Drake lança o novo álbum “Iceman” e prova que ainda domina o rap

sexta-feira, 15 de maio de 2026
por Alice Arruda

Drake lançou nesta sexta-feira (15) o álbum “Iceman”, seu primeiro projeto solo desde a intensa disputa pública com Kendrick Lamar. Cercado de expectativa desde o início da divulgação promovida pelo artista nos últimos meses, o disco chega como uma resposta direta à onda de ódio que enfrentou entre 2024 e 2025. O projeto conta com 18 faixas e pouco mais de uma hora de duração.

Drake em foto promocional para o álbum "Iceman". Imagem: Divulgação.

Drake em foto promocional para o álbum “Iceman”. Imagem: Divulgação.

O lançamento foi anunciado após a transmissão ao vivo do episódio final da série “Iceman”. Durante a live, Drake exibiu os visuais do álbum, “congelou” a CN Tower em Toronto e promoveu um show de fogos na orla da cidade, antes de revelar que lançaria não apenas “Iceman”, mas também outros dois projetos simultaneamente.

Com a chegada dos discos às plataformas digitais, usuários relataram instabilidade no Spotify. Em “Iceman”, Drake transforma os desdobramentos da rivalidade com Kendrick Lamar em tema central, abordando traições, desgaste emocional e a sensação de isolamento após antigos aliados se posicionarem contra ele durante o auge da disputa.

O título do álbum faz referência ao Homem de Gelo, personagem da Marvel conhecido como Bobby Drake, e funciona como metáfora para a nova postura adotada por Drake. Ao longo do disco, o artista assume uma persona mais fria e confrontadora, direcionando críticas à indústria musical e a nomes influentes da cena do rap.

Musicalmente, “Iceman” prioriza letras densas, batidas inspiradas no rap clássico e composições centradas em técnica, rimas e storytelling. Logo na abertura, “Make Them Cry” apresenta um Drake introspectivo, refletindo sobre envelhecimento, conflitos internos, problemas com a gravadora e questões familiares, incluindo o câncer de seu pai, Dennis Graham.

Entre os destaques do álbum estão “Dust”, “Whisper My Name” e “Janice STFU”. Nesta última, Drake envia indiretas para JAY-Z, Rick Ross e Kendrick Lamar.

“Distribuindo peru no Natal pras câmeras dentro da quebrada, depois voltam pras mansões. Quantas casas você construiu? Quantas almas você curou depois de assinar contrato?”, dispara Drake em “Janice STFU”, faixa com versos direcionados a Kendrick Lamar.

Em “Ran To Atlanta”, Drake volta a colaborar com Future, marcando a retomada da amizade entre os rappers após o desgaste provocado pela disputa envolvendo Kendrick Lamar. A faixa também conta com a participação da artista underground em ascensão Molly Santana.

A colaboração de Future ainda carrega um tom simbólico, já que Kendrick Lamar acusou Drake, durante a disputa, de recorrer à cena musical de Atlanta para fortalecer sua imagem e ampliar seu sucesso comercial. A presença de Future no álbum funciona como uma resposta indireta a essas críticas e sugere, de forma implícita, o posicionamento de parte da cena de Atlanta após o conflito.

Já em “Make Them Pay”, Drake critica DJ Khaled por nunca ter se posicionado publicamente em defesa da Palestina, apesar de sua ascendência palestina. Na faixa, o rapper também volta a alfinetar Kendrick Lamar ao mencionar a queda nos streams do rival após o fim da disputa pública, alimentando especulações entre parte do público sobre um suposto uso de bots para impulsionar os números do artista durante o conflito.

“E agora eles têm um novo GOAT e precisamos testar essa posição. Porra! Quem é esse cara afinal? Acho que um mágico. Cem milhões de streams sumiram e ninguém questionou esses caras? Talvez eu funcione melhor como vilão.”

A faixa também inclui críticas a J. Cole e ao debate em torno do chamado “Big Three” do rap contemporâneo. A rivalidade entre Drake e Kendrick Lamar ganhou força após J. Cole afirmar, em seu verso na faixa “First Person Shooter”, colaboração com Drake, que os três artistas eram os maiores nomes de sua geração no rap. Kendrick respondeu negativamente à comparação, dando início à escalada do conflito. Posteriormente, J. Cole chegou a lançar uma diss contra o rapper de Compton, mas retirou a música das plataformas digitais pouco depois e pediu desculpas publicamente.

“Eu banquei dez milhões e aceitei a missão porque eu prefiro a morte do que submissão. Como você gira a chave da ignição e deixa lembranças do passado afetarem sua decisão? Eu te amo pela história que a gente viveu, mas sendo sincero, eu nunca conseguiria te perdoar. E você nunca me ligou de volta, mas o destino já tava escrito, papo reto. E foda-se esse papo de Big Three também, tinha cozinheiro demais na cozinha, aquilo já nasceu bagunçado.”

O disco ainda traz respostas direcionadas a nomes como LeBron James, A$AP Rocky, Joe Budden e DeMar DeRozan, citados por Drake em reflexões sobre lealdade, fama e ressentimento.

Apesar do tom confrontador, “Iceman” também funciona como demonstração técnica das habilidades de Drake como rapper. O álbum abandona a prioridade em hits comerciais para apostar em composições mais focadas em escrita, punchlines e construção narrativa.

Ao longo do projeto, Drake transforma ressentimento em conceito e apresenta um trabalho coeso, marcado por uma abordagem mais agressiva, introspectiva e pessoal. “Iceman” reafirma o rapper, que domina as conversas em torno do hip hop há mais de uma década, como um dos nomes mais influentes de sua geração e evidencia que, mesmo diante de tentativas de desgaste público e rejeição da indústria, uma base sólida de fãs é capaz de manter um artista no topo.

 

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