Há 12 anos, Taylor Swift lançava o álbum 1989
Há 12 anos, em 27 de outubro de 2014, Taylor Swift lançava 1989, seu quinto álbum de estúdio. O projeto marcou uma nova fase na carreira da artista, que deixou para trás suas principais influências do country para explorar uma sonoridade pop. O disco reúne sucessos como “Style”, “Bad Blood”, “Blank Space” e “Shake It Off”, que conquistaram o público e as paradas musicais ao redor do mundo.

Capa oficial do álbum 1989. Imagem: Divulgação.
A mudança de sonoridade e a identidade de 1989
O título do álbum faz referência ao ano de nascimento da cantora. Nascida em 13 de dezembro de 1989, Taylor escolheu o número para representar um projeto que considerava seu primeiro trabalho oficialmente pop, distanciando-se das sonoridades country que marcaram seus álbuns anteriores. Assim como em seus trabalhos anteriores, as experiências pessoais da artista serviram de inspiração para as composições. Entretanto, dessa vez, as letras vieram acompanhadas de uma produção musical fortemente influenciada pelo synth-pop e pelo dance-pop, estabelecendo uma nova identidade sonora para a cantora.
A estética visual também teve papel importante na construção da era. As fotografias utilizadas na capa e no encarte foram feitas com câmeras Polaroid, contribuindo para a identidade visual característica do álbum. No encarte, Taylor agradece aos fãs pelo apoio durante sua mudança musical e pela disposição em acompanhá-la nessa fase de redescoberta artística.
Outra curiosidade está nas mensagens secretas presentes nas letras das músicas. Assim como nos trabalhos anteriores, algumas letras minúsculas formam mensagens relacionadas às respectivas faixas. Quando reunidas, elas apresentam uma narrativa sobre um relacionamento amoroso que, apesar da intensidade dos sentimentos, não conseguiu dar certo. A história representa uma mudança na maneira como a cantora apresentava suas experiências pessoais em suas composições. Ao abordar os relacionamentos com mais ironia e autorreflexão, Taylor também passou a questionar a imagem de mulher que se envolvia constantemente em romances, frequentemente reforçada pela mídia.
Uma curiosidade sobre o lançamento foi a realização de festas de audição, conhecidas como listening parties. Taylor selecionou alguns fãs para ouvir o álbum antecipadamente, proporcionando momentos de interação com a artista e a oportunidade de conhecer as músicas antes do lançamento oficial.
A edição original de 1989 conta com 13 faixas, enquanto a versão deluxe apresenta 16 músicas. Posteriormente, com o lançamento da regravação 1989 (Taylor’s Version), em 2023, o projeto passou a contar com 21 faixas na nova edição. Ao longo da era, sete singles foram lançados para promover o álbum, contribuindo para seu enorme desempenho comercial.
Recepção da crítica e desempenho comercial
O projeto foi amplamente elogiado pela crítica especializada, que destacou a capacidade de Taylor Swift de realizar uma mudança significativa de sonoridade sem perder sua identidade como compositora. O álbum foi um dos lançamentos mais aguardados de 2014 e apareceu em diversas listas de melhores discos daquele ano. A revista Billboard, por exemplo, elegeu o projeto como o melhor álbum de 2014, destacando a habilidade da cantora de transformar sua sonoridade e conquistar espaço no cenário pop.
O desempenho comercial também foi expressivo. 1989 estreou no topo da Billboard 200, principal parada de álbuns dos Estados Unidos, e alcançou o primeiro lugar nas paradas da Austrália, do Canadá e do Reino Unido. Entre os singles de maior destaque estão “Shake It Off”, “Blank Space” e “Bad Blood”, que chegaram ao topo da Billboard Hot 100.
O sucesso do álbum também foi reconhecido na edição de 2016 do Grammy Awards, quando Taylor Swift venceu as categorias Álbum do Ano (Album of the Year) e Melhor Álbum Vocal de Pop (Best Pop Vocal Album). Com a vitória na categoria principal, a cantora tornou-se a primeira mulher a conquistar o prêmio de Álbum do Ano duas vezes como artista principal. Sua primeira vitória havia acontecido em 2010, com Fearless.
