Maio no Repeat: os lançamentos favoritos da redação do Poptivo
Maio chegou ao fim marcado por retornos aguardados, anúncios de novos álbuns e uma sequência de lançamentos que movimentaram o cenário musical nacional e internacional. Nesta lista, reunimos os trabalhos que mais conquistaram a equipe de redação do Poptivo ao longo do mês, refletindo exclusivamente nossos gostos pessoais e destacando alguns dos projetos que mais chamaram nossa atenção nas últimas semanas.

Os lançamentos que não saíram do nosso repeat em maio.
Crédito: Reprodução.
Drake – ICEMAN
Após enfrentar uma intensa onda de ódio entre 2024 e 2025, Drake retornou com uma proposta ambiciosa: o lançamento simultâneo de três álbuns de gêneros distintos. Em “ICEMAN”, projeto voltado ao rap, o artista canadense transforma os desdobramentos de sua rivalidade com Kendrick Lamar no eixo central da narrativa.
Ao longo do disco, Drake aborda temas como traição, desgaste emocional e a sensação de isolamento provocada pelo afastamento de antigos aliados durante o auge da disputa. O título do álbum faz referência ao Homem de Gelo, personagem da Marvel conhecido como Bobby Drake, e funciona como uma metáfora para a nova postura adotada pelo rapper. Assumindo uma persona mais fria e confrontadora, ele direciona críticas à indústria musical e a figuras influentes da cena hip-hop.
Drake – Habibti
Em “Habibti”, título derivado do árabe e amplamente utilizado como uma expressão carinhosa que pode ser traduzida como “meu amor” ou “minha querida”, Drake mergulha no R&B, gênero que o acompanha desde o início de sua trajetória e que se tornou uma das marcas registradas de sua discografia.
Ao longo de seus 36 minutos, o álbum desacelera o ritmo ao apostar em produções mais suaves, interpretações delicadas e letras que exploram inseguranças e vulnerabilidades. O projeto resgata parte da sensibilidade emocional que marcou “Take Care” (2011), um dos trabalhos mais aclamados da carreira de Drake. Entre os destaques estão as faixas “Slap The City”, “WNBA”, “Gen 5”, “I’m Spent”, “Classic” e “White Bone”.
Drake – Maid Of Honour
Em “Maid Of Honour”, Drake dá continuidade à fase eletrônica iniciada em “Honestly, Nevermind” (2022). No projeto, o canadense mergulha na house music sem abandonar completamente suas raízes no rap, reforçando sua versatilidade artística e sua capacidade de transitar por diferentes sonoridades.
Entre os destaques do álbum está “Which One”, que conta com um verso marcante do rapper britânico Central Cee. Em “Amazing Shape”, parceria com Popcaan, Drake revisita as influências caribenhas que marcaram projetos como “Views” e “More Life”, construindo uma faixa envolvente repleta de referências ao dancehall. O disco também se destaca pela abertura cativante de “Hoe Phase”, pela mistura fluida de R&B e reggae em “New Bestie”, que faz menção a Karol G, e pela energia irreverente de “Cheetah Print”, colaboração com Sexyy Red marcada por um refrão contagiante.
Lykke Li – The Afterparty
Em seu sexto álbum de estúdio, Lykke Li revela um lado mais vulnerável e introspectivo, explorando conflitos internos, inseguranças e fragilidades que raramente apareceram com tanta clareza em sua discografia. Musicalmente, o projeto aposta em uma sonoridade mais expansiva, sustentada por múltiplos percussionistas, vozes de apoio, diferentes camadas instrumentais e uma seção de cordas formada por 17 músicos.
Maluma – Loco X Volver
Descrito por Maluma como o trabalho mais íntimo e honesto de sua carreira, “Loco X Volver” combina a sonoridade urbana que consagrou o artista com elementos de vallenato, salsa, merengue, dancehall e trap.
Shakira e Burna Boy – “Dai Dai”
Canção oficial da Copa do Mundo FIFA 2026, “Dai Dai” une Shakira e o cantor nigeriano Burna Boy em uma colaboração que mistura afrobeats, dance-pop e reggaeton. A faixa marca a terceira participação da colombiana em projetos musicais ligados ao torneio. Em 2010, ela lançou “Waka Waka (This Time For Africa)”, um dos maiores sucessos de sua carreira e canção oficial da Copa do Mundo realizada na África do Sul. Já em 2014, apresentou “La La La”, música associada à edição sediada no Brasil e lançada em parceria com Carlinhos Brown.
