Além da música, confira legado filantrópico de Dolly Parton
Dolly Parton ficou conhecida mundialmente por sucessos como “Jolene” e “I Will Always Love You”. No entanto, a trajetória da cantora, que morreu aos 80 anos na última terça-feira (25), também foi marcada por um extenso trabalho filantrópico. Ao longo de quase quatro décadas, a artista destinou parte de sua fortuna a projetos voltados principalmente para educação, alfabetização, saúde e auxílio a comunidades afetadas por desastres.

Dolly Parton em foto promocional. Imagem: Reprodução
Além disso, muitas das iniciativas de Dolly tiveram origem em experiências vividas durante sua infância no Tennessee. A cantora cresceu em uma família numerosa e de poucos recursos, sendo a quarta de 12 filhos. Seu pai, Robert Lee Parton, era um homem considerado muito inteligente, mas não sabia ler nem escrever. Dessa forma, a dificuldade enfrentada por ele acabou se tornando uma das principais inspirações para o trabalho educacional desenvolvido pela artista.
A educação como ponto de partida
Em 1988, Dolly criou a Dollywood Foundation, inicialmente com o objetivo de combater a evasão escolar em seu condado natal, Sevier County, no Tennessee. Para isso, a organização criou um programa que oferecia US$ 500 a estudantes que permanecessem na escola e concluíssem o ensino médio.
O projeto apresentou resultados expressivos. Segundo dados divulgados sobre a iniciativa, a taxa de abandono escolar no condado caiu de aproximadamente 35% para 6%. Assim, a primeira grande iniciativa filantrópica de Dolly mostrou que seu trabalho poderia produzir mudanças concretas na comunidade onde cresceu.
No ano seguinte, a cantora também passou a oferecer bolsas de US$ 500 para estudantes de Sevier County interessados em frequentar a Hiwassee College. Posteriormente, suas iniciativas educacionais foram ampliadas para outros projetos voltados ao acesso ao ensino superior.
Imagination Library: o projeto que ganhou o mundo
Entretanto, foi em 1995 que Dolly criou aquela que se tornaria sua iniciativa filantrópica mais conhecida: a Dolly Parton’s Imagination Library.
O programa nasceu justamente da experiência de Dolly com o pai. Como Robert Lee Parton nunca havia aprendido a ler e escrever, a cantora passou a enxergar os livros como uma ferramenta capaz de mudar o futuro de uma criança. Por isso, decidiu criar um projeto que disponibilizasse livros gratuitamente para crianças pequenas.
Inicialmente, a Imagination Library atendia crianças de seu condado natal. Com o passar dos anos, porém, o projeto se expandiu para outros países, incluindo Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Irlanda e Austrália. Atualmente, a iniciativa distribui milhões de livros todos os meses para crianças desde o nascimento até os cinco anos de idade.
Além disso, a distribuição dos livros não depende da renda da família. Dessa maneira, crianças de diferentes condições econômicas podem receber gratuitamente obras adequadas à faixa etária.
O alcance do programa também impressiona. Segundo dados divulgados pela própria organização e reportados após a morte da cantora, a Imagination Library já ultrapassou a marca de 300 milhões de livros distribuídos ao redor do mundo.
Para Dolly, portanto, o projeto representava mais do que simplesmente entregar livros. A iniciativa carregava a ideia de oferecer às crianças oportunidades que seu próprio pai não teve.
Filantropia também na saúde
A atuação de Dolly, entretanto, não ficou restrita à educação. Ao longo dos anos, a cantora também destinou recursos para hospitais e pesquisas médicas.
Em 2007, por exemplo, Dolly realizou um show beneficente que arrecadou US$ 500 mil. Somados a contribuições da Dollywood e do Dixie Stampede, os valores chegaram a US$ 1 milhão destinados a projetos médicos na região do Tennessee.
Mais tarde, em 2020, durante a pandemia de Covid-19, Dolly doou US$ 1 milhão para pesquisas realizadas pela Vanderbilt University. O dinheiro ajudou a financiar estudos relacionados ao desenvolvimento da vacina da Moderna.
Além disso, a cantora manteve uma relação próxima com instituições voltadas à saúde infantil. Em 2026, o antigo East Tennessee Children’s Hospital, em Knoxville, anunciou que passaria a levar o nome de Dolly Parton, em reconhecimento à parceria e ao apoio oferecido pela artista ao longo dos anos.
Ajuda após desastres naturais
A solidariedade de Dolly também apareceu em momentos de crise. Em 2016, incêndios florestais atingiram a região de Great Smoky Mountains, no Tennessee, afetando milhares de pessoas.
Diante da situação, a cantora criou o My People Fund, iniciativa que forneceu auxílio financeiro diretamente às famílias atingidas. Além disso, Dolly organizou um teleton beneficente que arrecadou milhões de dólares para as vítimas.
Anos depois, em 2024, a artista voltou a mobilizar recursos após o furacão Helene atingir comunidades do sul dos Estados Unidos. Dolly anunciou uma doação de US$ 1 milhão para as vítimas no leste do Tennessee, enquanto empresas ligadas a ela e a Dollywood também contribuíram com outros US$ 1 milhão.
Assim, o auxílio em situações emergenciais se tornou outra parte importante da trajetória filantrópica da cantora.
Um legado reconhecido internacionalmente
O trabalho desenvolvido por Dolly Parton também recebeu reconhecimento de importantes instituições. Em 2022, a cantora recebeu a Carnegie Medal of Philanthropy, uma das principais homenagens internacionais dedicadas a grandes nomes da filantropia.
Além disso, a Imagination Library recebeu diferentes prêmios relacionados à educação e à alfabetização. Entre eles, estão reconhecimentos da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e de organizações educacionais.
Por isso, embora Dolly tenha construído uma das carreiras mais importantes da música country, sua influência não se limitou aos palcos. Ao transformar parte de seu sucesso em investimentos destinados a crianças, estudantes, pacientes e famílias em situações de emergência, a cantora criou um legado que continua alcançando pessoas ao redor do mundo.
Dolly Parton além da música
Dolly Parton costumava falar sobre a importância de retribuir aquilo que recebeu ao longo da vida. No caso da filantropia, essa ideia ganhou uma dimensão ainda maior quando suas experiências de infância se transformaram em projetos permanentes. A história de seu pai, especialmente, ajudou a definir sua principal missão: ampliar o acesso das crianças aos livros e à educação. Dessa forma, uma dificuldade familiar acabou dando origem a uma iniciativa que alcançou milhões de pessoas.
Além dos livros, porém, Dolly deixou contribuições para hospitais, pesquisas médicas, estudantes e comunidades afetadas por desastres. Ao mesmo tempo, utilizou sua visibilidade para apoiar diferentes causas sociais e comunitárias. Por fim, o legado filantrópico de Dolly Parton mostra que sua importância cultural vai muito além das músicas que se tornaram clássicos. Enquanto sua voz permanece presente na história da música, os projetos criados pela cantora continuam atuando na vida de crianças e famílias.
Mais do que uma estrela do country, Dolly Parton se tornou uma das artistas que transformaram fama e recursos em oportunidades para outras pessoas. E, justamente por isso, seu legado permanece vivo não apenas nas canções, mas também nos livros que continuam chegando às mãos de novas gerações.
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