Karol G estampa a capa da edição digital de verão da Elle EUA e fala sobre sua nova era

quinta-feira, 16 de julho de 2026
por Alice Arruda

Karol G estampa a capa da edição digital de verão de 2026 da revista estadunidense Elle. Na entrevista, a estrela colombiana refletiu sobre o momento de transformação que vive na carreira, falou sobre o significado de se tornar a primeira artista latina a ocupar o posto de atração principal do Coachella e revelou o que o público pode esperar de sua próxima era musical.

Karol G na capa da edição digital de verão da Elle EUA. Foto: Elliot & Erick Jiménez/Reprodução.

Karol G na capa da edição digital de verão da Elle EUA. Foto: Elliot & Erick Jiménez/Reprodução.

Ao abordar o processo de autoconhecimento pelo qual vem passando, a cantora afirmou que tem aprendido a romper padrões e abraçar sua verdadeira essência.

“Quando as pessoas dizem que uma mulher é selvagem, não significa que ela seja um animal”, disse. “Ela é selvagem porque vai contra a corrente de como as coisas ‘deveriam’ ser, sabe?”.

Lançado em junho de 2025, seu quinto álbum de estúdio, “Tropicoqueta”, foi amplamente elogiado pela crítica e apresentou sucessos como “Si Antes Te Hubiera Conocido” e “Verano Rosa”, parceria com o cantor, compositor e produtor Feid, seu ex-namorado. Mesmo com o projeto ainda em evidência, a artista já trabalha em um novo disco, que ainda não teve título nem data de lançamento anunciados. Segundo ela, o próximo capítulo de sua carreira revelará uma faceta que sempre existiu, mas ainda não havia sido apresentada ao público.

“A próxima versão de mim será nova para as pessoas”, diz ela, “mas sempre esteve lá, adormecida.”

No dia 24 de julho, a cantora dará início à turnê mundial de estádios “Viajando Por El Mundo – Tropitour”, que seguirá até julho de 2027. A turnê sucede a “Mañana Será Bonito Tour”, considerada a quinta mais lucrativa da história entre artistas latinos. De acordo com a colombiana, o espetáculo marcará não apenas uma homenagem à comunidade latina, mas também uma nova etapa de sua evolução artística, ampliando sua proposta musical e visual.

Ao explicar o conceito por trás da nova turnê, a artista ressaltou que deseja mostrar todas as facetas de sua personalidade, sem se limitar aos rótulos que costumam lhe atribuir.

“As mulheres estão em constante transformação, tentando encontrar seu lugar no mundo. As pessoas tentam me rotular, mas eu sou tantas coisas. Claro, eu sou uma bichota, mas também sou vulnerável. Adoro que minha imagem e o que represento sejam profundamente latinos, mas também quero ser uma artista global. Às vezes, sou toda sobre cores; outras vezes, não. Há uma parte de mim que vibra na escuridão, que vibra na solidão.”

Após ser anunciada como uma das três atrações principais do Coachella deste ano, ao lado de Sabrina Carpenter e Justin Bieber, Karol G iniciou o desenvolvimento de sua apresentação em parceria com Parris Goebel, diretora criativa e coreógrafa conhecida por trabalhos com Rihanna, Lady Gaga e Jennifer Lopez. A cantora explicou que buscava uma parceria que unisse o universo criativo das duas sem abrir mão de suas raízes culturais.

“Eu queria trabalhar com a Parris em um grande projeto há anos, mas queria que nossos dois universos coexistissem”, explica a cantora. “Eu não queria que ela simplesmente chegasse e fizesse um show visualmente deslumbrante, mas sem alma. Então, tornou-se um processo de apresentá-la à minha cultura.”

Para construir o conceito do espetáculo, a artista reuniu diferentes referências, tendo como principal inspiração o livro “Mulheres que Correm com os Lobos: Mitos e Histórias do Arquétipo da Mulher Selvagem”, publicado em 1992 pela psicanalista mexicano-americana Clarissa Pinkola Estés. A obra influenciou diretamente a concepção visual da apresentação, presente no cenário inspirado em um conjunto de cavernas e na movimentação intensa da cantora e de suas bailarinas entre as estruturas de pedra. No livro, Estés utiliza contos populares para incentivar as mulheres a resgatarem sua intuição, sensualidade e essência, características que, segundo a autora, foram reprimidas ao longo da história. A colombiana revelou que conheceu a obra há cerca de cinco anos, durante um período em que estava solteira, e voltou a lê-la enquanto desenvolvia o conceito do espetáculo.