Os singles da era 1989
“Shake It Off”
Lançada como o primeiro single do álbum, “Shake It Off” apresentou ao público a nova direção musical de Taylor Swift. Com uma sonoridade dance-pop, a música aborda as críticas recebidas pela cantora e a importância de não permitir que as opiniões alheias determinem sua autoestima.
O videoclipe, dirigido por Mark Romanek e lançado junto à canção, mostra Taylor dançando ao lado de diferentes equipes especializadas em estilos variados. A artista tenta acompanhar os movimentos dos grupos, mas acaba desenvolvendo seus próprios passos. No final, todos se reúnem em uma celebração da individualidade.
A faixa estreou diretamente na primeira posição da Billboard Hot 100, tornando-se um dos singles de maior destaque da carreira da cantora. Nos Estados Unidos, a música vendeu 544 mil cópias digitais em sua primeira semana. Posteriormente, recebeu certificação de Diamante pela Recording Industry Association of America (RIAA), refletindo seu enorme sucesso comercial.
“Blank Space”
O segundo single de 1989 utiliza a ironia para satirizar a maneira como a mídia retratava os relacionamentos amorosos de Taylor Swift. A música apresenta uma personagem que assume, de forma exagerada, a imagem de mulher instável e obcecada por romances que frequentemente lhe era atribuída.A faixa foi elogiada pela maturidade de sua composição e pela maneira criativa como a cantora transformou as críticas em material artístico. A revista Rolling Stone também incluiu a música entre os destaques de 2014.
Em entrevista à Billboard, Taylor explicou que costumava reunir ideias de letras, piadas e possíveis respostas às críticas que recebia. Esse material serviu de inspiração para a composição de Blank Space, que se tornou uma forma bem-humorada de responder à representação negativa que a mídia fazia de sua vida pessoal.
O videoclipe segue a mesma proposta e apresenta a cantora interpretando uma personagem que corresponde à imagem exagerada criada ao seu redor. A produção foi filmada em Long Island, nos Estados Unidos, com cenas realizadas no Oheka Castle e na Woolworth Estate.
“Style”
O terceiro single da era faz referência ao sobrenome de Harry Styles, integrante do One Direction, com quem Taylor Swift teve um relacionamento. A letra aborda uma conexão amorosa marcada pela atração e pela dificuldade de romper completamente os laços entre duas pessoas. O título também reforça a ideia de que o vínculo entre os protagonistas permanece relevante com o passar do tempo.
Musicalmente, a faixa aposta em uma produção pop com influências do synth-pop, consolidando a identidade sonora do trabalho. A música alcançou o top 40 de paradas musicais em 15 países.
“Bad Blood”
Lançada como o quarto single da era, “Bad Blood” ganhou destaque por abordar uma ruptura de amizade. A música foi associada pela imprensa e pelos fãs a um desentendimento entre Taylor Swift e Katy Perry, embora a cantora não tenha identificado publicamente a suposta inspiração no lançamento da faixa.
Em entrevista à revista Rolling Stone, Taylor relatou que uma colega do meio musical teria tentado prejudicá-la ao contratar dançarinos que trabalhavam em sua turnê. A declaração alimentou as especulações sobre a identidade da pessoa mencionada. O videoclipe tornou-se um dos mais comentados da era por reunir diversas celebridades, incluindo Selena Gomez, Gigi Hadid, Ellie Goulding e Zendaya. A produção também contou com a participação do rapper Kendrick Lamar, que aparece na versão remix da música.
Anos depois, em 2018, Taylor e Katy demonstraram publicamente uma reaproximação. Katy enviou uma carta e um ramo de oliveira à cantora no início da Reputation Stadium Tour, gesto que simbolizou o fim de um período de desentendimentos.
“Wildest Dreams”
O quinto single do álbum explora um romance intenso que parece destinado a terminar. Na letra, a protagonista deseja ser lembrada de maneira idealizada, mesmo sabendo que a relação pode não durar.
O videoclipe, dirigido por Joseph Kahn, foi inspirado nos romances clássicos de Hollywood e ambientado na África dos anos 1950. A produção acompanha a história de Marjorie Finn, interpretada por Taylor, e Robert Kingsley, personagem vivido por Scott Eastwood, durante as filmagens de um longa-metragem romântico.
