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Canada’s Drag Race All Stars: a estreia que prometeu talento, estratégia e muito drama

segunda-feira, 13 de julho de 2026
por Arthur Rodrigues

Demorou, mas finalmente chegou. Depois de temporadas de vs. The World com resultados bem debatidos pelo fandom, o Canada’s Drag Race resolveu apostar no seu próprio All Stars. E a estreia entregou exatamente o que a gente precisava: looks, estratégia, drama desnecessário e um grande momento de televisão protagonizado por quem mais ninguém esperaria outra coisa.

Elenco de "Canada's Drag Race All Stars Season 1". Imagem: Reprodução

Elenco de “Canada’s Drag Race All Stars Season 1”. Imagem: Reprodução

Mas antes de tudo, vamos falar do elefante na werkroom: Jackie Cox e Pythia. A produção claramente sabia o que estava fazendo ao escalar as duas. Jackie, canadense de nascimento que competiu na 12ª temporada do RuPaul’s Drag Race americano, chega como um curinga simpático, mas imediatamente colocada sob microscópio. Pythia, veterana da 2ª temporada canadense e da Global All Stars, entra como a ameaça declarada da temporada, com Aurora Matrix chegando a criticar o look de entrada dela no confessionário. Aurora, perpetuamente doce, mandando uma indireta. É muita coisa para o primeiro episódio.

O cast, no geral, impressiona desde o primeiro segundo. As entradas estão em outro nível comparadas às temporadas originais de cada uma. Makayla Couture, em particular, parece ter passado os últimos anos se preparando especificamente para esse momento. Sami Landri, por sua vez, chegou com uma energia diferente: se na sexta temporada ela era a goof queen por excelência, aqui ela claramente decidiu que veio para ganhar.

O desafio

O Maxi Challenge da semana foi o Miss CUNT-intental Pageant, dividido em três categorias: look de praia, número de talento e look de gala. A proibição de lip sync nos talentos foi um dos pontos mais comentados pelos fãs antes da estreia, e o resultado é… dividido. Pythia carregando uma mesa com a boca enquanto mostra o peito peludo é televisão de verdade. Sami sapateando com timing cômico perfeito é exatamente o que esperamos dela. Por outro lado, Juice Boxx levantando um homem e deixando ele cair, e Nearah empilhando copos sem conseguir chegar nem perto do fim, deixaram claro por que o lip sync dominou o formato por tanto tempo. Drag tem uma linguagem própria, e esses talentos simplesmente não falaram nela.

Jackie cantou uma canção original sobre as vantagens de estar no Canadá, com uma voz bonita, mas teve uma performance que ficou aquém. Ela própria admite que poderia ter entregado mais. O problema de Jackie nesse episódio não é a execução, é a sensação de que ela ainda está em 2020. O look de gala que remetia à fantasia de gênio da temporada 12 é bonito, mas não é crescimento. Para uma queen voltando após seis anos, a barra para mostrar evolução é alta.

O momento do episódio

Pythia venceu a semana, com mérito absoluto. Porém, a vitória dela virou quase nota de rodapé diante do caos que Nearah Nuff instalou no Mini Untucked. A mecânica do Golden Beaver mudou nessa temporada: quem escolhe a queen salva do bottom não é mais a vencedora do episódio, mas sim o voto coletivo das demais participantes. É uma mudança que muda tudo estrategicamente, e a maioria do elenco entendeu isso imediatamente. No entanto, Nearah, resolveu fazer o oposto: anunciou em voz alta suas alianças, declarou ser a maior dubladeira do Canada’s Drag Race e ameaçou “despedaçar” qualquer um que fosse contra ela no lip sync. Resultado: zero votos para ser salva. Zero.

Estratégia? Talvez deliberada, para forçar a dubladeira mais forte da temporada a já ir para o palco no episódio 1. Seja como for, funcionou.

O lip sync

Jackie Cox e Nearah Nuff dublaram “Where’s My Husband“, da RAYE, e as duas seguiram estilos opostos: Jackie apostou no humor; Nearah foi na energia física. O problema é que a música pede algo que nenhuma das duas entregou completamente. Jackie ficou contida demais. Nearah, apesar dos death drops e das piruetas, também pareceu distante do texto da canção.
Brooke Lynn ficou com Nearah, e Jackie dá o sashay away no primeiro episódio. É brutal ver uma quinta colocada em uma das temporadas mais fortes da franquia americana sair antes de todo mundo. Mas esse elenco veio para jogar, e o novo formato do Golden Beaver deixa absolutamente claro: ninguém está seguro só por ter um histórico bonito.

Pensamentos finais

Em conclusão, o episódio de estreia entregou o que o Canada’s Drag Race sempre soube fazer melhor que as outras franquias: transformar o werkroom em um espaço de personagens reais, com motivações reais e conflitos que rendem televisão de verdade. O momento de Jackie falando sobre sua situação como imigrante nos Estados Unidos pós-Trump, com parentes do outro lado da fronteira e medo de perder o direito de trabalhar lá, foi um dos mais genuínos da noite, e faz a saída dela doer ainda mais. Por fim, o elenco tem fôlego para muitas semanas de drama. Makayla com alianças duplas, Sami furiosa com Nearah, Pythia como ameaça declarada e Juice ainda tentando sair da sombra da primeira temporada. Chegamos bem.

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