Madonna estampa a capa da Interview e fala sobre novo álbum e o cancelamento de sua cinebiografia
Madonna é a estrela da capa da edição de verão da revista Interview. A aparição marca a 11ª vez que a Rainha do Pop estampa a capa da publicação. Durante a entrevista, a cantora relembrou momentos importantes de sua trajetória, comentou projetos interrompidos, refletiu sobre perdas pessoais e compartilhou detalhes de seu próximo álbum, “Confessions II“, que chega às plataformas digitais em 3 de julho.

Madonna na capa da edição de verão da revista Interview. Foto: Nadia Lee Cohen/Interview.
Entre os assuntos abordados, Madonna comentou o cancelamento de sua aguardada cinebiografia. A artista explicou que passou cerca de dois anos desenvolvendo o projeto ao lado da Universal Studios, participando ativamente da elaboração do roteiro, da definição do orçamento e da seleção do elenco. No entanto, divergências financeiras acabaram inviabilizando a produção.
Ao recordar o impasse, ela afirmou:
“Tivemos um desentendimento, eu e a Universal, em relação ao orçamento, porque eu precisava. Eu tive uma vida extraordinária. Tive uma vida incrível, então precisava de um orçamento grande.”
A cantora revelou que chegou a encontrar uma alternativa para produzir o longa na Sérvia com custos reduzidos, mas a proposta não agradou aos produtores. Posteriormente, recebeu uma proposta da Netflix para transformar sua história em uma série biográfica. O projeto, porém, esbarrou em questões contratuais, já que ela não poderia utilizar o roteiro desenvolvido para a Universal sem recomprá-lo por um valor elevado.
Madonna contou que dedicou cerca de nove meses à busca por roteiristas e um showrunner capazes de conduzir a série, mas a iniciativa também não avançou.
Ao refletir sobre o período, declarou:
“Eu pensava: ‘Ainda bem que tenho outro emprego, porque preciso trabalhar, preciso criar. Preciso fazer aquilo para o qual nasci.'”
Depois das tentativas frustradas de levar sua história para as telas, Madonna voltou ao estúdio e concentrou seus esforços na música. Foi então que procurou Stuart Price, produtor de “Confessions on a Dance Floor” (2005), para iniciar a produção da continuação do álbum. Segundo ela, os dois não se encontravam nem conversavam havia 15 anos.
A artista explicou que o reencontro aconteceu em um momento delicado de sua vida pessoal:
“Então fui para Londres, visitei o estúdio dele e ficamos experimentando para ver se rolava alguma química entre nós. Eu estava passando por muita coisa na minha vida pessoal. Meu irmão estava muito, muito, muito doente, e minha madrasta, com quem eu tive um relacionamento muito traumático durante toda a minha infância, tinha acabado de falecer.”
Madonna afirmou que as experiências vividas nesse período acabaram influenciando diretamente a composição das novas músicas.
“É difícil para mim escrever uma música sobre nada. Eu preciso contar uma história. Então escrevi sobre muitos traumas familiares e depois começamos a fazer música dançante.”
Segundo a cantora, as faixas de “Confessions II” terão um forte caráter autobiográfico e abordarão temas relacionados à perda, à transformação e à superação.
Ao comentar o conceito do disco, explicou:
“Bem, todas essas coisas simbólicas aconteceram. Minha madrasta morreu, meu irmão ficou doente, meu irmão morreu, minha filha veio falar comigo… sabe o que quero dizer? E aí eu pensei, bem, é como o roteiro do meu filme. Começa com a morte e termina com a morte, mas há toda essa vida no meio. Temas paradoxais, obviamente, mas a morte faz parte da vida. Eu simplesmente senti que tinha muita coisa para desabafar.”
Entre as novidades do álbum está a faixa “Danceteria”, uma homenagem à lendária boate nova-iorquina onde Madonna deu os primeiros passos rumo ao estrelato. Durante a conversa, a artista relembrou sua aproximação com o DJ Mark Kamins e contou como conseguiu convencê-lo a ouvir a demo de “Everybody”, que posteriormente se tornaria seu primeiro single.
Ela relembrou o episódio dizendo:
“Comecei a juntar as peças e pensei: ‘Ok, ele gosta disso, ele gosta daquilo’. Então, um dia, eu e a Debi tivemos a ideia de… isso vai soar terrivelmente manipulador. Então, enfim, eu levei um pouco de cocaína para ele no banheiro, levei ele para uma das cabines, eu e a Debi. Então, enfim, a gente se pegou, rolou um pouco de cocaína, e aí ele concordou em ouvir minha demo.”
Madonna também revelou que o processo criativo do novo álbum começou com audições do próprio “Confessions on a Dance Floor”, referência que serviu como ponto de partida para o trabalho ao lado de Stuart Price.
