Jade é capa da Harper’s Bazaar UK e fala sobre novo álbum e autodescoberta
A Harper’s Bazaar UK revelou na última quarta-feira (5) uma de suas cinco capas especiais da edição “Mulheres do Ano 2025”, estrelada por Jade. Fotografada por Jem Mitchell, a cantora britânica concedeu uma entrevista em que revela estar trabalhando em seu segundo álbum de estúdio e reflete sobre o tempo que levou para se reencontrar artisticamente após o fim do Little Mix.

Jade é capa da edição especial da Harper’s Bazaar UK. Imagem: Divulgação.
Jade ganhou destaque em 2011 como integrante do grupo formado no programa The X Factor, ao lado de Perrie Edwards, Leigh-Anne Pinnock e Jesy Nelson. Com mais de 50 milhões de discos vendidos, o quarteto se tornou a primeira girl band a permanecer 100 semanas no Top 10 do Reino Unido. Em 2022, o grupo anunciou um hiato, e Jade se viu diante de um novo desafio pessoal: “Eu tive muita dificuldade para me adaptar à vida depois do grupo – as outras meninas tinham distrações melhores: famílias, filhos. Elas entraram em um novo capítulo de bom grado. Só eu. Eu não sabia o que fazer comigo mesma. Desde os 18 anos, eu vivia e respirava Little Mix. Só precisei de um tempo para me ajustar.”
Em julho de 2024, Jade fez sua estreia oficial como artista solo com o single “Angel Of My Dreams”, amplamente aclamado pela crítica e responsável por lhe render o Brit Award de “Melhor Artista Pop”. Poucos meses depois, em setembro de 2025, ela lançou o elogiado álbum “That’s Showbiz Baby!”, que marcou a primeira vez em que teve controle criativo total sobre sua obra. “Tantas pessoas não tinham ideia do que eu faço musicalmente, quem eu sou fora de um grupo”, declarou. “Uma coisa é ter uma boa voz, outra é mostrar que você é um artista com visão. Eu não sou apenas uma princesa do pop dançando no palco.”
Última entre as ex-integrantes do Little Mix a lançar um projeto solo, Jade revelou ter levado dois anos para consolidar sua identidade artística. Durante esse processo, contou com o apoio do namorado Jordan Stephens, do duo Rizzle Kicks, que a ajudou a enfrentar a síndrome do impostor. “Se a música for boa o suficiente, não importa quanto tempo leve”, dizia ele sempre que a insegurança aparecia.
No estúdio, Jade encontrou um parceiro criativo em MNEK — colaborador de nomes como Madonna e Kylie Minogue — e coescreveu as faixas “FUFN (Fuck You For Now)”, “Midnight Cowboy” e “Silent Disco” com Raye, antes de passar um ano trabalhando discretamente. A cantora permanece na RCA Records, mesma gravadora do Little Mix, que criou um fundo de bem-estar com apoio psicológico, coaching e orientação nutricional, garantindo-lhe equilíbrio sob os holofotes.
Nascida em South Shields, filha de mãe iemenita-egípcia e pai inglês, Jade recorda uma infância culturalmente rica, mas também marcada por episódios de exclusão. “Meus primeiros anos de adolescência foram difíceis e foi quando comecei a sentir quase vergonha de quem eu sou”, conta. “Quando você é do Nordeste da Inglaterra, ouve insultos racistas constantemente. […] Eu tinha medo de abraçar esse lado de mim. Ainda carrego essa vergonha.”
Hoje, porém, ela celebra a diversidade da nova geração de bandas femininas: “É incrível – tem uma chamada Katseye […] Elas são abertas sobre quem são e sua herança cultural. Essa honestidade me traz muita alegria. Há uma mudança na aceitação.”
Jade também reflete sobre o impacto das redes sociais: “Os paparazzi diminuíram, mas foram substituídos por guerreiros do teclado. Me proibi de usar o Twitter [agora X] – é um verdadeiro inferno de coisas horríveis. […] Há espaço para todos se apoiarem mutuamente.”
Entre as artistas que admira está Lily Allen, que recentemente lançou “West End Girl” e elogiou o álbum de Jade: “Ela é franca e, às vezes, sofre as consequências disso. As pessoas adoram criticar mulheres que falam o que pensam.”
Atualmente em turnê com o espetáculo “That’s Showbiz Baby! The Tour”, que em 2026 passará pela América do Norte e Europa, Jade segue dedicada ao sucessor de seu primeiro álbum. “Não quero esperar tanto tempo quanto esperei por este disco”, afirma. “Me inspiro nas principais divas pop dos anos 2000 – Britney, Madonna, Janet Jackson. Adoro artistas pop que se reinventam a cada lançamento. É a isso que aspirarei.”
Com uma trajetória marcada por reinvenção, vulnerabilidade e coragem, Jade transforma suas cicatrizes em força criativa — e prova que o brilho solo pode ser tão potente quanto o de qualquer grupo.
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