“4” de Beyoncé completa 15 anos: o álbum que mudou tudo na carreira da Queen B
Nesta quarta-feira (24), 4 completa quinze anos de lançamento. O quarto álbum de estúdio de Beyoncé chegou em 24 de junho de 2011 e foi muito mais do que um disco de R&B. Foi uma declaração de independência.

Beyoncé em foto promocional. Imagem: Reprodução
Uma virada pessoal e profissional
Para entender 4, é preciso entender o que acontecia nos bastidores. Após encerrar a turnê do álbum I Am… Sasha Fierce, Beyoncé fez uma pausa na carreira em 2010 para “viver a vida e se inspirar novamente”. Nesse período, ela também encerrou a alter ego Sasha Fierce, que havia guiado sua imagem por anos. Além disso, veio a mudança mais delicada. Em março de 2011, Beyoncé anunciou oficialmente o fim da parceria profissional com seu pai e empresário, Mathew Knowles, que guiava a carreira dela desde os tempos do Destiny’s Child. A própria Beyoncé admitiu que a decisão a deixou vulnerável. Mais tarde, Mathew Knowles comentou o momento em entrevista ao The Sun: “Foi difícil para mim deixá-la ir. Foi difícil para nós dois nos soltarmos.”
Com o controle totalmente em suas mãos, Beyoncé partiu para criar um álbum diferente de tudo que havia feito antes. No site oficial, ela escreveu: “O álbum é definitivamente uma evolução. É mais ousado do que a música dos meus álbuns anteriores porque eu sou mais ousada.”
Na contramão do mercado
Em 2011, o pop vivia a era do EDM. Artistas como David Guetta e os grandes nomes do dance-pop dominavam as paradas. Beyoncé, no entanto, foi na direção oposta. Ela própria explicou: “Era uma época em que todo mundo fazia música pop/dance e o R&B e o soul estavam se perdendo. Era popular e divertido, mas não era minha praia. Eu ansiava por algo mais profundo, com mais musicalidade.” Assim, em vez de seguir a tendência, ela apostou no passado. O álbum é formado principalmente por músicas de R&B em tempo médio, com influências do funk dos anos 1970, do pop dos anos 1980 e do soul dos anos 1990. Além disso, ela buscou referências em Earth, Wind & Fire, The Stylistics, Lauryn Hill, Stevie Wonder e Michael Jackson.
A produção também seguiu esse caminho. Beyoncé viajou com sua equipe pelo mundo durante as gravações. No Reino Unido, trabalharam nos Real World Studios de Peter Gabriel, em Wiltshire, onde criaram “Love on Top“. Em seguida, Beyoncé se juntou a Jay-Z em Sydney, onde montaram um estúdio improvisado com microfone, um rig externo e Pro Tools para registrar novas ideias. Outras sessões aconteceram em Las Vegas, Los Angeles, Atlanta e Honolulu.
As faixas
O disco abre com “1+1“, uma balada crua sobre amor incondicional, onde Beyoncé usa a voz com garra e emoção sem filtros. Na sequência, “Love on Top” funciona como o antídoto pop do álbum: uma faixa funk contagiante com progressões de tonalidade que só alguém com a voz dela poderia sustentar. “Countdown” traz batidas aceleradas, referências visuais ao trabalho de Anne Teresa De Keersmaeker e uma letra celebrando o amor maduro.
“Run the World (Girls)“, o lead single, aposta em percussão tribal e letras de empoderamento feminino. Por sua vez, “Best Thing I Never Had” é uma balada sobre superação, dirigida às relações que não valeram a pena. “Party“, com André 3000, é um dos momentos mais despojados do disco: groove tranquilo e performance vocal relaxada, algo incomum para a perfeccionista que Beyoncé sempre foi. Por fim, “I Was Here” fecha o álbum como um manifesto sobre deixar um legado, composta por Diane Warren após uma conversa telefônica com Jay-Z, que colocou a cantora em contato com a compositora.
Vendas e prêmios
Comercialmente, o álbum entregou resultados sólidos. 4 estreou no número 1 em aproximadamente 20 países, incluindo os Estados Unidos, onde moveu 310 mil unidades na primeira semana. Nos prêmios, o reconhecimento também veio. O álbum ganhou o prêmio de R&B Album of the Year no Billboard Music Awards, enquanto “Love on Top” levou o Grammy de Best Traditional R&B Performance. Além disso, “Party”, a parceria com André 3000, recebeu indicação ao Grammy de Best Rap/Sung Collaboration.
O VMA que parou o mundo
Em 28 de agosto de 2011, Beyoncé subiu ao palco do MTV Video Music Awards para performar “Love on Top”. Antes de começar, ela disse à plateia “quero que vocês sintam o amor que está crescendo dentro de mim”. Ao fim da performance, abriu o paletó de lantejoulas e esfregou a barriga, confirmando a gravidez. O impacto foi imediato. Sendo assim, o anúncio quebrou o recorde do Twitter à época, atingindo 8.868 tweets por segundo. Nos meses seguintes, Blue Ivy Carter nasceria e marcaria mais uma virada na vida e na arte de Beyoncé.
O legado
4 é o disco que separa duas versões de Beyoncé. Antes dele, havia uma artista de enorme sucesso comercial moldada, em grande parte, pela visão de outras pessoas. Depois dele, surgiu a Beyoncé que o mundo conhece hoje: produtora executiva das próprias obras, arquiteta da própria imagem e narradora da própria história. O álbum pavimentou o caminho para Beyoncé (2013), Lemonade (2016), Renaissance (2022) e Cowboy Carter (2024). Sendo assim, cada um desses projetos acumulou Grammys e marcos históricos, mas todos partiram de uma mesma decisão tomada em 2011: a de que Beyoncé, e só ela, definiria quem Beyoncé seria.
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