Crítica: “I Think I Spoke Too Soon” traz inovação para Rachel Chinouriri, transitando do pop rock ao synthpop

segunda-feira, 19 de outubro de 2026
por Davi Bittencourt

Rachel Chinouriri se nega a permanecer estática na sonoridade de sua estréia, e traz inovação que dialoga com seu trabalho antigo mas representa ares claramente novos para sua discografia.

Capa de "I Think I Spoke Too Soon", álbum de Rachel Chinouriri. Imagem: Divulgação.

Capa de “I Think I Spoke Too Soon”, álbum de Rachel Chinouriri. Imagem: Divulgação.

O pop rock que marcou “What A Devastating Turning Of Events” permanece aqui, no entanto, como um elemento que dialoga com outra força que move esse disco: o synthpop com inspirações nos anos 80. Camadas de sintetizadores lustrosos e baterias com reverbs fortes realizam um pop sofisticado e ao mesmo tempo dançante característico das produções synthpop dos anos 80 que dialogava com outros estilos em seu auge na década: o sophisti-pop e o freestyle.

Existe um momento do álbum muito interessante em que ele transiciona em uma fluidez suave do pop sintético para elementos mais orgânicos do rock. A partir de “Baby Steps”, as baterias que antes tinham um timbre claramente eletrônico se tornam próximas ao de uma bateria acústica. Nessa faixa ainda os sintetizadores tomam um espaço central, mas dialoga com o dream pop, gênero de rock alternativo, realizando uma atmosfera deliciosamente onírica. Em seguida, o registro entra em uma sequência das três canções mais voltadas ao rock da obra, e que vão tendo seus elementos característicos do gênero potencializados a cada canção. “Favourite Desperation” mantém, apesar das guitarras rasgadas, batidas eletrônicas, enquanto “I’m A Star” já traz uma instrumentação indie rock muito mais orgânica, “AAAHHH!!!” dá um passo além e se afasta da estrutura e sensibilidades melódicas do pop e traz uma performance voltada totalmente ao rock alternativo, com um estilo mais despojado e tom ousado.

O synthpop volta com força nas próximas faixas. “Broken Chair” tem um dos trabalhos mais inteligentes de sintetizador no disco, utilizando de melodias que se alternam em forma de chamada e resposta, o que cria uma estrutura muito cativante. “Make Believe” mistura batidas dançantes com um padrão próximo ao ritmo do freestyle, porém alinhado à vocais suaves e sintetizadores etéreos, enquanto “Parasite” utiliza dessa bateria em uma produção mais energética, em que as guitarras agitadas se unem para construir uma energia poderosa. Apesar disso, as melodias são soturnas e, adicionadas às letras que reproduzem um cenário sinistro para abordar o tema de se apaixonar por um “parasita”, parece funcionar como um hino de halloween dance-pop oitentista que relembra a proposta de clássicos do pop dos anos 80 como “Somebody’s Watching Me”.

A melhor canção dentre os momentos centrados no rock é o encerramento, “Crash This Car”, em que guitarras distorcidas com melodias leves constroem um aspecto melancólico cheio de emoção. “I Think I Spoke Too Soon” é uma sequência para sua estréia excelente, que sabe como buscar coisas novas para sua carreira sem perder o que já foi construído.

 

Gênero: Synthpop / Pop Rock

Gravadora: Parlophone

Data de lançamento: 16/10/2026

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