Crítica: Bea Miller retoma o controle da própria narrativa em “Mr. Peaked In High School”
Em seu terceiro álbum de estúdio, Bea Miller encara o medo de já ter vivido o auge da carreira e prova que está longe de ficar no passado.

Capa do álbum “Mr. Peaked In High School”, de Bea Miller. Imagem: Divulgação.
A multiartista de 27 anos retoma o controle da própria história em “Mr. Peaked In High School”, seu terceiro álbum de estúdio. O disco chega pelo selo próprio da cantora, Annika Productions, com licenciamento exclusivo através da Republic Records, e encerra um hiato de anos desde “aurora” (2018), segundo álbum de estúdio, e “elated!” (2020), EP lançado na pandemia.
Encarando o medo de ter atingido o auge cedo demais
Ao longo de 13 faixas, Bea confronta a insegurança e o medo de já ter vivido seu auge ainda na adolescência. A cantora, porém, encontra um jeito leve e bem humorado de lidar com pensamentos sombrios e autodepreciativos, de modo que o álbum transforma dor em música divertida, sem soar piegas ou datado.
Aliás, a faixa “born to lose” resume bem essa proposta. Nela, Bea usa o humor autodepreciativo para lutar contra a narrativa interna de que já passou do seu auge. Além disso, ela ironiza um saudosismo de se sentir como uma garota que viveu o auge da vida no ensino médio, embora nunca o tenha frequentado por conta da rotina intensa da carreira. Já “depressed on the internet”, single de trabalho do álbum, expõe com ironia como as gerações mais jovens performam o sofrimento mental nas redes sociais.
Um resgate consciente de todas as fases
Não obstante, o que mais impressiona em “Mr. Peaked In High School” é a sensação de acerto de contas com o próprio passado. Faixas como “L.A. UGLY” e “summer of ’16” revisitam o isolamento de crescer cercada por executivos mais velhos da indústria musical, longe da vida comum de uma garota dessa idade.
Já “hottest girls” aposta em um humor afiado e autoconsciente, com sintetizadores brilhantes que remetem diretamente à fase pop de “aurora”. Portanto, percebe-se que o novo álbum da aquariana não foge do passado: ele o reencontra com maturidade e ironia.
Musicalmente, o álbum transita com naturalidade entre o pop, alternativo e R&B. Em “take you with me”, Bea mistura uma entrega vocal mais grunge e raivosa com uma sonoridade indie-rock crua, lembrando fases anteriores como “Young Blood”, seu EP debut. Talvez seja por isso que o resultado soa mais vivo e menos artificial que boa parte do pop contemporâneo.
O projeto se encerra com “PARTY”, faixa caótica e cheia de energia que também conta com a colaboração de Adore Delano nos vocais de apoio. A música de encerramento funciona como um suspiro desafiador de Miller, diante da bagunça de viver a própria metade dos vinte anos. Portanto, cada escolha de produção parece intencional, sem excessos.
Além disso, vale destacar outro ponto positivo: a produção executiva ficou por conta de Justin Tranter, parceiro de longa data e que já trabalhou com artistas como Lady Gaga, Selena Gomez e Britney Spears, mentora de Bea Miller no reality “X Factor USA”.
Um disco que merece o olhar do público geral
“Mr. Peaked In High School” entrega boas composições, uma equipe de peso e uma artista completamente à vontade com sua própria história. Depois de anos sendo definida pela indústria musical e por sua versão adolescente, Bea reclama sua narrativa de volta. Por fim, o álbum vai muito além do público fiel de longa data: trata-se de um trabalho maduro, divertido e sinceramente bem produzido, que merece a atenção da massa popular e destaque na próxima temporada das premiações.

GÊNERO: Pop, Alternativo, R&B
GRAVADORA: Annika Productions, sob licença de Republic Records
LANÇAMENTO: 18 de setembro de 2026
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