Entre as referências cinematográficas estão The African Queen (1951), Out of Africa (1985) e The English Patient (1996). As paisagens africanas e a estética clássica reforçam a atmosfera de fantasia e escapismo da música. A produção também ganhou destaque pela decisão de Taylor de destinar os lucros do videoclipe à African Parks, organização voltada à conservação da natureza.
“Out of the Woods”
O sexto single aborda a ansiedade e a instabilidade de um relacionamento marcado por incertezas. A música foi associada ao relacionamento de Taylor Swift com Harry Styles, especialmente a um episódio em que os dois sofreram um acidente de snowmobile.
A experiência teria inspirado parte da composição, que explora a sensação de estar constantemente diante de novos obstáculos e de não saber se um relacionamento conseguirá superar as dificuldades. A frase sobre os monstros que acabam sendo apenas árvores sintetiza uma das ideias centrais da música: alguns medos podem parecer maiores do que realmente são, especialmente quando a insegurança se mistura à pressão externa. Com sua produção marcada por sintetizadores e batidas intensas, Out of the Woods reforça o caráter emocional e vulnerável de 1989.
“New Romantics”
O sétimo e último single da era foi lançado a partir da edição deluxe de 1989. A música aposta no synth-pop para abordar a capacidade de transformar críticas, decepções e experiências difíceis em fontes de força e autoconfiança.
Na letra, Taylor apresenta uma perspectiva sobre a juventude, os relacionamentos e as imperfeições, mostrando como essas experiências podem contribuir para o amadurecimento. O videoclipe reúne imagens de apresentações da 1989 World Tour, quarta turnê mundial da cantora, aproximando o público da experiência dos shows e celebrando a conexão entre a artista e seus fãs.
1989 (Taylor’s Version)
Lançado em 27 de outubro de 2023, 1989 (Taylor’s Version) é o quarto álbum regravado por Taylor Swift. O projeto faz parte de uma iniciativa da cantora para recuperar o controle sobre suas gravações originais.

Capa oficial do “1989 (Taylor´s Version)”. Imagem: Divulgação.
A decisão de regravar seus primeiros álbuns surgiu após uma disputa envolvendo os direitos das gravações originais e sua antiga gravadora, a Big Machine Records, em 2019. Como parte dessa estratégia, Taylor passou a relançar seus trabalhos com novas gravações, buscando maior controle sobre suas obras.
A nova edição de 1989 apresenta 21 faixas, incluindo as regravações das músicas da versão padrão, as três faixas adicionais da edição deluxe e cinco canções inéditas da seção “From the Vault”. Essas faixas foram compostas durante o período de criação do álbum original, mas não haviam sido selecionadas para o lançamento de 2014.
A edição também inclui materiais adicionais relacionados à era, ampliando o repertório disponível para os fãs e permitindo que o público conheça outras composições desenvolvidas durante a produção do disco.
O impacto cultural de 1989
O lançamento de 1989 representou um dos momentos mais importantes da trajetória de Taylor Swift. Ao deixar para trás suas principais influências do country e investir em uma sonoridade pop, a cantora ampliou seu público e consolidou sua presença entre os principais nomes da música internacional.
O álbum também se destacou pelo desempenho nas paradas. Durante sua divulgação, cinco singles alcançaram o top 10 da Billboard Hot 100, um feito que reforçou a força comercial do projeto e a capacidade de Taylor de transformar diferentes faixas em sucessos.

Taylor Swift em imagem promocional. Imagem: Divulgação.
As músicas permaneceram em evidência nas rádios norte-americanas por um longo período após o lançamento, contribuindo para a presença cultural do álbum durante a década de 2010. Além do sucesso comercial, 1989 ajudou a redefinir a imagem pública da cantora. A mudança musical demonstrou sua disposição para experimentar novas sonoridades e ampliar as possibilidades de sua composição, sem abandonar as experiências pessoais como fonte de inspiração.
O álbum também influenciou a maneira como Taylor passou a construir suas próximas eras, tanto musical quanto visualmente, estabelecendo uma identidade pop que continuaria a se transformar nos anos seguintes.
voltar
Tá na boca do povo:



Não fique por fora
