Crítica: “Like A Virgin” de Madonna transforma ambição em fenômeno global
Em comemoração ao lançamento de “Confessions II“, durante esta semana revisitaremos a discografia de Madonna. Seguimos com o segundo álbum da cantora: “Like A Virgin” (1984).

Capa de “Like A Virgin” (1984) de Madonna. Imagem: Reprodução
Em janeiro de 1984, Madonna foi ao programa American Bandstand e anunciou para Dick Clark que queria dominar o mundo. Logo após, dezoito meses depois, com Like a Virgin, ela estava no caminho certo. O segundo álbum de estúdio da cantora é extremamente comercial, isso é dito como um elogio, porque a intenção era exatamente essa: ir além, atingir escalas maiores, transformar um nome promissor em um fenômeno global. Madonna queria continuar a crescer e expandir.
Para isso, ela foi atrás do melhor. Sua primeira escolha para produtor foi Nile Rodgers, cujo trabalho com Diana Ross, Sister Sledge e David Bowie ela admirava. Quando os dois se encontraram, ela tocou as demos que havia feito com Stephen Bray e foi direta: “Se você não amar essas músicas, não podemos trabalhar juntos.” Rodgers, por sua vez, respondeu na mesma moeda. Ele disse que não amava as músicas naquele momento, mas que amaria quando terminasse de trabalhar nelas.
Essa tensão criativa produtiva moldou tudo o que veio depois. Rodgers trouxe seus ex-parceiros do Chic, Bernard Edwards no baixo e Tony Thompson na bateria, optando por uma instrumentação ao vivo em vez de bateria eletrônica. Quando Madonna questionou a escolha, ele respondeu: “Se você usar uma máquina de bateria, qualquer um pode soar como você. Se nós tocamos, só nós soamos assim.” Essa decisão define o álbum mais do que qualquer outra coisa.
O resultado tem mais camadas do que seu antecessor. A produção de Rodgers deu ao disco uma base rítmica mais firme, com mais texturas, fazendo a união com sintetizadores ao invés de deixá-los soltos na produção por ser tendência. A faixa-título, que o próprio Rodgers resistiu em gravar porque achava que o refrão não era forte o suficiente, mas que acabou não conseguindo tirar da cabeça por quatro dias seguidos, é um dos exemplos mais precisos de pop inevitável já gravados. “Material Girl“, por sua vez, é uma sátira ao materialismo dos anos 80 tão afiada que acabou virando sinônimo da própria década, uma ironia que Madonna certamente apreciou. Juntas, as duas faixas vivem no imaginário do grande público há mais de quarenta anos, e com razão.
Contudo, o resto do trabalho tem altos e baixos. Faixas como “Dress You Up” e “Shoo-Bee-Doo” cumprem seu papel dentro de um bom álbum pop sem alçar voo além disso. Não é fraqueza, mas é o espaço que separa um disco muito bom de um disco excepcional. Finalmente, “Like a Virgin” é a primeira era de sucesso global. Madonna provou que era uma força que crescia a cada lançamento, a cada videoclipe e a cada performance. Uma estrela pop nascia.
Tá na boca do povo:



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