Morre Benedito Ruy Barbosa, autor de “Rei do Gado” e “Pantanal”, aos 95 anos
Benedito Ruy Barbosa morreu nesta terça-feira (7), em São Paulo. O HCor, Hospital do Coração, confirmou que o dramaturgo faleceu devido a complicações de insuficiência renal crônica. Ele lutava contra a condição há três anos e apresentava histórico de internações por infecções recorrentes do trato urinário. O velório acontece das 15h às 21h no Funeral Home, na Bela Vista, no centro de São Paulo, com abertura ao público entre 15h e 16h.

Benedito Ruy Barbosa. Imagem: Reprodução.
Benedito nasceu em 17 de abril de 1931, na cidade de Gália, no interior de São Paulo, e foi o mais velho de cinco irmãos. Ele cresceu numa área de cafezais na cidade vizinha, Vera Cruz, onde teve contato com imigrantes japoneses e italianos. Esse cenário de infância, por sua vez, moldaria boa parte de sua obra décadas mais tarde.
O pai, Otávio Barbosa, fundou e dirigiu o jornal “A Voz de Vera Cruz” até sua morte aos 29 anos, em 1942. A tragédia mudou a vida do autor, que precisou arrumar um emprego ainda menino para ajudar a mãe, Aurora Medeiros Barbosa. Mesmo assim, Benedito não abandonou o sonho de escrever, logo, decidiu mudar sozinho para São Paulo em busca de melhores oportunidades; estudava à noite e trabalhava durante o dia. Para completar a renda, vendia verduras na feira e trabalhava como faxineiro em um banco.
Inicialmente, a carreira na dramaturgia começou em Maringá, no Paraná, onde trabalhou num escritório comercial e encontrou a inspiração para o primeiro romance, “Fogo Frio“. A história se tornou uma peça no teatro após um convite de Oduvaldo Viana Filho, em 1959. Além disso, as primeiras novelas de Benedito Ruy Barbosa foram ainda na década de 1960, com “Somos Todos Irmãos” e “O Anjo e o Vagabundo“, de 1966, ambas exibidas na extinta TV Tupi.
A chegada à TV Globo aconteceu em 1971, quando o dramaturgo escreveu “Meu Pedacinho de Chão“, porém, em plena ditadura militar no Brasil, a história sofreu cortes da censura, mas ele conseguiu negociar a manutenção de algumas cenas. Posteriormente, o primeiro contrato de sucesso com a Globo aconteceu somente em 1976, com “O Feijão e o Sonho“, logo seguido por “À Sombra dos Laranjais” (1977) e “Cabocla” (1979).
Em seguida, ao longo das décadas seguintes, Benedito construiu um catálogo extenso e reconhecido. Entre os títulos mais marcantes estão “Sinhá Moça” (1986), “O Rei do Gado” (1996) e “Terra Nostra” (1999). Sua última obra original na TV Globo foi “Velho Chico“, ambientada na região do rio São Francisco, exibida em 2016. Além disso, as novelas de Benedito Ruy Barbosa tiveram tanto sucesso que muitas tiveram remakes. Por exemplo, “Pantanal”, exibida originalmente na Rede Manchete em 1990, ganhou nova versão em 2022. “Renascer” voltou às telas em 2024. Ambas as adaptações foram assinadas pelo neto Bruno Luperi.
Portanto, nos últimos anos, Benedito se afastou da escrita, mas manteve o legado vivo por meio da família. O ator Tony Ramos, em participação na Globonews, resumiu bem o que o dramaturgo representou: “Esse homem está descansando com méritos, porque foi um cara que sempre se preocupou com um país melhor, sempre e sempre.” Já a atriz Zezé Motta foi direta ao ponto: “Benedito tinha um olhar raro para o Brasil, para a nossa gente, para as nossas raízes. Seus personagens eram vivos, humanos e cheios de verdade.”
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