MATTY estreia com “Sleepwalker” e apresenta sua estética rave queer
Lançado pela Sigmund Records, “Sleepwalker” marca a estreia de MATTY como artista e transita entre atmosferas do ambient e a intensidade do hardcore techno. Inspirada pela sensação de um sonho lúcido, a faixa alterna momentos etéreos e agressivos e acelera de 150 a 180 BPM. O single apresenta a estética rave queer que o produtor e DJ pretende desenvolver em sua trajetória.

MATTY para a capa de Sleepwalker. Imagem: Lidia Brancher / Helena Bubolz.
Entre a suspensão de um sonho e a intensidade da pista, MATTY inicia sua trajetória como artista com “Sleepwalker”. A faixa parte de uma atmosfera hipnótica e ganha força à medida que avança, transformando a sensação de um sonho lúcido em uma experiência eletrônica marcada por contrastes de ritmo, textura e energia. Ouça aqui.
Foi dessa imagem que surgiu o nome “Sleepwalker”, sonâmbulo em inglês. A ideia de um despertar repentino atravessa a paisagem sonora e o próprio BPM da faixa, conduzindo a passagem entre momentos de suspensão e de maior intensidade. “Quando eu produzi a track, estava pensando em uma dualidade entre o lento e o frenético. A sensação era de um sonho lúcido muito louco, em que você dormia e, de repente, acordava no susto, mas, na verdade, nunca esteve dormindo”, conta MATTY, que define a sonoridade como “noturna e sombria, porém eufórica”.
Essa transformação começa pela própria sonoridade de “Sleepwalker”. Na introdução, sintetizadores inspirados pela música ambient criam o estado de suspensão que antecede as partes mais intensas da faixa. A produção aproxima referências aparentemente distantes, partindo de progressões inspiradas em Mercurial World, álbum da banda Magdalena Bay, para chegar à agressividade do gabber, vertente do hardcore techno reconhecida pelos bumbos rápidos e distorcidos. O contraste também aparece no andamento da música. “Sleepwalker” parte de 150 BPM e chega a 180 BPM, em uma aceleração que acontece gradualmente durante a faixa.
A mudança transforma a ideia do despertar que inspirou o compositor em um recurso da própria produção, fazendo com que o aumento de intensidade seja construído não apenas pelos timbres, mas também pela velocidade da música. Alguns detalhes da produção ajudam a completar essa paisagem noturna. No início, MATTY utiliza um sintetizador cujo timbre remete ao som de grilos. Nas passagens mais intensas, dois bumbos aparecem simultaneamente, combinando o kick distorcido característico do gabber com o bumbo principal da faixa. No final, um synth traz outra referência para essa mistura, aproximando “Sleepwalker” das sonoridades do funk submundo presentes nas raves brasileiras.

Imagem: Helena Bubolz
A estreia também representa um ponto de encontro entre a trajetória de MATTY como produtor e sua experiência como DJ. Sua relação com a música atravessa referências que vão do pop ao indie, mas ganhou uma nova direção quando começou a frequentar a vida noturna e se aproximou do EDM e do techno. Foi na club music que encontrou um caminho para conciliar essas duas dimensões de seu trabalho e começar a definir uma identidade própria. “Sinto que agora consegui conciliar minha sonoridade como produtor com a de DJ de uma forma natural. ‘Sleepwalker’ é uma grande representação da estética rave eletrônica queer que eu quero transparecer na minha arte”, afirma MATTY.
Com “Sleepwalker”, MATTY dá o primeiro passo de um projeto atravessado pela cultura de pista e pela experiência queer. Lançada pela Sigmund Records, a faixa apresenta uma linguagem que encontra espaço justamente no contraste, aproximando referências, velocidades e intensidades distintas para construir a identidade que o artista começa a desenvolver a partir de sua estreia.
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