O título da música deriva de uma expressão italiana de incentivo equivalente a “vamos” e é acompanhado ao longo da canção por expressões semelhantes em diferentes idiomas, criando um refrão de apelo global e espírito coletivo.
Bleachers – Everyone For Ten Minutes
No quinto álbum da banda liderada por Jack Antonoff, o músico reflete sobre como a presença constante da tecnologia interfere nas relações humanas, dificultando conexões genuínas e afetando a forma como as pessoas se relacionam consigo mesmas e com os outros. Musicalmente, o projeto transita entre o folk rock e o pop soul, combinando faixas mais introspectivas com momentos de maior energia.
Charli XCX – “SS26”
Segundo single de seu próximo álbum voltado ao rock, “SS26” explora uma sonoridade lo-fi guiada por guitarras e uma abordagem lírica pessimista. Na faixa, Charli XCX expressa seu desencanto com os rumos da sociedade contemporânea e critica a tendência das pessoas de ignorarem problemas coletivos para se concentrarem apenas em questões individuais.
Namasenda – Limbo
Em seu álbum de estreia, a artista sueca Namasenda, frequentemente apontada como uma das principais representantes do hyperpop, explora os limites entre autenticidade e imagem ao refletir sobre a pressão pela perfeição e a forma como as pessoas constroem suas identidades na era digital. O disco nasceu de um período de estagnação vivido pela cantora e transforma essa experiência em uma reflexão sobre autoestima, inseguranças e pertencimento. Por trás da energia eufórica das faixas, as letras revelam uma artista vulnerável, abordando dúvidas pessoais, a busca por autoestima e o medo de não se sentir amada ou suficiente. Produzido pela dupla sueca Medium, o álbum suaviza parte da estética mais exagerada associada ao hyperpop e aposta em batidas pulsantes, sintetizadores vibrantes e referências à cultura das raves dos anos 1990.
FLO – “Therapy At The Club”
Faixa-título do segundo álbum de estúdio do FLO, que chega às plataformas digitais em 24 de julho, a música retrata a vida noturna como um refúgio para lidar com decepções amorosas e a solidão. A letra parte da ideia de que, em certos momentos, é mais fácil buscar conforto na companhia de um desconhecido do que enfrentar conversas difíceis com quem se ama.
Budah – Frequência Lunar
Em seu segundo álbum, Budah reforça o protagonismo feminino no hip-hop brasileiro ao apresentar um trabalho que transita entre boombap, R&B, drill, ragga, house e pop. Nas letras, a rapper capixaba aborda autoestima, autenticidade e o espaço que as mulheres merecem ocupar, sem abrir mão da própria identidade para atender às pressões e expectativas impostas pela sociedade.
Gloria Groove – “O Chá”
Marcando o retorno de Gloria Groove ao pop e celebrando seus dez anos de carreira, “O Chá” combina influências do pop-reggae com uma letra que transforma um simples convite para tomar chá em um jogo de sedução repleto de segundas intenções.
Kim Petras – Detour
Em seu terceiro álbum de estúdio e primeiro trabalho lançado de forma independente após sua saída da Republic Records, motivada por divergências criativas, Kim Petras mergulha em um electropop irreverente, fortemente influenciado pela estética sonora do fim dos anos 2000 e do início da década de 2010. Liricamente, o disco aborda a pressão pela busca constante do sucesso, a superficialidade das relações no ambiente digital e a solidão associada à fama, além de explorar temas como liberdade sexual e o prazer ligado ao consumo material.
NMIXX – Heavy Serenade
Em seu quinto miniálbum, o NMIXX explora temas como o amor e a liberdade de vivê-lo sem restrições. Musicalmente, o projeto reforça a identidade do grupo dentro do chamado “mix pop”, combinando diferentes gêneros e mesclando o pop com elementos eletrônicos.
Os Garotin – A Força da Juventude
No segundo álbum de estúdio, o trio Os Garotin reflete sobre a juventude, o desejo de independência e os desafios de trilhar o próprio caminho. Musicalmente, o projeto transita entre soul, pop e R&B com uma abordagem marcada por referências da música brasileira.
