Crítica: em “Madonna”, a estreante já sabia o que fazer com uma pista de dança
Em comemoração ao lançamento de “Confessions II“, durante esta semana revisitaremos a discografia de Madonna. Para começar: “Madonna” (1983)

Capa de “Madonna” (1983). Imagem: Reprodução
A música pop nos primeiros anos da década de 80 passava pela decadência do disco e a ascensão dos sintetizadores. As pistas de dança que viviam de arranjos orquestrais, cederam o espaço para baterias eletrônicas e sequenciadores. Nesse espaço que Madonna chegava em Nova York com 35 dólares e um sonho de ser uma estrela. É nesse contexto que nasce “Madonna” (1983): um álbum potente e efervescente, que consegue capturar ao mesmo tempo o calor setentista das pistas e a frieza eletrônica que dominaria o restante da década.
Inegavelmente, qualquer um que cruzava o caminho da cantora sabia que estava diante de uma promessa determinada e ambiciosa. Essa sensação se comprova no corpo do trabalho. As canções trazem refrões hipnotizantes, construídas sobre riffs de guitarra e linhas de baixo que ancoram a produção no mundo físico, orgânico, mesmo quando os sintetizadores tentam levar tudo para o etéreo.
Além disso, faixas como “Lucky Star” e “Holiday” além de serem canções voltadas para a rádio de forma bem executadas, elas têm construções muito bem calculadas, cada elemento existe para servir ao gancho, e onde o gancho existe para não te soltar. As letras, por sua vez, não têm pretensões filosóficas e nem precisam ter. Os temas centrais orbitam a pista de dança, o desejo e os relacionamentos, nessa recusa à profundidade artificial que o disco encontra sua honestidade. Como resultado, Madonna entregou exatamente o que prometia.
O que impressiona, porém, é a forma como o projeto equilibra influências sem soar derivativo. A produção de Reggie Lucas e Mark Kamins absorve o funk de Nova York, o post-disco dos clubes e a new wave que chegava da Europa, sem se dobrar completamente a nenhum deles. Ademais, o resultado é um álbum que parece filho do seu tempo sem parecer escravo dele. No geral, Madonna cumpre o que se propõe: marcar um nome e criar bangers de dance-pop para os clubes com êxito. O groove viciante te faz querer ouvir de novo. E, mais do que isso, te faz querer mais.
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