Liniker é capa da Vogue Brasil e reflete sobre sua trajetória artística
Liniker é a capa da edição de junho/julho da Vogue Brasil. É sua primeira capa solo na publicação e, na entrevista, a cantora relembra sua trajetória artística.

Liniker na capa da edição de junho/julho da Vogue Brasil. Foto: MAR + VIN/Reprodução.
A carreira começou em 2015 como vocalista da banda Liniker e os Caramelows, em Araraquara, interior de São Paulo. Antes disso, já escrevia músicas desde a adolescência e estudava teatro, mas foi com a banda que ganhou projeção nacional.
A virada veio logo no primeiro trabalho, o EP “Cru”, lançado em outubro de 2015. O vídeo do single “Zero” viralizou rapidamente, alcançando milhões de visualizações em poucos dias e apresentando ao grande público uma voz marcante e uma sonoridade que funde soul, R&B, MPB e música negra brasileira.
Embora já fosse conhecida no meio musical, muitos consideram que seu status de grande estrela se consolidou com a carreira solo, iniciada em 2021 com o álbum “Índigo Borboleta Anil”, aclamado pela crítica. Em 2024, lançou “Caju“, álbum que lhe rendeu enorme sucesso crítico e comercial.
Ainda na época dos Caramelows, Liniker recebeu propostas de diversas gravadoras, mas optou por permanecer independente para preservar sua liberdade criativa:
“Várias gravadoras me procurando. E eu ainda com os Caramelows, muito numa tentativa de ser dona do meu negócio, do meu autoral, da minha música. Até hoje sou independente. A questão não era nem só o dinheiro, era: ‘Se eu der meu autoral, vou ficar sem domínio de algo que é tão pessoal?’.”
A cantora também relembrou como foi deixar Araraquara, sua cidade natal, em busca de seu sonho artístico:
“Quando terminei o ensino médio, a opção era ou prestar a Unesp em Araraquara ou estudar jornalismo em São Paulo. Mas eu sabia que, no fundo, queria ser artista. E quando a gente tem 18 anos e mora numa cidade pequena, na casa da mãe, com medo de ser tolhida pela sociedade que sempre te conheceu desde criança, a Escola Livre de Teatro de Santo André foi a minha fuga. Fiz 18 anos e pensei: ‘Vou sair de Araraquara agora’. Eu era estoquista da Havaianas em Araraquara. Minha mãe falou: ‘Como é que você vai se manter lá?’. E eu disse: ‘Mãe, vou dar um jeito’. Fui morar numa casa com oito pessoas, dormia num colchonete fino no chão da sala.”
Sobre a relação com o palco, Liniker falou sobre a experiência de transformação e cura que o espaço representa:
“Sinto que o palco é o momento em que tenho a possibilidade de virar bicho. Um bicho que sabe de si, que, dentro da savana em que existe, sabe que é protagonista. Para mim, é o momento de cura, de expansão, e vou falar isso sem que você me entenda pejorativamente: é o meu momento de não ser coitada. Tipo: ‘Eu sou foda aqui’. Esse bicho que me acomete toda vez que estou em cena é reflexo de muitos silêncios, muitas frustrações e muitos medos, mas também de muita segurança.”
Liniker possui o EP “Cru” e mais quatro álbuns. Ao refletir sobre os principais marcos dessa trajetória, a cantora destacou:
“Cru é o meu despertar. Foi uma explosão. Comecei a fazer show sem ter disco. Meu primeiro grande show foi no Circo Voador em 2016, abrindo para a Tulipa [Ruiz]. E teve uma parceria muito importante para mim, que foi o Fejuca. Ele foi a primeira pessoa que me disse que eu era produtora. Tudo que a gente estava tocando, os arranjos, vinha muito de mim também.”
Com “Índigo Borboleta Anil”, Liniker se tornou a primeira artista transgênero a conquistar um Grammy Latino. Sobre o peso de ser pioneira em tantos aspectos, ela refletiu:
“Acho que isso cria um endeusamento desnecessário porque me desumaniza. Cria uma distância drástica. E eu sou uma pessoa muito humana, vivendo o cotidiano, por isso, sou cronista e compositora. Tenho sofrido muito hate nos últimos anos. As pessoas não conseguem me humanizar, entender que sou tímida, que tenho meus dias ruins, momentos que não quero compartilhar.”
Sobre o que é o Brasil para ela, referência constante em sua música, Liniker foi direta:
“O Brasil, para mim, é essa grande incógnita e essa grande maravilha. Um país contraditório, mas que eu não largaria por nada. Não quero perder o Brasil na minha música.”
No mês do orgulho LGBTQIAPN+, a artista definiu o que o orgulho representa:
“Acho que o orgulho, para além da ideia de liberdade, é o respiro que esses anos todos têm dado para a gente. O orgulho é essa fidelidade a si que se torna coletiva porque a gente acredita na gente.”
Por fim, quando questionada sobre quem é hoje, Liniker respondeu com a simplicidade de quem já sabe o que vale:
“Sem medo de ser grande.”
voltar
Tá na boca do povo:



Não fique por fora
