Crítica: Ayra Starr em “Starrgirl” manifesta a potência rítmica da música pop africana
É muito legal ver o crescimento de alguns artistas pop africanos levando a grandiosidade das manifestações artísticas de seus países para o mercado pop global. Ayra Starr com “Starrgirl” promove uma obra que representa o amadurecimento de seu repertório, embora com espaço a poder ser edificado em sua discografia.

Capa oficial de “Starrgirl”, novo álbum de Ayra Starr. Foto: Divulgação.
A maior qualidade de “Starrgirl” reside em seu excelente domínio com o caráter rítmico da música africana. O ritmo energético com elementos percussivos relacionados à gêneros africanos movimenta esse álbum. A maioria do disco é marcado por uma mistura de batidas e ganchos do afrobeats com elementos que remetem ao dancehall e o log drum do amapiano, criando esse pop que mistura referências nigerianas, sul-africanas, e até jamaicanas, em um ambiente muito dançante e animador.
A abordagem realizada por Ayra Starr é em comparação menos inventiva a outros artistas do continente, que estão lançando álbuns recentemente que desafiam as barreiras dos gêneros de música popular africana ou manifestam em suas obras a variedade musical presente em seus país de origem e no vasto continente. Starrgirl é mais linear e pouco aventurador, focando no estilo de instrumentação mencionado com poucas mudanças. Essa configuração, embora seja essencial para a construção de um ritmo incessante ao longo de todo o álbum, faz o disco se tornar um pouco previsível a partir de certo momento.
Quando o disco não se fixa no afrobeats, ele se direciona para sonoridades pop consolidadas no mercado norte-americano, como o synthpop de “Misunderstood” e a balada voz e piano de “Heaven Baby”, parceria com Zayn. Esses dois momentos são exemplos em que Ayra se afasta das referências musicais africanas em faixas cansativas e sem personalidade, enquanto “Letter To God” e “Amazing” acertam em trabalhar com o r&b. A primeira traz um groove poderoso com batidas inspiradas no hip-hop em um ritmo mais lento próximo ao trip-hop, carregando também uma das letras mais vulneráveis do disco, em que a artista explora as incertezas em um relacionamento e sua fé em Deus que funciona como uma guia para protegê-la dentro dos aspectos de sua vida. “Amazing” tem uma mistura sedutora de batidas de trap com guitarras brilhantes.
Com Starrgirl, é possível ver Ayra Starr, após dois álbuns que fizeram parte de sua escalada para firmar sua personalidade musical, dando um passo além em um disco mais poderoso ao mostrar o poder rítmico da música africana dentro de um álbum pop que não traz surpresas, mas constrói um som muito divertido.
GÊNERO: AFROBEATS
LANÇAMENTO: 14/08/2026
GRAVADORA: Republic
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