Macklemore é retirado da turnê de Ed Sheeran após defender Palestina; veja a cronologia da polêmica
A participação de Macklemore na turnê Loop, de Ed Sheeran, terminou antes do previsto após o rapper fazer discursos em defesa da Palestina durante dois shows nos Estados Unidos. A situação começou no início de setembro, quando o artista se apresentou no MetLife Stadium, em Nova Jersey, e ganhou novos capítulos nos dias seguintes com manifestações de Pink, uma petição do Israeli American Council e, posteriormente, a retirada de Macklemore das apresentações restantes. Além disso, Sheeran se pronunciou sobre a decisão, enquanto o empresário Robert Kraft confirmou que barrou o rapper de um show no Gillette Stadium. Confira a timeline completa do caso:

Macklemore e Ed Sheeran. Imagem: Reprodução
4 de setembro: Macklemore defende a Palestina no palco
A controvérsia começou em 4 de setembro, durante a apresentação de Macklemore no MetLife Stadium. Na ocasião, o rapper usou um keffiyeh e fez um discurso sobre a situação dos palestinos, além de declarar seu apoio à causa com a frase “Free Palestine”. Em seguida, ele afirmou que queria que as pessoas em Gaza e na Cisjordânia ocupada soubessem que não haviam sido esquecidas. Depois do discurso, Macklemore apresentou “Hind’s Hall”, música lançada em 2024 que aborda os protestos pró-Palestina realizados na Universidade Columbia.
Além disso, o artista criticou a atuação do Immigration and Customs Enforcement, conhecido como ICE, durante sua fala. Macklemore afirmou ainda que sua crítica ao governo israelense e seu apoio aos palestinos não tinham como alvo pessoas judias. Dessa forma, o discurso acabou ampliando uma discussão que o rapper já vinha promovendo publicamente desde o lançamento de “Hind’s Hall”. No entanto, a manifestação provocou reações negativas de grupos pró-Israel e de parte do público presente no show.
5 de setembro: discurso volta a acontecer
No dia seguinte, Macklemore voltou a se apresentar no MetLife Stadium e novamente falou sobre a Palestina. Assim como na noite anterior, o rapper defendeu a liberdade dos palestinos e reforçou sua posição política diante do público. Portanto, o segundo show consolidou a repercussão do primeiro discurso e aumentou a pressão sobre a participação do artista na turnê de Ed Sheeran.
7 de setembro: petição pede saída de Macklemore da turnê
A repercussão chegou a organizações como o Israeli American Council, que lançou uma petição pedindo a retirada de Macklemore das próximas apresentações. Segundo o grupo, o problema não estaria no direito do rapper de expressar suas opiniões políticas, mas no uso de uma apresentação musical de grande alcance para defender uma posição sobre um conflito internacional. Além disso, a organização argumentou que os shows de Ed Sheeran deveriam permanecer afastados de manifestações políticas.
No mesmo período, a discussão ganhou força nas redes sociais. Enquanto algumas pessoas criticaram Macklemore e classificaram sua apresentação como uma manifestação política inesperada, outras defenderam o direito do artista de usar seu espaço no palco para falar sobre direitos humanos. Assim, a repercussão passou a envolver não apenas o rapper, mas também outros artistas ligados à turnê.
7 de setembro: Pink critica Macklemore
Também em 7 de setembro, Pink entrou na discussão ao compartilhar uma publicação que criticava a apresentação de Macklemore. A manifestação provocou uma reação negativa nas redes sociais e fez com que a cantora passasse a receber críticas por sua posição. Entretanto, dias depois, Pink esclareceu que sua intenção não era defender o silêncio de Macklemore nem negar os direitos dos palestinos.
12 de setembro: Pink explica sua posição
Em uma publicação mais longa, Pink explicou que é judia e que a apresentação de Macklemore a deixou preocupada. Ao mesmo tempo, a cantora afirmou que não nega a humanidade ou os direitos do povo palestino e defendeu um futuro baseado em dignidade para os palestinos. Além disso, condenou o Hamas e destacou a necessidade de proteger civis. Dessa maneira, Pink tentou separar sua crítica à apresentação de qualquer apoio à violência ou à negação dos direitos palestinos.
