Adéla aposta no estilo messy girl e resgata nostalgia punk com visual provocante
Cabelo rosa, sobrancelhas descoloridas, maquiagem borrada e calças de cintura baixa: a artista eslovaca transforma referências dos anos 2000 em uma estética que mistura punk, clubber e suas raízes do Leste Europeu.

Adéla em gravação para o clip da música Nicole Kidman. Foto: Reprodução/Instagram.
Provando que as garotas mais cool não saem de Los Angeles, Adéla vem construindo uma identidade visual tão marcante quanto sua personalidade. Com cabelo rosa, sobrancelhas descoloridas, maquiagem propositalmente borrada e uma paixão por calças de cintura baixa, a artista eslovaca aposta em uma estética que mistura a nostalgia punk dos anos 2000 com o atual movimento messy girl.
Aos 22 anos, Adéla já passou por uma das maiores vitrines da música pop atual. A artista participou do Pop Star Academy, reality show que acompanhou a formação do KATSEYE, mas acabou não sendo escolhida para integrar o grupo feminino global. O que poderia ter sido o fim de um capítulo, no entanto, acabou abrindo espaço para que ela desenvolvesse uma identidade própria.
Do ballet ao clubber
Antes da música, Adéla construiu sua relação com o corpo e com a performance por meio do ballet. A experiência como bailarina profissional também aparece em sua estética, mas ganha uma leitura completamente diferente quando misturada às referências de sua infância e juventude no Leste Europeu.

Adéla em imagem publicada nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram.
Seu estilo combina elementos tradicionalmente associados ao ballet com referências das ravers eslovacas e das modelos do início dos anos 2000. O resultado? Figurinos que poderiam facilmente estar em uma pista de dança, mas carregam a delicadeza e as silhuetas de uma bailarina.
A beleza do “feio”
Em parceria com seu stylist, Chris Horan, Adéla encontrou uma maneira de transformar suas raízes em parte fundamental de sua imagem.

Adéla em imagem publicada nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram.
Para a artista, a colaboração também trouxe referências da arquitetura brutalista e dos espaços comunistas e pós-comunistas do Leste Europeu. Em entrevista à Nylon, ela contou que Horan quis se aprofundar em sua herança e explorar justamente aquilo que poderia ser considerado “feio” pelos padrões ocidentais.
“Há algo realmente fabuloso nisso”, afirmou.
A ideia aparece diretamente em seus figurinos. Peças inspiradas no ballet ganham uma estética clubber, enquanto elementos considerados imperfeitos ou despojados passam a funcionar como parte do visual.
O messy é proposital
Se existe uma regra no estilo de Adéla, provavelmente é não parecer que passou horas tentando parecer perfeita.
A estética messy girl aparece em cabelos propositalmente bagunçados, maquiagem borrada, sobrancelhas descoloridas e uma aparência que parece ter sido construída depois de uma longa noite de festa. O lápis preto na linha d’água não precisa estar perfeitamente aplicado.
Nas redes sociais, essa estética também se estende às fotografias. Adéla aposta em filtros e edições que lembram a internet de 2014, criando uma nostalgia que mistura Tumblr, selfies antigas e o caos visual característico das primeiras redes sociais.

Adéla em imagem publicada nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram.
Cabelo rosa? Com certeza.
Se existe um elemento capaz de resumir a estética de Adéla, é o cabelo rosa.
A cor se tornou praticamente uma assinatura visual da artista e reforça o lado punk de sua imagem. Em uma publicação no Instagram, ela incentivou seus seguidores a experimentarem os fios coloridos e citou diversas divas pop que já apostaram no rosa, incluindo Madonna, Rihanna, Britney Spears, Lady Gaga, Ariana Grande, Beyoncé e Miley Cyrus.
“É minha crença, toda garota deveria ter seu cabelo rosa pelo menos uma vez”, escreveu.
O cabelo funciona como uma extensão da personalidade que Adéla quer transmitir: divertida, rebelde e completamente aberta à experimentação.
Calça de cintura baixa e nostalgia dos anos 2000
A nostalgia Y2K também aparece com força no guarda-roupa da artista. As calças de cintura baixa, que voltaram a circular entre as novas gerações, encontram em Adéla uma interpretação mais punk e despojada.

Adéla em imagem publicada nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram.
Em vez de reproduzir exatamente o visual dos anos 2000, ela mistura essas referências com peças de ballet, acessórios clubber e elementos de sua própria cultura.
O resultado é uma estética que parece familiar, mas nunca exatamente igual ao que já vimos antes.
A nova garota punk
Adéla faz parte de uma geração de artistas que entende que música, moda e beleza não precisam existir separadamente. Sua estética é uma extensão de sua personalidade e, principalmente, uma maneira de brincar com diferentes versões de si mesma.
Entre o ballet e as pistas de dança, a arquitetura pós-comunista e a nostalgia Y2K, o cabelo rosa e o lápis borrado, a artista encontrou um espaço que é só seu.
Adéla não parece interessada em estar impecável. Ela quer parecer ela mesma.
Em uma época em que tantas tendências surgem e desaparecem em questão de semanas, a artista aposta em algo um pouco mais difícil de reproduzir: uma identidade visual construída a partir de suas próprias referências, memórias e contradições.
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