Rosalía eleva o pop à música erudita em “LUX”
Rosalía lançou, na última quinta-feira (6), seu quarto álbum de estúdio, intitulado “LUX“. O novo trabalho da artista espanhola apresenta 15 faixas em 49 minutos de duração e vem recebendo ampla aclamação da crítica especializada. Trata-se do projeto mais ambicioso de sua carreira — uma obra que oferece ao ouvinte uma experiência única, espiritual e transcendental.

Rosalía em foto promocional para o álbum “LUX”. Imagem: Divulgação.
Repleto de elementos da música clássica e referências diretas à música sacra renascentista, “LUX” foi gravado com a Orquestra Sinfônica de Londres, sob a regência de Daníel Bjarnason, com arranjos assinados pela premiada Caroline Shaw.
Ao longo do álbum, Rosalía transita entre o sagrado e o experimental, homenageando santos cultuados pela Igreja Católica e explorando 13 idiomas diferentes: inglês, espanhol, catalão, latim, japonês, mandarim, italiano, alemão, ucraniano, árabe, hebraico, português e francês.
A artista não se limita a cantar palavras soltas em línguas distintas — ela entrega versos inteiros, melodias complexas e pronúncias impecáveis. Para alcançar essa precisão linguística, utilizou uma combinação de plataformas de tradução, profissionais especializados e professores, garantindo autenticidade a cada canção.
Em entrevista ao The New York Times, Rosalía revelou seu processo meticuloso de criação: começou com o Google Tradutor, depois consultou tradutores profissionais, perguntando: “Se eu rimar isso com isso, faz sentido?“, e contou com professores para aprimorar os aspectos fonéticos de cada idioma.
Formada em musicologia pela Escola Superior de Música da Catalunha, em Barcelona, Rosalía decidiu, neste quarto álbum, ensinar sobre música clássica e erudita a um público acostumado ao pop. A coragem de se reinventar — mesmo correndo o risco de não agradar a todos — é uma das marcas mais fortes de sua trajetória artística.
Em 2018, ela conquistou fama global com o aclamado “El Mal Querer“, inicialmente concebido como um trabalho de conclusão de curso. A repercussão foi tamanha que muitos acreditavam que seguiria a mesma fórmula, mas, em 2022, surpreendeu com “MOTOMAMI“, uma mistura audaciosa de gêneros, marcada por experimentações rítmicas e culturais.
Agora, em “LUX“, Rosalía fundamenta a ponte entre o pop e o clássico, estruturando o álbum em movimentos, como em um concerto sinfônico. A estética erudita é perceptível tanto nos arranjos quanto na interpretação vocal, que alterna entre a intensidade do flamenco e a suavidade do canto lírico.
Entre os destaques, “Reliquia” se sobressai pelo arranjo orquestral e pela letra introspectiva, em que a cantora reflete sobre as viagens que transformaram sua visão de mundo.
“Mio Cristo Piange Diamanti” é um hino de adoração com atmosfera catedralícia, capaz de emocionar até mesmo os não religiosos.
Em “Sauvignon Blanc“, Rosalía aborda o desapego aos bens materiais em nome do amor, fazendo referência a Santa Teresa de Ávila, que abandonou as posses da família para seguir o caminho da devoção.
O primeiro single, “Berghain“, em parceria com Björk e Yves Tumor, faz referência à Santa Hildegard von Bingen, doutora da Igreja Católica e monja beneditina alemã reconhecida por sua profunda influência nas artes, na teologia e na medicina natural.
Já em “La Perla“, Rosalía lança versos ácidos direcionados ao ex-namorado, Rauw Alejandro. Ela canta:
“Ele é tão encantador, estrela da falta de razão
Medalha de ouro olímpica de maior canalha
Você tem o pódio da grande decepção
A decepção local, destruidor de corações nacional
Um terrorista emocional, o maior desastre mundial.”
O álbum encerra-se com “Magnolias“, uma canção contemplativa sobre a morte e o retorno ao cosmos, em que a artista entoa: “Eu que venho das estrelas / Hoje me transformo em pó / Para voltar a ficar com elas.”
Com “LUX“, Rosalía reafirma sua posição como uma das artistas mais visionárias de sua geração — alguém que desafia rótulos, funde mundos e transforma o sagrado em arte. O disco é, acima de tudo, uma celebração da ousadia criativa e da força espiritual que move sua música.
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Tá na boca do povo:



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