Sobre a parceria, afirmou:
“Então pensamos: ‘Tem que ser tão bom quanto, ou melhor, do que este’. Já fiz outros discos, como Ray of Light com William Orbit, e tem todo o material que faço com Mirwais. Adoro todos eles, mas o meu som com Stuart… nem preciso pensar. A gente simplesmente se conecta. Acho que foi isso que aconteceu. É isso que produzir significa para mim. Você junta todos os seus gostos, seu conhecimento, sua visão e reúne um grupo de pessoas que estão alinhadas com você.”
A entrevista também abordou a relação da cantora com a tecnologia e as redes sociais. Madonna classificou o Instagram como uma ferramenta ao mesmo tempo fascinante e prejudicial, destacando a importância de preservar o foco e o tempo.
Ao refletir sobre o tema, declarou:
“Às vezes, abro o Instagram e algo aparece que me faz querer ver a próxima imagem. E aí penso: ‘O que estou fazendo? Tenho 5.000 coisas para fazer. Larga o celular’. Tenho muita disciplina com relação às redes sociais, simplesmente porque cresci sem elas. Só tive Instagram em 2018, ou algo assim. Cresci sem televisão. Não sou uma pessoa que se distrai facilmente.”
A artista acrescentou que evita permanecer muito tempo na plataforma porque acredita que ela pode afetar negativamente sua percepção sobre si mesma e sobre o mundo.
Madonna também revelou que continua escrevendo suas composições à mão, hábito que considera essencial para seu processo criativo.
Ela explicou:
“No estúdio, preciso escrever em papel e ler a partir desse papel enquanto canto. Rabisco, cometo erros, reescrevo, passo para a próxima página. Mas valorizo essas páginas. São artefatos. A conexão entre mente e mão faz parte da sua alma de uma forma que mensagens de texto jamais poderão ser. Não há alma em mensagens de texto.”
Ao falar sobre ter crescido em uma época sem a influência constante da tecnologia, destacou como isso contribuiu para sua formação artística.
“Estou feliz por ter crescido sem tudo isso, porque me fez frequentar museus. Foi assim que descobri Frida Kahlo. Quando você precisa sair para aprender e conhecer pessoas, você tem uma experiência de vida completamente diferente.”
Conhecida por provocar debates e desafiar padrões ao longo da carreira, Madonna também comentou sua relação com as críticas e a maneira como passou a lidar com elas ao longo dos anos.
Segundo a cantora:
“Ah, isso costumava me incomodar muito, porque eu pensava: ‘Não acredito que eles sejam tão estúpidos. Eles não entendem. Não compreendem’. Eu faço muitas coisas provocativas, mas sempre há um motivo por trás disso e ninguém se dá ao trabalho de investigar.”
Ela acrescentou que acredita que muitas pessoas deixam de analisar o contexto e as múltiplas camadas presentes em determinadas obras, especialmente quando elas são criadas por mulheres.
Atualmente vivendo em Londres, Madonna explicou que a mudança não teve relação com a situação política dos Estados Unidos. O principal motivo foi a possibilidade de trabalhar mais de perto com Stuart Price durante a produção do novo álbum.
A artista também destacou a paixão de sua família pelo futebol:
“Bem, eu não me mudei para cá porque os Estados Unidos estão uma bagunça. Mesmo aqui, os Estados Unidos estão uma bagunça. Não estamos tão longe assim. Eu me mudei para cá porque queria trabalhar com o Stuart sem parar e não ficar viajando de um lado para o outro. Nós amamos futebol aqui em casa. Somos torcedores do Chelsea e é muito mais fácil ir aos jogos se você mora em Londres.”
Madonna revelou ainda que costuma mudar de cidade com frequência por acreditar que sair da zona de conforto é fundamental para seu crescimento pessoal e criativo.
“Eu gosto da minha casa aqui, mas nunca fico em um lugar por mais de três anos. Enjoo. Depois da COVID, fui para Nova York. Agora estou em Londres. Gosto de me mudar o tempo todo. Preciso entender as escolas. Preciso descobrir o que vou fazer com meu tempo. Com quem vou trabalhar? Quem é a minha comunidade? Sair constantemente da minha zona de conforto e não me acomodar me mantém viva.”
Encerrando a conversa, a cantora revelou que “Confessions II” terá 1h05 de duração, exatamente o mesmo tempo de seu treino diário. Segundo ela, a seleção das músicas foi guiada pela forma como cada faixa a fazia dançar e sentir.
Após décadas redefinindo os limites da música pop, Madonna segue transformando experiências pessoais em arte. Entre memórias, perdas, reflexões e novas ambições criativas, a artista prepara um álbum que promete unir introspecção e celebração, reafirmando sua capacidade de se reinventar sem perder a conexão com a própria história.
voltar
Tá na boca do povo:



Não fique por fora