Kelela – “Linknb”
Segundo single de “New Avatar”, álbum que chega às plataformas digitais em 10 de julho, “Linknb” aproxima o experimentalismo eletrônico de Kelela de elementos do garage rock, unindo texturas distorcidas a uma sonoridade vibrante e dançante. Produzida por Oscar Scheller, a faixa nasceu durante um período de bloqueio criativo e acabou se transformando em uma espécie de mantra pessoal. Segundo a cantora, a canção reflete o processo de reconstrução da autoconfiança e a decisão de seguir em frente apesar das dificuldades.
Tove Lo – “I’m Your Girl Right”
Primeiro single de “ESTRUS”, álbum que chega às plataformas digitais em 18 de setembro, “I’m Your Girl Right” aborda a vulnerabilidade e a necessidade constante de validação dentro de um relacionamento. A letra contrapõe paixão e insegurança emocional, enquanto a sonoridade incorpora influências do pop eletrônico e da dance music das décadas de 1980 e 1990.
Olivia Rodrigo – “The Cure”
No segundo single de seu terceiro álbum de estúdio, Olivia Rodrigo explora a frustração de tentar encontrar em um relacionamento a cura para dores e inseguranças pessoais. A faixa reflete sobre amor-próprio, isolamento e as cobranças que impomos a nós mesmos, enquanto combina o pop-rock característico da artista com uma sonoridade mais introspectiva.
Budah (feat. Pabllo Vittar) – “Vampira”
Na parceria entre Budah e Pabllo Vittar, a figura da vampira surge como metáfora para uma atração intensa e perigosa. A combinação de R&B e pop contemporâneo reforça o clima de sedução e mistério que conduz a narrativa da canção.
LISA, Anitta e Rema – “GOALS”
Parte do álbum da Copa do Mundo FIFA 2026, “GOALS” une pop latino, afrobeats e K-pop em uma celebração da autoconfiança. A letra utiliza o duplo significado da palavra “goals”, que pode remeter tanto aos gols do futebol quanto a metas pessoais.
Gabi Melim – Escapismo
Em seu novo álbum, Gabi Melim transforma vivências pessoais em canções sobre autoconhecimento, saúde mental e espiritualidade. Musicalmente, o projeto passeia pelo pop brasileiro, pela MPB e pelo reggae, incorporando também elementos do samba de gafieira e do groove tropical. O álbum também marca a estreia da tecnologia de produção virtual Parallax na música brasileira.
Bea Miller – “Depressed On The Internet”
Neste single de pop alternativo, Bea Miller aborda a vulnerabilidade e o cinismo que permeiam a era digital, refletindo sobre a maneira como a internet influencia a forma de lidar com emoções e fragilidades pessoais. A faixa combina letras ácidas e sarcásticas com uma sonoridade intimista e envolvente.
FBC (feat. MC Taya e BAKA) – “Canudos”
Faixa do álbum “Tambores, Cafezais, Fuzis, Guaranás e outras brasilidades”, a canção revisita a Guerra de Canudos sob a perspectiva dos excluídos, combinando elementos de rock, hardcore e funk. A letra estabelece paralelos entre o massacre liderado por Antônio Conselheiro e as tensões sociopolíticas do Brasil contemporâneo.
Becky G – “EPA”
Antecipando seu quinto álbum de estúdio, Becky G mistura elementos da cultura ballroom com influências da música urbana latina. A letra celebra a ideia de viver o presente e aproveitar a vida sem se deixar dominar pelas preocupações do dia a dia.
I.O.I – “Suddenly”
Com forte apelo nostálgico, a canção explora as lembranças e a saudade que reaparecem quando se acredita ter superado alguém importante. A letra retrata o conflito entre seguir em frente e perceber que certos sentimentos ainda permanecem.
Ariana Grande – “Hate That I Made You Love Me”
Primeiro single de “Petal”, álbum que chega às plataformas digitais em 31 de julho, a canção aborda a culpa de despertar, sem intenção, sentimentos em outra pessoa.
Maio se encerra com experimentações sonoras e colaborações que atravessam fronteiras, mostrando um cenário musical em constante transformação. O que conecta esses trabalhos não é uma tendência única, mas a busca por novas formas de expressão no pop, no rap, no R&B e em diferentes fusões que seguem ampliando os limites da música contemporânea.
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