Liniker fala sobre racismo no pop brasileiro e a importância de impor limites aos fãs

segunda-feira, 18 de agosto de 2025
por Alice Arruda

Nesta segunda-feira (18), Liniker inaugurou o podcast Segue o Som, comandado pelo jornalista Pietro Reis. O programa, que contará com dez episódios em sua primeira temporada, propõe mergulhar nos bastidores da criação artística, explorando processos de composição, produção e mixagem, mas também ampliando o debate para temas que ultrapassam a música.

Liniker para divulgação do podcast Segue o Som. Imagem: Reprodução.

Liniker para divulgação do podcast Segue o Som. Imagem: Reprodução.

Durante a conversa, Liniker refletiu sobre sua relação com o público. Reconhecida como um dos nomes mais relevantes da cena nacional, a cantora contou que precisou de muita análise para compreender a necessidade de impor limites: “Esse ano vou fazer 8 anos de analisada. O limite sempre foi um eixo: como eu construo um limite para a minha vida pessoal, minha vida profissional?”, disse.

A artista revelou que aprendeu a recusar fotografias em momentos em que não deseja ser exposta: “Quando eu chego em um lugar, as pessoas vão se deparar com a Liniker cantora, a artista, atriz, mas eu acabo criando uma dinâmica de: ‘obrigado pelo carinho, mas agora a gente vai curtir. Não vou tirar fotos, mas a gente vai dançar juntas’”.

Ela admitiu que estabelecer essa fronteira não é simples, já que muitos a veem como referência: “Eu acho que é um desafio, não é fácil, não é sempre que eu consigo, mas eu tento. Nem sempre dá certo. [Eu penso sempre] Como é que eu consigo viver as coisas normais, que as pessoas seguem fazendo, para que eu tenha uma humanidade possível? Se eu não viver, não faz sentido“.

Liniker também analisou o cenário do Pop no Brasil, apontando o racismo velado no gênero: “Eu acho que o pop muitas vezes tem esse direcionamento bastante específico, que são artistas brancos principalmente. Acho que todo mundo que faz pop, enquanto pessoa preta, é colocado em subgêneros: afropop ou qualquer outra nomenclatura que as pessoas acabam escolhendo para velar o racismo delas“.

Segundo a cantora, é preciso romper essa lógica: “Acho que Pop, para mim, é popularizar o afeto e a gente tentar sair desse lugar onde só artista branca, de cabelo loiro e milhões de seguidores é lida como artista pop no Brasil. Mas a travesti preta também é“.

Liniker reforçou que reconheceu sua própria música como Pop não apenas pela estética sonora, mas também por sua capacidade de alcançar diferentes públicos: “Entendi que meu som seria Pop pela qualidade do que eu estava entregando, pelo investimento, pela sonoridade, pela inventividade, e pelo Pop de popular – um som popular para que as pessoas escutem no metrô, em casa, na academia, no bar, no samba, no casamento, que aquilo tocasse o coração das pessoas“.

Com o álbum “Caju“, lançado em 2024, Liniker consolidou sua projeção nacional. A obra lhe rendeu os prêmios de “Artista do Ano” e “Álbum do Ano” no Prêmio Multishow, confirmando sua posição como uma das vozes mais importantes e transformadoras da música brasileira contemporânea.

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