“Muitas coisas que fiz desde então foram inspiradas por aquele livro, muitas vezes sem que eu sequer percebesse”, diz ela. “Essa persona de ‘mulher selvagem’ é um estado que todos devemos almejar. Reconectar-se com nós mesmos, com nossa intuição, nossa sensualidade e nossa sexualidade, eu queria trazer isso para o palco. E queria capturar nossa essência latina: nossa história, nossa música, esse espírito ardente que temos. Viemos de uma longa história de resiliência e superação da adversidade.”

Em “Tropicoqueta“, a cantora celebra a diversidade cultural latino-americana ao explorar gêneros como bachata, cúmbia, reggaeton, funk e dembow. Segundo a artista, o projeto nasceu do orgulho por suas origens e pelo legado cultural de toda a América Latina. Ela relembrou ainda que, durante a “Mañana Será Bonito Tour”, ficou emocionada ao ver fãs de diferentes nacionalidades exibindo suas bandeiras durante os shows.

“Tropicoqueta era sobre levar um pedacinho de casa para cada lugar”, diz Karol. “No show do Coachella, foi lindo ver as pessoas trazendo suas bandeiras, especialmente considerando como, ultimamente, nos EUA, ser latino tem sido reprimido, como tentam assustar as pessoas, ou tentam nos afastar, ou realmente tirar dos latinos seu papel na evolução deste país.”

Para a colombiana, exaltar a identidade latina está longe de ser uma tendência passageira. A artista acredita que a música tem o poder de aproximar culturas, romper barreiras e apresentar ao mundo a diversidade e a riqueza da América Latina.

“Ser latino não é apenas uma tendência: as pessoas estão apenas começando a se dar conta de quem somos”, continua ela. “Não somos latinos só por um momento; é para sempre. E todos estão convidados para a festa. Os latinos são uma comunidade aberta. Adoramos que as pessoas entendam quem somos, conheçam nossas raízes, até mesmo experimentem nossa comida, visitem nosso país. Podemos usar a música para disseminar essa mensagem, para abrir portas.”

Em entrevista à revista Playboy, em abril deste ano, a cantora comentou pela primeira vez sobre o fim de seu discreto namoro de três anos com Feid. Durante a conversa com a Elle, explicou que a separação não foi motivada por conflitos ou episódios desagradáveis, mas por uma incompatibilidade entre os dois. Meses antes de o rompimento se tornar público, ela viajou sozinha para o Havaí, onde permaneceu por um mês para lidar com o luto pelo término e reencontrar o equilíbrio emocional.

Ao refletir sobre esse período, a artista explicou que aprendeu a aceitar a própria vulnerabilidade e a compreender que demonstrar fragilidade também faz parte do amadurecimento.

“Antes, eu tentava ser uma versão superpoderosa de mim mesma o tempo todo”, reflete ela. “Era como se eu vestisse uma casca, uma armadura ‘Eu consigo lidar com isso, nada me toca, nada me atinge’. Mas você precisa existir em todas as suas versões para ter esse poder. As pessoas perguntam: ‘Por que eu? Por que eu o amei?’ Não… eu não quero que meus fãs sintam que precisam ser sempre uma bichota. Também quero ensiná-los a conviver com a tristeza. Quando o tempo passa e você enxerga as coisas com mais clareza, você diz: ‘Isso precisava acontecer para eu aprender, entender e valorizar mais’.”

Entre os temas abordados na entrevista, a cantora relembrou o processo de criação de “Después De Ti”, balada dream-pop apresentada ao vivo pela primeira vez durante sua histórica performance no Coachella, em abril deste ano. A canção surgiu da parceria com Greg Gonzalez, vocalista da banda Cigarettes After Sex. Os primeiros contatos entre os dois aconteceram de forma despretensiosa nas redes sociais, quando a artista passou a seguir o músico no Instagram e recebeu um emoji de coração preto como resposta, dando início à amizade.

“[‘Después de Ti’] surgiu de um amor perdido, sem que eu sequer soubesse que estava perdido. Depois disso, continuei a perseguir esse amor”, explica ela. “Então, um primo meu faleceu. E quando conversei com a mãe dele, ela disse frases exatas da minha música. Sinto que ela pode ser para alguém que foi para o céu, ou para pessoas que não estão mais juntas. Ela ressoou com o Greg, por causa de uma perda pessoal que ele também havia vivenciado. Nos conectamos imediatamente.”

Após trocarem trechos de músicas por mensagens diretas, a cantora viajou para Los Angeles para gravar a faixa no estúdio caseiro de Gonzalez. Ao lado de um tecladista, um guitarrista e um baixista, Karol e Greg passaram a noite entre doses de tequila e cigarros até chegarem à versão definitiva da canção.

“Foi algo que nunca tinha feito antes. Parecia estar em uma fogueira”, diz Karol sobre gravar com a banda.

A artista revelou ainda que a experiência foi tão marcante que decidiu retornar ao estúdio na tentativa de reviver a mesmo atmosfera criativa que deu origem à faixa.

 

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