Tove Lo lança “ESTRUS” e mergulha nas contradições da vida adulta

sábado, 19 de setembro de 2026
por Larissa Almeida

Nesta sexta-feira (19), Tove Lo lança seu sexto álbum de estúdio, “ESTRUS”. Com 13 faixas, o novo projeto mergulha em uma das características mais marcantes da cantora: transformar sentimentos intensos em música. Entre euforia, melancolia, desejo e dúvida, esse projeto reflete um momento em que ela não tenta encontrar respostas, apenas viver cada emoção.

Tove Lo em foto para álbum "Estrus". Imagem: Divulgação.

Tove Lo em foto para álbum “Estrus”. Imagem: Divulgação.

O álbum representa uma nova fase para Tove, principalmente depois de “Dirt Femme” (2022), período em que a artista se tornou independente, se casou e passou a questionar ainda mais os caminhos que queria seguir. Em vez de tentar organizar esses sentimentos, ela decidiu colocá-los todos dentro do disco. É justamente isso que torna “ESTRUS” tão pessoal.

Na sonoridade, a cantora aposta em batidas eletrônicas pulsantes, synths e referências à música indie dance sueca que fizeram parte de sua formação. Inspirada por nomes como The Knife e Robyn, a artista entrega um álbum dançante, mas que não deixa de lado suas letras vulneráveis. O resultado é uma mistura de festa e aquela sensação de desamparo ao tentar entender a própria vida enquanto tudo acontece.

Os singles lançados antes do álbum já entregavam um pouco dessa identidade. “I’m Your Girl, Right?”, primeiro single da era, ganhou ainda mais destaque por sua conexão com o Brasil. O videoclipe foi gravado em São Paulo. A produção foi dirigida pelo brasileiro Fernando Nogari e contou com a participação de dançarinos locais, dando ao visual uma identidade cinematográfica e conectando a nova fase da cantora ao país. As demais faixas ganharam seus próprios visuais, trazendo uma diversidade na identidade do projeto. 

Enquanto “I’m Your Girl, Right?” apresentou o lado mais pop e provocante da nova era, “DNH” trouxe uma dose ainda maior de intensidade e catarse. Já “des fleurs”, parceria com o belga Stromae, adicionou uma nova camada ao projeto e se tornou a única colaboração presente no disco.

E se existe uma faixa que resume o conflito de “ESTRUS”, essa é “source of life”. A cantora coloca em choque duas vontades: a parte que ainda quer sair, beber e passar a noite inteira na rua e aquela que começa a questionar se chegou o momento de ficar em casa e construir uma família. A cantora transforma uma questão pessoal em uma música que conversa com diferentes momentos da vida adulta e provoca identificação dos seus fãs.

O próprio título do álbum ajuda a entender sua proposta. “Estrus” é o termo utilizado para o período de cio dos animais, essa ideia representa algo primitivo, instintivo e difícil de controlar. “Minha mente e meu corpo querendo coisas diferentes, querendo tudo”, explica a cantora. E talvez seja justamente essa a melhor definição para o projeto: “ESTRUS” não quer resolver suas contradições, quer senti-las.

Gravado em uma pequena vila de pescadores na Suécia, onde ela passou parte da infância, o álbum também revisita memórias de relacionamentos, família, perdas e da versão mais caótica de si mesma. Ao retornar ao lugar onde já havia trabalhado em “Dirt Femme”, a cantora parece voltar às próprias raízes para transformar essas lembranças em novas músicas.

ESTRUS” também é uma dualidade de sentimento entre os fãs, o projeto tem sido o amor completo de uns, mas também já recebeu críticas na web, como um dos piores trabalhos de Tove de outro. No fim, o novo trabalho da artista é sexy, sombrio, dançante, vulnerável e, principalmente, cheio de contradições. 

Você também vai querer ver
voltar