Maluma na GQ México: vida, novo álbum e paternidade
Maluma estampa a edição “Homens do Ano 2025” da GQ México e fala sobre carreira, novo álbum, ansiedade e paternidade, temas que marcam sua fase mais autêntica.

Maluma é capa da GQ México. Imagem: Divulgação.
Nascido Juan Luis Londoño Arias, em Medellín, o cantor ganhou projeção em 2011, ainda adolescente. “Eu tinha apenas 18 anos… Minha única responsabilidade era levantar, fazer música e sentir a energia da minha carreira. Não havia estratégia, nem personas. Apenas um jovem de Medellín com um senso de admiração inabalável.”
Seu álbum de estreia, “Magia”, foi lançado em 2012. Desde então, Maluma se tornou um dos artistas colombianos mais bem-sucedidos da música latina. “O universo me tratou tão bem, tão gentilmente… tudo o que resta é ser grato.”
Hoje, mais sereno e pai de Paris, ele afirma não buscar mais fama ou números. “Muitas coisas mudaram […] mas ainda sou aquele garoto. Não estou mais em busca de fama ou discos. Hoje, só quero aproveitar a vida, acordar sem estresse e dormir com a cabeça tranquila.”
Questionado se já atingiu o auge, responde: “Meu melhor eu é todos os dias”. Para ele, inspiração nasce da disciplina: “Se estou neste mundo, é porque preciso continuar evoluindo.”
A maturidade também trouxe resiliência: “Mesmo nos dias ruins, tento melhorar a cada dia. Essa versão de mim mesmo será construída até meu último suspiro.”
Ao longo da carreira, Maluma criou alter egos como “Maluma Baby”, “Pretty Boy”, “Papi Juancho” e “Don Juan”. Agora, diz não ter mais interesse em se reinventar para agradar: “A verdade é que não me reinvento mais. Essa é a beleza da coisa.”
Segundo ele, essas fases respondiam a expectativas externas: “Era como pensar no que as pessoas queriam ver em mim […] Não mais.”
Hoje, a reinvenção é interna. “Agora a reinvenção é de dentro para fora. Eu me avalio muito […] sempre quero ser melhor. Mas […] simplesmente quero ser eu mesmo. Não quero mais olhar para fora.”
Maluma atribui a mudança à paternidade: “Não quero mais agradar as pessoas; esse tempo já passou. Com o nascimento da minha filha, entendi que só quero ser um bom pai, um bom filho, um bom parceiro […] A felicidade é um pouco egoísta.”
Cansado da superficialidade da indústria, ele redefine seus objetivos: “Não estou mais nisso para fazer parte do circo. Não vou lançar algo só para as pessoas dizerem: ‘Que legal!’. Eu me amo mais do que antes […] e é assim que estou construindo minha carreira.”
Agora busca autenticidade. “Antes eu me perguntava o que as pessoas queriam ver de mim. Não mais. Quero mostrar meu lado mais humano, meu lado mais Juan Luis.”
Em sua fase mais vulnerável, ele discutiu publicamente a ansiedade: “Tem sido doloroso […] Tive que mergulhar muito fundo […] Mas não evito mais minhas emoções.” Esse mergulho o ajudou a se reconstruir: “Tive a coragem de me desconstruir e me reconstruir.”
Ele também decidiu abandonar a divisão entre artista e homem: “Não quero mais mostrar que sou uma pessoa quando sou outra […] Não quero mais usar máscaras. Aprendi a me amar exatamente como sou.”
Essa transformação agora se reflete em sua música. O foco não é mais o topo das paradas, mas a verdade criativa: “Estou desenterrando a música que meus avós e meus pais amavam.”
Ele afirma que seu som mudou profundamente: “A única coisa que posso dizer é que tudo o que estou fazendo tem peso cultural […] A melhor parte é que estou trabalhando sem pressa.”
O impacto é perceptível para quem o acompanha: “Dizem: ‘Que evolução, que maturidade!’ […] Eu tinha essa essência adormecida […] e agora ela despertou.”
Paternidade também trouxe estrutura: “Paris me deu estrutura […] Me ensinou paciência, humildade”, além de um propósito para sua rebeldia: “Sempre fui rebelde […] Isso continuará fazendo parte de mim. Só que agora tem um propósito. Quero que Paris […] se sinta orgulhosa.”
Ele se tornou mais seletivo: “Quando você muda, as pessoas que eram próximas por motivos errados começam a se afastar por conta própria.”
A ansiedade também lhe ensinou aceitação: “Aprendi a aceitar […] quando estou cansado, quando preciso me alimentar melhor. Agora aceito.”
Sobre o novo álbum, o intérprete de “Un Polvito +” adianta que o projeto contará com diversas colaborações, mas sem pressa. “No ano que vem, vou me dedicar exclusivamente ao meu próprio trabalho”, afirma.
E afirma que nome artístico já não importa: “Maluma, Juan Luis… um nome não me define. Minhas ações me definirão. Quero que as pessoas parem de me identificar pela minha aparência e comecem a me identificar pelo meu coração.”
Por fim, reflete sobre a própria trajetória: “Às vezes penso: ‘Nossa! Que feito esse garoto de Medellín realizou.’ Olho para o meu passado com admiração, para o meu presente com felicidade e para o meu futuro com entusiasmo.”
A nova fase de Maluma revela um artista que abandona personas e pressões para viver com autenticidade. Guiado pela paternidade e pela maturidade emocional, ele reencontra suas raízes, redefine sua arte e mostra que sua maior evolução não está na fama, mas na coragem de ser ele mesmo.
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