Kelela lança “New Avatar”, álbum que marca sua reinvenção sonora
A cantora estadunidense Kelela, um dos principais nomes do R&B alternativo contemporâneo, lançou nesta sexta-feira (10) seu terceiro álbum de estúdio, “New Avatar”. Com 12 faixas e cerca de 40 minutos de duração, o projeto marca uma nova etapa na trajetória artística da cantora e compositora.

Kelela em imagem promocional do álbum “New Avatar”. Foto: Divulgação.
Depois de “Raven” (2023), álbum elogiado pela maneira como combinou R&B e música eletrônica, “New Avatar” apresenta uma nova direção artística. Antes de iniciar a carreira solo com a mixtape “Cut 4 Me”, em 2013, Kelela integrou uma banda de metal progressivo, influência que aparece de forma mais evidente neste trabalho. Embora mantenha os elementos eletrônicos que marcaram seu disco anterior, a artista coloca as guitarras em primeiro plano, explorando uma sonoridade inédita em sua discografia e ampliando as possibilidades de seu repertório.
A abertura fica por conta do single “Idea 1”, que apresenta uma sonoridade suave e introspectiva. A produção combina camadas eletrônicas, violões e guitarras com influência grunge, aproximando a faixa do dream pop, enquanto Kelela entrega uma interpretação delicada e carregada de emoção. Em comunicado à imprensa, a cantora afirmou que a música nasceu da sensação de viver em um período marcado pela instabilidade global, refletindo especialmente sobre a experiência de mulheres negras diante da necessidade constante de observar, absorver e interpretar a realidade ao seu redor.
Na sequência, “Point Blank” combina influências do drum ’n’ bass e do UK garage em uma produção minimalista e precisa. A letra aborda o fim de uma relação tóxica e mostra a artista transformando sentimentos de frustração e vulnerabilidade em uma busca por liberdade e recomeço. A faixa ainda explora temas como independência, amadurecimento e reconstrução emocional.
Um dos momentos mais surpreendentes do álbum aparece em “Goin Down”. A música começa com acordes de guitarra e vocais melancólicos, criando um clima de vulnerabilidade que, aos poucos, dá lugar a uma batida densa e arrastada, tornando a composição mais intensa e ampliando a sensação de queda sugerida pelo título. Apesar da carga emocional, a artista encontra espaço para um breve momento de ironia em versos como “Quando não há nada em jogo, corremos uma milha/ Estou falando de coisa de maratona”, mostrando sua habilidade em equilibrar fragilidade e leveza na mesma obra.
A quarta faixa do disco, “Outta Time”, conta com a participação de A. K. Paul e mantém a atmosfera sombria das músicas anteriores, mas logo assume uma identidade própria. A produção, marcada por elementos do trip-hop, evolui de forma envolvente e faz da faixa um dos destaques do álbum. A letra retrata o desgaste de um relacionamento prestes a chegar ao fim, mostrando a tentativa de preservar um vínculo que se desfaz aos poucos, à medida que a distância entre o casal se torna inevitável.
Em “Against Me”, uma das faixas de destaque do disco, Kelela combina guitarras, bateria, baixo e sintetizadores em uma produção que transita com naturalidade entre momentos de maior intensidade e passagens mais delicadas. A letra retrata uma relação em desgaste, marcada por discussões e desencontros. Em versos como “Meu coração está tão pesado quanto o seu”, a cantora revela a dificuldade de lidar com essa situação e demonstra o desejo de seguir em frente.
Dando continuidade ao álbum, “Crystalize” retoma temas apresentados em “Point Blank”, aprofundando sentimentos como frustração, incerteza e impotência. A sonoridade mantém elementos presentes em “Against Me”, enquanto a letra retrata a dificuldade de aceitar o fim de um vínculo. Mesmo diante do desgaste desse relacionamento, a artista ainda demonstra apego à possibilidade de uma reconciliação.
A sétima faixa do projeto, “Retaliation Lullaby”, é outro momento de destaque do álbum. Antes de direcionar qualquer acusação à pessoa amada, Kelela volta sua atenção para o próprio cansaço e para a dificuldade de encontrar descanso. A produção cria uma atmosfera intimista, enquanto as guitarras ajudam a transmitir a sensação de vulnerabilidade presente na composição.
Chegando à oitava faixa e segundo single do álbum, “Linknb” apresenta um ritmo mais acelerado ao disco, impulsionada por uma seção rítmica marcante. A canção nasceu durante um período de bloqueio criativo e acabou se tornando um mantra pessoal para a artista. Segundo Kelela, a faixa representa a reconstrução da autoconfiança e a decisão de seguir em frente sem se deixar vencer pelas dificuldades.
Em “Don’t Piss Me Off”, Kelela demonstra mais uma vez sua versatilidade vocal em uma faixa que poderia facilmente funcionar como um dueto, mas que se destaca justamente pela forma como a artista conduz a interpretação sozinha. A cantora transforma desejo e impulsividade em uma narrativa direta ao convidar a pessoa amada para se aproximar antes que sua paciência se esgote. A produção deixa de lado os elementos mais suaves de outras músicas do álbum e cria um momento mais imediato, no qual Kelela explora a intensidade da situação.
Com “New Life Forms”, Kelela apresenta um dos momentos mais leves do disco, com uma abordagem de R&B delicada e envolvente. A participação de Fousheé adiciona uma nova perspectiva à faixa, que funciona como um respiro diante dos conflitos emocionais explorados anteriormente. A produção de Oscar Scheller cria um ambiente sonoro sutil, permitindo que as vozes das duas artistas sejam o principal destaque.
Mais adiante, “The Bridge” une as vozes de Kelela e PinkPantheress em uma faixa que combina elementos do UK garage e do 2-step em uma sonoridade sofisticada. A canção explora uma atração intensa, marcada por desejo, provocações e uma conexão emocional que leva as personagens a ultrapassarem seus próprios limites.
No encerramento do álbum, a faixa “If We Meet Again” marca um dos momentos mais significativos do projeto. Kelela apresenta uma performance carregada de emoção em uma produção minimalista, permitindo que seus vocais ganhem destaque ao longo da música. A canção transmite uma sensação de despedida e reflexão, encerrando o disco com uma interpretação profunda e marcante.
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