Lazzo Matumbi leva samba-reggae e resistência ao AFROPUNK Brasil 2026

sábado, 7 de novembro de 2026
por Maria Clara

O cantor baiano Lazzo Matumbi foi um dos destaques da primeira noite do AFROPUNK Brasil 2026, realizado neste sábado (07), em Salvador. No Palco Gira, o artista agitou o público ao apresentar sucessos de sua trajetória musical, marcada pela valorização da cultura afro-baiana, pela afirmação da identidade negra e pela consciência social.

Lazzo Matumbi no Festival AFROPUNK Brasil 2026. Imagem: AFROPUNK/YouTube.

Lazzo Matumbi no Festival AFROPUNK Brasil 2026. Imagem: AFROPUNK/YouTube.

Reconhecido como uma das vozes fundamentais na consolidação do samba-reggae, Lazzo construiu uma carreira profundamente ligada à resistência histórica e à valorização das raízes africanas. Suas composições abordam questões sociais, identidade, ancestralidade e a importância da cultura negra na formação da sociedade brasileira. Um dos momentos marcantes da apresentação foi a interpretação de um poema de André Luiz Oliveira, por meio do qual o cantor denunciou as desigualdades sociais e reafirmou a importância da luta e do reconhecimento da população negra.

Ato de abertura de Lazzo Matumbi no Festival AFROPUNK Brasil 2026. Imagem: AFROPUNK/YouTube.

Ato de abertura de Lazzo Matumbi no Festival AFROPUNK Brasil 2026. Imagem: AFROPUNK/YouTube.

Entre os sucessos que fazem parte de sua trajetória está 14 de Maio, uma de suas canções mais emblemáticas. A música estabelece uma reflexão sobre o período posterior à abolição da escravidão no Brasil, em 13 de maio de 1888, evidenciando como a população negra foi abandonada à própria sorte após o fim formal do regime escravocrata. Ao abordar o dia seguinte à assinatura da Lei Áurea, a composição denuncia a ausência de políticas públicas, oportunidades e condições dignas de sobrevivência para os negros libertos. Dessa maneira, a canção se tornou um importante símbolo de memória, resistência e afirmação da identidade negra.

O repertório de Lazzo também reúne músicas como “Me Abraça e Me Beija”, “Alegria da Cidade”, “Do Jeito Que Seu Nego Gosta” e “Por Amor”, além de releituras de grandes compositores brasileiros.

Durante a apresentação, o artista também recebeu o rapper soteropolitano Ravi Lobo, um dos nomes do hip-hop contemporâneo da Bahia. Com mais de uma década de carreira, o músico ganhou reconhecimento por sua atuação no grupo Rap Nova Era e por desenvolver uma produção marcada pela crítica social e pelas vivências das periferias de Salvador. Seu trabalho mais recente, Shakespeare do Gueto II, apresenta uma proposta musical diversificada, com composições que exploram diferentes questões sociais e experiências cotidianas.

Ravi Lobo e Lazzo Matumbi no Festival AFROPUNK Brasil 2026. Imagem: AFROPUNK/YouTube.

Ravi Lobo e Lazzo Matumbi no Festival AFROPUNK Brasil 2026. Imagem: AFROPUNK/YouTube.

Antes de subir ao palco, durante a passagem de som, Lazzo demonstrou entusiasmo com a oportunidade de participar de mais uma edição do festival. O cantor também participou de um bate-bola descontraído, compartilhando curiosidades sobre seus gostos pessoais.

 

Esta não é a primeira participação do artista no AFROPUNK Brasil. Em 2025, Lazzo esteve na edição realizada em Salvador ao lado de Tatau e Márcia Short, em um encontro especial que celebrou os 40 anos do axé music. Na ocasião, o repertório reuniu clássicos do gênero e sucessos da música afro-baiana.

Ao encerrar sua apresentação em 2026, Lazzo Matumbi reafirmou a força de uma trajetória construída por meio da música, da ancestralidade e da consciência social. Entre o balanço do samba-reggae, as influências do soul e a riqueza da música baiana, o cantor transformou o Palco Gira em um espaço de celebração da cultura negra, resistência e orgulho das próprias raízes.

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