Halsey entrega show intenso e leva versão roqueira para o Rock in Rio 2026
Neste domingo (13), Halsey transformou o Palco Mundo do Rock in Rio 2026 em um grande espetáculo de rock, teatralidade e intensidade. Em uma apresentação marcada por guitarras, vocais potentes e uma atmosfera sombria, a cantora norte-americana mostrou ao público brasileiro uma de suas versões mais agressivas e experimentais.

Halsey em show no Rock in Rio 2026. Imagem: Multishow / Rock in Rio
A apresentação aconteceu na última noite do festival e veio cercada de expectativa, especialmente pelas condições de saúde enfrentadas pela artista nos dias anteriores. Halsey havia revelado que estava tratando uma infecção no rosto e chegou a brincar nas redes sociais sobre a gravidade do quadro. Após receber atendimento médico e medicamentos, ela confirmou que estava se recuperando e manteve o compromisso com o festival.
Mesmo diante do problema de saúde, a cantora subiu ao palco e entregou uma performance de alta intensidade. O repertório percorreu diferentes momentos de sua carreira, mas deu atenção especial à fase mais rock de sua discografia, reforçando a conexão com trabalhos como If I Can’t Have Love, I Want Power.
Guitarras e uma Halsey mais rock
O peso das guitarras foi um dos elementos centrais da apresentação. Em vez de apostar apenas na faceta pop que marcou parte de seus maiores sucessos, Halsey construiu um espetáculo mais próximo do rock alternativo, com novos arranjos mais pesados e uma performance vocal que acompanhou a intensidade dos instrumentos.
A escolha dialogou diretamente com a estética apresentada pela artista nos últimos anos, especialmente a partir de If I Can’t Have Love, I Want Power, álbum produzido por Trent Reznor e Atticus Ross, do Nine Inch Nails. No palco, essa influência ficou ainda mais evidente, aproximando Halsey de uma sonoridade mais industrial, sombria e visceral.
O repertório também passeou por diferentes fases da carreira, incluindo também álbuns mais antigos e seu trabalho mais recente, “The Great Impersonator”. Entre as músicas apresentadas estiveram faixas como “Nightmare”, “I am not a woman, I’m a god”, “Castle”, “Dog Years”, “You Asked for This”, “Experiment on Me”, “honey”, “Closer”, “Without Me” e “Colors”.
Entre o sombrio e o teatral
Além da música, a apresentação apostou fortemente na construção visual e dramática. Halsey ocupou o palco com uma presença performática que ajudou a criar uma atmosfera carregada e quase cinematográfica. Essa característica fez com que o show transitasse entre diferentes identidades da cantora: a estrela pop de “Without Me” e “Closer”, a artista alternativa de Badlands e If I Can’t Have Love, I Want Power e a persona mais agressiva associada a músicas como “Nightmare” e “Experiment on Me”.
O resultado foi uma apresentação que não dependeu apenas dos grandes hits para prender a atenção do público. A força esteve também na maneira como Halsey reinterpretou sua própria trajetória dentro de uma estética mais pesada.
Um retorno marcado pela superação
A apresentação de Halsey no Rock in Rio ganhou um significado ainda maior diante do histórico recente de saúde da cantora. Em 2022, a artista foi diagnosticada com lúpus e com um raro distúrbio linfo proliferativo de células T, condições que a levaram a enfrentar um longo e delicado período de tratamentos. Em 2024, ao revelar publicamente os diagnósticos, Halsey chegou a afirmar que se sentia “sortuda por estar viva” e passou a transformar a experiência em matéria-prima para sua música.
Esse processo está no centro de The Great Impersonator, quinto álbum de estúdio da cantora, lançado em 2024. Concebido durante um período em que Halsey lidava com as incertezas provocadas pelas doenças, o disco funciona como um registro íntimo de sobrevivência, mortalidade e identidade. A própria artista chegou a refletir sobre a possibilidade de aquele ser seu último álbum, enquanto explorava diferentes versões de si mesma e de suas influências musicais.
A relação entre o disco e sua condição de saúde aparece desde “The End”, faixa que abriu a divulgação do projeto e na qual Halsey aborda diretamente sua experiência com a doença. Na ocasião, a cantora também realizou doações para a Lupus Research Alliance e para a Leukemia & Lymphoma Society.
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