Crítica: Entre o R&B e a pista, FLO continua encontrando seu lugar em “THERAPY AT THE CLUB”
“THERAPY AT THE CLUB” não chega necessariamente com a intenção de reinventar ou remodelar os caminhos do R&B contemporâneo (e talvez nem precise). O segundo álbum do trio britânico FLO funciona justamente porque entende aquilo que o grupo faz de melhor: vocais e harmonias impecáveis, letras facilmente relatáveis e uma produção que transita com naturalidade entre o dance pop de inspiração oitentista e, sobretudo, dos anos 2000, além de baladas emocionais de R&B que remetem à tradição de grupos como Destiny’s Child e TLC.

FLO para a capa do álbum “Therapt at the Club” Imagem: Divulgação
O grande destaque do projeto é “Leak It”, que não apenas funciona como lead single, mas se estabelece como uma das melhores músicas da carreira de FLO. A faixa reúne praticamente todos os elementos que tornam o trio tão eficiente: produção pop/R&B extremamente polida, vocais poderosos e uma energia contagiante que parece feita sob medida para uma performance no VMAs. Ao lado dela, “Sex in Peace” se destaca pela sensualidade sutil, enquanto “Remedied” injeta uma dose necessária de energia dançante ao projeto. Já “Small Doses” é uma das faixas mais interessantes do ponto de vista de produção, especialmente pelos vocal chops que transformam a voz em mais um elemento instrumental dentro da faixa.
“Pose”, por outro lado, é provavelmente a faixa que mais divide opiniões. Construída sobre um sample de “Pump Up the Jam” de Technotronic, clássico absoluto da cultura club, a música mergulha no Hip-House e apresenta uma FLO que ainda não tínhamos ouvido dessa maneira. É uma escolha ousada e, justamente por isso, chama atenção imediatamente. Para alguns, pode soar como uma bem-vinda expansão da sonoridade do trio; para outros, a combinação pode causar uma certa estranheza. Independentemente da reação, é difícil negar que “Pose” adiciona uma das poucas doses de imprevisibilidade ao álbum.
Nem tudo, porém, mantém o mesmo nível de impacto. Em momentos como “Sober” e “Floating”, Therapy at the club perde um pouco de sua temperatura. As faixas não chegam a ser ruins, mas parecem acrescentar pouco ao que o álbum já estabeleceu anteriormente, funcionando mais como extensões de ideias que já foram exploradas em outras músicas. É justamente nesses momentos que fica mais evidente que, apesar de extremamente competente, o projeto poderia se beneficiar de uma maior disposição para correr riscos em sua produção.
Liricamente e esteticamente, entretanto, o álbum representa uma evolução clara em relação ao debut Access All Areas. É evidente a presença de uma identidade mais definida, uma narrativa mais coesa e uma compreensão maior de como o trio quer se apresentar. Musicalmente, porém, essa evolução já não fica tão clara. Em termos de produção e principalmente de performance vocal, FLO continua fazendo aquilo que já fazia excepcionalmente bem, mas nem sempre parece estar expandindo significativamente seus próprios limites.
Ainda assim, isso não diminui a força do projeto. THERAPY AT THE CLUB é um álbum muito sólido, com ótimas músicas, excelentes performances vocais e uma produção que equilibra referências nostálgicas e R&B contemporâneo sem parecer completamente presa ao passado. Talvez não seja o disco que vai redefinir o gênero, mas é uma grande adição à carreira de FLO e uma demonstração de que o trio já possui algo ainda mais importante do que uma sonoridade inovadora: uma identidade própria e uma execução quase impecável dela.
GÊNERO: R&B / Dance-pop
GRAVADORA: Island / Republic Records
DATA DO LANÇAMENTO: 07/08/2026
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