrear.

Ao mesmo tempo, um encontro começava a moldar o futuro de SOUR. Um amigo em comum apresentou as músicas que Olivia gravava ao produtor Dan Nigro. O produtor ficou impressionado logo de cara. Segundo ele, as composições da cantora pareciam honestas demais para alguém tão novo. Pouco depois, chamou Rodrigo por mensagem no Instagram e se ofereceu para trabalhar com ela.

Os dois chegaram a se encontrar pessoalmente pouco antes da pandemia de COVID-19 parar os Estados Unidos. Quando o isolamento começou, a parceria precisou se adaptar. Ainda assim, Olivia e Nigro encontraram formas de continuar compondo e produzindo com segurança. Dessa troca nasceram as primeiras bases do que viria a ser SOUR. O projeto que começou como um possível EP lentamente virou um álbum inteiro.

A DOR DO TÉRMINO QUE PAROU O MUNDO: DRIVERS LICENSE

Na primeira semana de 2021, o mundo inteiro caiu nas graças de sua música, Olivia Rodrigo lançou “drivers license“. A faixa narrava a dor de tirar a carteira de motorista e não ter mais o ex no banco do passageiro. O público comprou o sentimento imediatamente. A faixa viralizou no TikTok e dominou as paradas globais em poucos dias.

O sucesso quebrou recordes históricos no Spotify. A canção atingiu a marca de música não natalina mais ouvida em um único dia na plataforma na época. O drama adolescente virou um fenômeno coletivo. Todos queriam descobrir a identidade da “garota loira” mencionada na letra. Os detetives da internet logo apontaram para Sabrina Carpenter. Esse marketing espontâneo funcionou perfeitamente. Olivia deixou de ser uma atriz de nicho da Disney para virar a maior promessa da música pop mundial.

Capa de "Drivers License" de Olivia Rodrigo. Imagem: Reprodução

Capa de “Drivers License” de Olivia Rodrigo. Imagem: Reprodução

O SUCESSO CONTINUA E OS CRÉDITOS TAMBÉM

O desafio seguinte era provar que “drivers license” não foi apenas um golpe de sorte. Em abril do mesmo ano, a cantora lançou “deja vu“. A música misturava sintetizadores com uma atmosfera indie pop. O single consolidou o nome da artista nas paradas de sucesso. No entanto, o lançamento também trouxe a primeira grande polêmica da carreira de Rodrigo.

Fãs e críticos notaram semelhanças entre a ponte de “deja vu” e os gritos de “Cruel Summer“, música de Taylor Swift. Olivia nunca escondeu a sua idolatria por Swift. A admiração, contudo, custou caro. A equipe de Rodrigo adicionou Taylor Swift, Jack Antonoff e St. Vincent aos créditos de composição da faixa.

Pouco depois, o mesmo aconteceu com o terceiro single, “good 4 u“. A cantora deu créditos retroativos aos membros do Paramore pela semelhança com o clássico “Misery Business“. A situação gerou um debate intenso na indústria musical sobre os limites entre a inspiração legítima e o plágio. Olivia perdeu milhões de dólares em royalties, mas ganhou experiência de mercado.

O LANÇAMENTO DE SOUR E O IMPACTO MONSTRUOSO

No dia 21 de maio de 2021, SOUR finalmente chegou ao público. O álbum equilibrava perfeitamente o pop punk agressivo com baladas confessionais ao piano. Faixas como “brutal” mostravam a frustração da adolescência. Por outro lado, músicas como “traitor” e “happier” davam continuidade ao luto pelo fim do relacionamento.

Os números de streaming foram astronômicos. SOUR quebrou o recorde de álbum de estreia feminino mais transmitido na primeira semana na história do Spotify na época. A crítica especializada aclamou a maturidade das composições. Adolescentes se identificavam com as letras sobre insegurança. Adultos relembravam as dores do primeiro amor. O impacto cultural foi imediato. O estilo visual do álbum, com adesivos coloridos no rosto e estética dos anos 2000, virou tendência de moda instantânea.

A RECOMPENSA E O LEGADO DE CINCO ANOS

O reconhecimento da indústria veio rápido na temporada de premiações. No Grammy de 2022, Olivia Rodrigo levou três gramofones dourados para casa: Artista Revelação, Melhor Álbum Pop Vocal e Melhor Performance Pop Solo por “drivers license”. O impacto da jovem furou a bolha da música. A artista chegou a visitar a Casa Branca para gravar vídeos de incentivo à vacinação de jovens contra a Covid-19.

Cinco anos depois, SOUR mantém o seu status de clássico moderno. O disco provou que o pop confessional ainda move multidões na era dos algoritmos. Olivia Rodrigo usou o seu diário de adolescente para construir um império musical e redefinir o som de uma geração inteira.

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