A cantora também afirmou que as discussões nas redes sociais costumam reduzir um conflito complexo a posições simplificadas. Por isso, sua publicação buscou explicar que sua reação estava relacionada à forma como o assunto apareceu no palco, e não a uma defesa de sofrimento ou violência contra palestinos. A declaração, por sua vez, tornou a discussão ainda mais ampla entre artistas e fãs.

P!nk em seu instagram compartilhando post da página “@stop_antisemitism”. Imagem: Reprodução
14 de setembro: Macklemore é retirado da turnê
A situação mudou novamente em 14 de setembro, quando a Messina Touring Group, responsável pela promoção da etapa norte-americana da Loop Tour, anunciou a saída de Macklemore das datas restantes. Segundo a empresa, os responsáveis por diferentes locais informaram que não permitiriam a realização dos shows com o rapper na programação. A promotora afirmou que manter a escalação poderia levar ao cancelamento de apresentações e afetar centenas de milhares de fãs.
Macklemore estava escalado para oito das dez apresentações restantes da etapa norte-americana. A turnê deve continuar em 19 de setembro, na Filadélfia, agora sem o rapper na programação. Entre os locais que estavam previstos para receber os shows estavam o Gillette Stadium, em Massachusetts, o Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, e o AT&T Stadium, no Texas.
Macklemore contesta decisão e cita Robert Kraft
Depois do anúncio, Macklemore publicou um longo texto nas redes sociais sobre sua saída. O rapper afirmou que teve conversas difíceis com Ed Sheeran e atribuiu parte da pressão ao empresário Robert Kraft, proprietário do grupo responsável pelo Gillette Stadium. Segundo Macklemore, Kraft teria conversado com Sheeran e articulado com outros donos de estádios para impedir que o rapper se apresentasse nos locais.
Macklemore também reafirmou seu apoio aos palestinos e disse que não pretendia recuar de sua posição. Além disso, afirmou que considera importante continuar utilizando sua visibilidade para falar sobre o conflito. O rapper e Sheeran, que mantêm uma amizade de longa data, passaram a enfrentar publicamente uma divergência sobre o assunto durante o processo de retirada da turnê.
Ed Sheeran se pronuncia
Ed Sheeran também se manifestou sobre o episódio. O cantor explicou que a retirada de Macklemore partiu da promotora e dos locais que receberiam os shows, e não de uma decisão pessoal dele. Segundo Sheeran, os estádios informaram que não receberiam apresentações com Macklemore no elenco, colocando a continuidade da turnê em risco.
Além disso, Sheeran explicou por que evita assumir uma posição pública sobre Israel e Palestina. O cantor afirmou que não se considera suficientemente informado sobre todos os aspectos do conflito e, por isso, prefere não tomar partido. Dessa forma, Sheeran tentou manter sua postura de não se envolver publicamente em disputas políticas, mesmo diante da controvérsia envolvendo seu próprio show.
15 de setembro: Robert Kraft confirma que barrou Macklemore
Nesta terça-feira, 15 de setembro, Robert Kraft confirmou publicamente que impediu a apresentação de Macklemore no Gillette Stadium. O proprietário do New England Patriots afirmou que mantém uma atuação de combate ao antissemitismo e ao discurso de ódio e considerou que a apresentação do rapper ultrapassou esse limite. Entretanto, Kraft declarou que reconhece o sofrimento do povo palestino e defendeu a possibilidade de apoiar os palestinos enquanto também se posiciona contra o Hamas e o antissemitismo. Kraft também afirmou que gostaria de conversar pessoalmente com Macklemore para discutir o conflito e suas diferentes interpretações.
O que acontece agora?
Com a saída de Macklemore, Ed Sheeran seguirá com a etapa norte-americana da Loop Tour sem o rapper nas apresentações restantes. Entretanto, a discussão provocada pelos discursos no MetLife Stadium continua nas redes sociais e entre artistas, organizações e empresários envolvidos no caso. Enquanto Macklemore mantém seu posicionamento em defesa da Palestina, Sheeran reafirma sua decisão de não tomar partido e Pink procura esclarecer sua própria posição diante da repercussão.
Por enquanto, o episódio transformou uma participação de abertura em uma discussão pública sobre liberdade de expressão, posicionamento político de artistas e os limites de manifestações em grandes eventos musicais. Além disso, a confirmação de Kraft e as declarações de Macklemore e Sheeran colocaram diferentes versões sobre a decisão no centro do debate. A turnê, por sua vez, continuará sem o rapper nas próximas datas nos Estados Unidos.
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